Por: Fausto Araújo Santos Júnior
A quase que certa ocupação pela prefeitura de Torres do ex- Hotel Beira Mar, no centro alto de Torres, uma área que simbolizou e ainda simboliza a vocação turística da cidade, acaba por sugerir que os cidadãos torrenses façam uma reflexão, principalmente í queles que sobrevivem do turismo da cidade. í‰ que a questão simboliza certa vitória do poder econí´mico público perante o teórico poder que a iniciativa privada teria sobre ele, em uma cidade que sobrevive do Turismo e do Veranismo como a nossa.
Seria muito mais comemorável para todos nós, se fosse anunciada a atitude da prefeitura em subsidiar um hoteleiro para assumir o hotel, hoteleiro daqui, mas principalmente outro, que viesse de fora, para somar e aumentar a concorrência nos serviços de hospedagem e acolhimento na cidade. A concorrência (e as melhorias que ela trás) seria muito profícua para o trade turístico, por exemplo, se tivesse havido uma política pública local para fomentar a entrada de uma rede de hotéis, como, por exemplo, as escolhidas pela operadora de Turismo CVC, ou outras redes de hotel similares e altamente competitivas no mercado.
Muito (ou pouco) trabalho para o trade do Turismo de Torres II
A prefeita de Torres agiu de forma objetiva e pragmática. Realiza um baita negócio comprando um imóvel como o Hotel Beira Mar (falido), para atingir outro objetivo seu: o de centralizar as operaçíµes administrativas públicas em um só lugar, uma demanda dos torrenses (principalmente os políticos) nos últimos 12 anos (pelo menos). Somente em economia de alugueis, talvez o imóvel se pague em poucos anos, mesmo sabendo-se que se deve de ter muita reforma no hotel para ser adaptado í administração, já que se trata de ambientes de lazer que deverão ser utilizados para se trabalhar. Portanto, capitalista e administrativamente falando, um gol de placa da prefeita Nílvia e sua equipe.
Muito trabalho para o trade do Turismo de Torres III
Esta postura de preponderância do poder público sobre o poder privado (principalmente para os que vivem do turismo) já aconteceu. Antes e em outra administração: em 2012. í‰ que houve a compra feita pelo governo João Alberto de um imóvel residencial, na beira da Lagoa do Violão, que teve de ser feita para a desocupação de parte das acomodaçíµes físicas da Câmara Municipal, que tinha de reformar a casa para servir mais quatro vereadores, que passaram de nove para treze, por opção da comunidade (mais poder econí´mico público). No mesmo caso, não é admissível, também, que não tenha na cidade alguém que queira comprar pelo preço também baixo que foi realizado í quele negócio, um imóvel novo de apartamento na beira de um dos cartíµes postais de Torres: a Lagoa do Violão. E lá, já há alguns meses, ao invés de termos veranistas ou turistas usufruindo a vista e da hospitalidade que o lugar oferece, temos servidores públicos trabalhando pela educação da cidade, atividade que poderia ser realizada em qualquer outro bairro mais residencial e comercial, ao invés de um lugar de Turismo como é a Lagoa.
Muito trabalho para o trade do Turismo de Torres IV
Portanto, não se trata de uma crítica í prefeita Nílvia ou ao ex-prefeito João Alberto por estas decisíµes. Eles foram bons negociadores, e se a prefeitura quiser especular, pode lucrar, por nós torrenses, donos do dinheiro público, e vender com 100% de lucro os dois imóveis, tanto o edifício da Lagoa quanto o hotel da Lendária Rua José Picoral (nome do homem que começou o Turismo em Torres).
Mas somos nós, pessoas que acreditam que o futuro do desenvolvimento de Torres passa pelo crescimento de nossa competitividade no turismo regional e nacional, que deveríamos refletir. Perdemos… Perdemos para o Estado um ícone de representatividade do turismo da cidade, com fachada espelhada e tudo. E os gestores públicos e privados do trade do Turismo da cidade devem enxergar isto como ao menos um desafio para o futuro. Quiçá, um hotel de fora compre de volta o prédio da prefeitura daqui a alguns anos, caso a cidade trabalhe de forma organizada e estratégica para os planos do turismo local. Olho no horizonte!
