Após o aberto estelionato eleitoral aplicado pelo PT em 2002, quando da vitória do ex-presidente Lula, que venceu a eleição execrando Bancos, privatizaçíµes e empresários em geral, mas que, após tomar o poder, fez exatamente o contrario de que pregara na campanha de Lula, agora é o PSDB que parece querer utilizar a mesma ferramenta estelionatária para roubar de volta o poder aos tucanos. Nesta semana, o partido que mais privatizou no Brasil se coloca contra a privatização dos portos. Junto com seu laranja institucional, o DEM (ex-PFL), fez e faz campanha contra o Projeto de Lei do governo Dilma, altamente a favor de privatizaçíµes, no qual até a poderosa FIESP (Federação das Indústrias de São Paulo), publicou em rede de TV apoio institucional ao plano do PT colocado no projeto-lei. Quem sofre é o povo inculto do Brasil (a maioria “ infelizmente), que cai no discurso falso de soberania nacional e acaba apoiando sempre as campanhas eleitorais que apóiam a estatização e condenam qualquer privatização sobre o signo da dilapidação do Patrimí´nio Público.
A Empresa Pública no Brasil, portanto, se tornou moeda com dois valores. Por um lado, é utilizada para manobra de massas no sentido de desautorização de ideais mais liberais, colocando o povo contra qualquer ensaio privatizador, mesmo que seja ele altamente saudável. Por outro, as Estatais servem para acomodar companheiros de partidos e para abrir espaços para desvios financeiros pouco republicanos, usufruído por siglas partidárias e por agentes políticos de forma pessoal e dinheirista.
As naçíµes mais desenvolvidas do mundo cresceram e crescem com quase nada de empresa pública em seus portfólios produtivos. Setores como transporte público de massa são os poucos que sobram, pois se tratam de investimentos altíssimos de Capital, com retornos pouco certos por eventuais empreendedores, por se tratar de tarifários quase tabelados e de fácil manipulação política. Mas empresas que produzem em áreas de mercado global, como mineração, petróleo, dentre outras commodities, atualmente se concentram na mão de jogadores internacionais privados, que trabalham conforma as regras da relação entre a oferta e a procura mundial.
O PSDB privatizou no Brasil de forma quase que obrigatória as telecomunicaçíµes, as indústrias de extração mineral ainda na mão do governo, muitas empresas fabricantes de energia elétrica, e abriu a nação para um novo momento de infraestrutura, muito mais competitivo e objetivo. Mas as privatizaçíµes foram a bandeira de setores conservadores do país. E os tucanos ficaram marcados como irresponsáveis, como vendedores do tal de patrimí´nio Nacional í preços de banana. Até um livro foi escrito demonizando a atitude: a ficção Privatizaria Tucana.
O PT provou na prática que aquilo que criticava em campanha era romantismo esquerdista radical. Embora alas do Partido dos Trabalhadores ainda critiquem qualquer coisa que diga respeito í privatização, o governo Dilma (atual) e o governo de Lula privatizaram muito e sequer assinalaram com qualquer possibilidade de Estatização de empresas privadas do Brasil. Portanto, se comporta como um governo mais neoliberal do que o próprio PSDB, pois, além de privatizar e não estatizar, entra pouco no câmbio e nos índices que podem artificializar o mercado livre, coisa que o PSDB não se preocupou em manter livre, ao contrário, mexeu muito, principalmente na taxa cambial.
No final de tudo isto se pode deduzir que as estatais e as atitudes dos governos perante o tema são verdadeiras moedas valiosíssimas no jogo de poder. O brasileiro que já paga impostos de quase metade do que produz e consome convive com dissonâncias extremas de ambos os lados que disputam o poder na nação. O discurso de Soberania nunca foi tão vilmente utilizado pelos políticos do Brasil como tem sido nos últimos anos, após a abertura democrática ocorrida em 1989.
Estelionato eleitoral. í‰ isto. O brasileiro tem somente uma certeza. A que vai ser enganado por alguma sigla partidária no pleito í presidência da república. Se vai ser o PT ou o PSDB, as urnas assim o dirão.


