í‰ PRECISO SONHAR

11 de dezembro de 2009

 E por falar em saudade, onde anda você?…..

 

 Não sou do tipo saudosista. Não sei dizer ao certo se as coisas se apresentavam melhores antigamente do que hoje em dia. Existem muitas coisas boas advindas das novas e velozes descobertas e invençíµes.

 

 Tenho um filho de 14 anos e, talvez por isto, me preocupo um pouco com a ausência de sonhos da garotada.

 

 Uma das lembranças mais antigas que possuo é de quando eu tinha seis ou sete anos. Lembro-me de deitar no andar de baixo de um beliche (tenho muitos irmãos) e ficar, por horas a fio, ouvindo o rádio. Ligava bem baixinho, antes de dormir, ficava ouvindo Clube dos Namoradinhos da rádio Itaí­ (algum portoalegrense se recorda?). Mais tarde, ao me encontrar dormindo, minha mãe desligava-o.

 

 Quando apareceu a televisão lá por casa, me lembro bem, havia uma propaganda de cobertores com a trilha sonora Ta na hora de dormir, não espere mamãe mandar… Era 21horas. A gente não discutia. Saí­a da sala (a TV era na sala) e ia para o quarto.

   A gente começa a discutir, í s vezes desobedecer, depois dos 10, 11 anos.  Sempre gostei muito de música e ainda precocemente era super interessado.

 Consigo lembrar a minha história linkada í  música. Talvez minha memória funcione assim, não sei……

 

 Ainda muito pequeno surgiram os Beatles. Muita coisa mudou desde então. Na pré-adolescência o programa chamado O Fino da Bossa,apresentado por Elis e Jair Rodrigues foi um dos primeiros que assisti por aqui. A seguir, a Jovem Guarda com seus covers, versíµes de rock e carríµes. O que veio depois, a Tropicália (inspirada na Bossa Nova, Semana de Arte Moderna, Cinema Novo, guitarra de rock e muita criatividade), seria para mim, a abertura, a deixa para a conscientização de que era possí­vel sonhar, usar a imaginação, refletir o mundo, pensar em liberdade, etc.

 

 No iní­cio da adolescência, a repressão a mil, possibilitou enorme criatividade nas comunicaçíµes e ambientes culturais. Revistas maravilhosas de contracultura proliferavam numa velocidade fantástica para a época. A juventude, irrequieta, procurava entender o mundo dos adultos. Músicas viajantes (Yes, Gênesis, Pink Floyd, Jethro Tull,etc.), desenhos e artes gráficas underground, o movimento hippie defendendo causas nobres e questionando tudo, o uso disseminado de drogas, avanços substanciais no direito da mulher e do homossexual, o amor livre (e suas conseqí¼ências), vontade de viver em comunidades dedicando maior respeito a natureza, experimentação de comida macrobiótica e vegetariana, tudo dum jeito zen, eram caracterí­sticas de então.

 

 Aonde quero chegar? Na adolescência, embora com muita inocência, a gente sonhava. Sonhava com um mundo melhor, com coisas boas, positivas e dignas. Levamos muitos tombos, foram muitas as mancadas, mas, representamos com categoria nosso papel na estrada (de carro ou de carona) do homem.

 

 Os fatos, os acontecimentos em geral, são precedidos de imaginação, idéias. Assim a gente vai sonhando…       Sonhávamos inspirados em í­dolos (músicos, escritores, poetas, artistas em geral). As intençíµes eram boas, puritanas até.

   A garotada de hoje não parece ser muito chegada a sonhos. As idéias existem, mas a imaginação da juventude navega noutras praias. Sou otimista e torço para que os teenagers estejam representando, de alguma forma, seus papéis históricos.

  O problema é que algo me diz (o tempo todo) que sonhar é preciso.

 


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