Em tempos de decisão sobre o grande poder de investigação dado ao Ministério Público (ou não), em matéria que deverá ser votada no Congresso Nacional, parece que as delegacias de polícias em geral estão relegadas ao segundo plano. E será que isto não é uma forma dos defensores dos poderes do MP esvaziarem tarefas e colocarem o Ministério Público como solução?
Pelo menos é o que parece, se olharmos para as mazelas da situação da delegacia de Torres, e que infelizmente se espalham pela maioria das DPs do RS e do Brasil. Há anos os delegados que por lá passam pedem para a sociedade aos políticos torrense, de forma repetitiva, por apoio comunitário no sentido de exigir do governo do Estado o mínimo de estrutura para o trabalho na delegacia.
Rebeldia de quem entende do assunto
Desta vez, foi a vez do o presidente da Câmara Municipal de Torres, vereador Antí´nio Machado (PT), em seu espaço na tribuna da casa legislativa durante a última sessão ordinária, realizada na segunda-feira retrasada (22), clamou por melhorias da delegacia de polícia de Torres. Clamou por melhorias em todos os sentidos, envolvendo recursos humanos, materiais e tecnológicos. E o vereador Machado mostrou alto grau de sinceridade e coragem em sua atitude, já que é do PT a responsabilidade da gestão da delegacia, gerido pelo governo Tarso, através da Secretaria de Segurança Pública do RS.
Nossa delegacia está defasada. Em 15 anos, aumentou naturalmente e de forma sensível os atendimentos, mas os recursos locais diminuíram, reclamou Machado, que já serviu em delegacias e está aposentado como servidor da segurança pública do Estado, e portanto tem experiência adicional no assunto.
O presidente da casa e ex-policial citou levantamento feito na delegacia local, que acusa que os atendimentos médios passaram de 5 mil para 8 mil, enquanto a estrutura da DP diminuiu. Reclamou, principalmente, pela total falta de capacidade investigativa da delegacia de polícia de Torres. Para Machado, a principal tarefa deste tipo de estabelecimentos públicos de segurança. Qual é a condição de uma delegacia, em uma cidade de mais de 35 mil pessoas, fazer a investigação quando há somente dois investigadores?, indagou Machado. Temos a sorte de sermos uma cidade tranqí¼ila, mas nos preocupa muito quando somos cobrados pela sociedade por agilidade e eficiência, desabafou.
O vereador também citou a falta de estrutura da DP para servir ao judiciário. í‰ que os inquéritos têm de ser feitos pelos cartórios das delegacias, para enviar o material pronto para a justiça julgar e o MP fazer sua parte. Como podemos servir bem í justiça com este quadro?, lamentou, em última indagação, o presidente da Câmara de Vereadores de Torres