Buracos da Corsan
Um morador tradicional da cidade utilizou a tribuna da Câmara Municipal na última sessão para implorar (praticamente isto, pois a coisa ta preta) para que a Corsan termine com a obra inacabada de implantação do esgoto sanitário no bairro Igra Norte. A cidade continua sofrendo com vários outros (e novos) buracos abertos pela Estatal, buracos que depois de abertos que ficam ali, parados, esperando que um carro ou um andarilho desavisado caísse dentro. Mas o Igra Norte já passou dos limites, mesmo.
Importante salientar que a responsabilidade jurídica sobre o esgoto e a água dos municípios é das prefeituras municipais. Elas podem (e devem) terceirizar este serviço através de contratos de prestação de serviços com empresas do setor, que trocam custos e responsabilidades teóricas pelo faturamento da receita das contas de água e de luz. Portanto, é a prefeitura que deve cobrar da Corsan, mesmo que a justificativa final seja a de que existem convênios e pouco se pode fazer para agilizar as parcerias.
Está certo o professor Pedrinho. Utilizou sua fama de homem probo, honesto e de certa forma utilizou sua sabedoria de pessoa de mais idade, para alertar a população e, principalmente, os gestores da Corsan para que trabalhem, simplesmente trabalhem!
Minha casa não é minha e nem é meu este lugar?
Preocupou-me ouvir de uma professora da Ulbra de Torres, em Palestra na Conferência das Cidades, realizada aqui em Torres na última semana, uma afirmação, colocada por ela de forma absoluta. Disse ela para a platéia cheia principalmente de adolescentes, convidados pela prefeitura para assistir o encontro. OS PRí‰DIOS TíŠM FUNí‡íƒO SOCIAL.
A jovem e competente professora não está inventando a roda. Ela se refere í lei, feita de forma constitucional na Assembléia Constituinte promulgada e aprovada em 1988 no Brasil. Esta afirmação da arquiteta da Ulbra nada mais diz do o que somos obrigados a engolir. Mas me preocupa.
Preocupa-me porque esta máxima inverte a relação Estado X Sociedade. Ao invés de o Estado SERVIR a sociedade, parece que a sociedade SERVE o Estado, pois quem faz as leis que regulam a tal de função social de nossa propriedade PARTICULAR são os políticos, e os políticos não representam a sociedade, pelo menos da forma em que temos assistindo í s ingerências da Coisa Pública sobre nós, simples viventes trabalhadores da iniciativa privada e pública, que pagamos quase 40% do que produzimos e consumimos em impostos para que o Estado, representado pela presidência do Brasil, pelos governadores de Federaçíµes e por prefeitos municipais, justamente devolva esta montanha de dinheiro em serviços. Mas não: a Constituição do Brasil diz, ainda, que nossas coisas são da sociedade, e as leis orbitam entre nós tendo poder para fazer o que quiser com esta afirmação de certa forma imperialista.
Temos que mudar este artigo da Constituição com uma PEC, ou não?
Briga de gente (interesse) grande?
O PDT continua como está pelo menos até o final do mês. í‰ que o grupo liderado pelo atual presidente do partido em Torres, André Pozzi, venceu a eleição (de forma apertada) e deixou o outro grupo, altamente mobilizado em oposição ao estabelecido na sigla em Torres, í ver navios…
Mas uma pessoa do grupo perdedor me explicou que o estatuto do partido agora exigirá que tenha outra escolha de presidente. Não me dei conta que alguns estatutos dizem que quem escolhe o presidente é o diretório. E foi o diretório que foi eleito, mesmo sendo ele a chapa representada por Pozzi, atual presidente e provavelmente recolocado formalmente no final do mês.
Portanto, terá outro embate entre os dois grupos de pedetistas rebelados entre si, principalmente na disputa de cargos no governo Nílvia. Agora, o grupo opositor pode fazer que os eleitos do diretório, mesmo sendo a nominata indicada por Pozzi, de certa forma virem a casaca e votem em Krás, o outro pretendente í presidência dos brizolistas da cidade. E o nome para a secretaria de indústria e comércio, anunciada pela prefeita Nílvia como do PDT, é o osso maior que está nos bastidores das disputas internas dos trabalhistas.


