OPINIíO – Quem não deve não teme…

19 de maio de 2013

Ex-Beira Mar

 

Os debates, tanto na Câmara quanto nas redes sociais, por conta da virtual compra pela prefeitura do prédio onde funcionou o Hotel Beira Mar foram ecléticas. Uns defendendo e parabenizando a prefeitura; outros criticando e colocando argumentos; e outros, como sempre, se colocando em cima do muro.

De todos os argumentos que li e ouvi, nenhum se baseou em minha crí­tica ao processo: a de ser uma marca da falta de força do trade do Turismo da cidade e da demonstração da força do público versus o privado. Portanto, acho que a coluna aqui está fora do horizonte da maioria dos cidadãos que se importam com as decisíµes públicas da nossa Torres. Desculpem se fui prolixo, então.

 

Ex-Beira Mar II

 

A questão mais defendida por í queles que apóiam a compra do ex-hotel por R$ 6 milhíµes é a do bom negócio que teria sido feito pela prefeita Ní­lvia. Pessoas pouco qualificadas para dar opinião sobre o assunto extrapolaram em seus discursos na Câmara de Vereadores. Chegaram a ridicularizar os que não defendiam, chamando-os de pessoas que não viam com bons olhos o progresso da cidade; de pessoas que não sabiam avaliar negócios como deveriam, dentre outras manifestaçíµes públicas.

O vereador Deomar Goulart, o dê (PDT) chegou a elogiar seu colega de casa, o vereador Nego (PC do B), de ser um empreendedor e estar apoiando a compra e dizer, então, que quem não concordasse com a compra não seria uma pessoa empreendedora.

A vereadora Gisa Webber (PP), criticou seu colega Dê (mesmo sem citar o nome). Disse que teria ficado decepcionada pelo claro preconceito que seu colega de casa (e de base de governo) ter colocado aos sete ventos como uma verdade absoluta. De certa forma, Gisa, com razão, achou arrogância de Dê e se ofendeu, já que votou contra a votação da matéria. Ela pediu mais tempo para avaliar, pois não se sentia preparada para votar.

 

Ex-Beira Mar III

 

Do lado dos que mais criticam a venda, a questão dos altos custos para reformar o imóvel são as lí­deres do ranking da rebeldia. Alguns também questionam a falta de estacionamento nas ruas dos arredores, ponto que já é crí­tico atualmente (principalmente no verão, mas também no inverno, por conta das inúmeras imobiliárias e corretores na região).

Na Câmara a questão ficou mais pelo apoio da oposição (maioria) de preferir utilizar os R$ 6 milhíµes para construir uma sede nova e já adaptada para ser um prédio para funcionar uma prefeitura. Outra crí­tica foi a recorrente mania dos presidentes de casa trazerem para a votação matérias de última hora, que não respeitam os trâmites regimentais, que sugerem que projetos de lei tenham que tramitar pelo menos três vezes na casa para ser votado.

O vereador Alessandro Bauer (PMDB) chegou a sugerir que o presidente da Câmara, vereador Antí´nio Machado (PT) estaria rasgando o estatuto da casa, justamente por colocar matéria de tal vulto e importância na primeira sessão já em votação.

 

Ex-Beira Mar III

 

E foi justamente o voto do presidente da Câmara Antí´nio Machado (PT) que decidiu três vezes para que a matéria fosse adiante e fosse aprovada, afinal. Primeiro houve empate para aprovar o requerimento feito pelo vereador Dê Goulart. Os vereadores do PMDB Gimi, Alessandro, Marcos e Tubarão, junto com o vereador Jéferson (PTB) e a vereadora Gisa (PP) votaram contra. Os vereadores Dê (PDT), Davino (PT), Lú (PT), Ernando Elias (PP) e Fábio da Rosa (PP) votaram a favor. Deu 6 X 6… Machado desempatou a favor da APROVAí‡íƒO.

Logo após foi votado um pedido de adiamento de discussão do projeto feito pelo vereador Gimi (PMDB). Deu o mesmo placar (empate) e Machado desempatou para DERRUBAR o pedido.

E na votação final do projeto, o mesmo empate de 6 X 6 obrigou que, mais uma vez, Antí´nio Machado aprovasse, afinal, em nome da base aliada de Ní­lvia (com exceção de Gisa que votou contra), o projeto lei que autoriza a prefeitura de Torres a se endividar em R$ 6 milhíµes para comprar (se quiser) o prédio do ex-hotel Beira Mar em seis parcelas anuais de R$ 1 milhão.

 

Ex-Beira Mar IV

 

Continuo achando que a única coisa que justifica a compra de um hotel na área turí­stica de Torres para funcionar a sede da prefeitura da cidade é a iminência de juntar o pessoal em um mesmo lugar. Mesmo assim, ponderando com serenidade, acho que se até hoje ninguém morreu por trabalhar separado, haveria tempo e paciência para adiar mais um ano ou dois o processo e construir uma sede, por exemplo, no Parque do Balonismo, ou na praça onde funcionou o ginásio municipal, idéia defendida pelo ex-prefeito João Alberto e rechaçada pelo atual vice prefeito Brocca ( principalmente) quando ainda era vereador.

Este negócio de achar que R$ 6 milhíµes é pouco é relativo. O Shopping Center João Pessoa, em Porto Alegre, por exemplo, foi negociado por R$ 12 milhíµes. E está no centro, dava bons lucros e estava (como ainda está) pronto para ser um shopping, diferente do prédio de um hotel que vai servir para acolher a sede de uma prefeitura, como deve ser o ex- hotel Beira Mar aqui.

Mas não dá para reconhecer que houve objetividade do grupo que decidiu a compra. Resolve um problema e investe em um prédio que pode ser valorizado. Uma decisão capitalista e empresarial.

 

OPINIíƒO – Quem não deve não teme…

 

Engraçado este processo quase que mafioso que os marajás do serviço público estadual de todas as esferas e instâncias estão se utilizando para esconder seus salários de seus patríµes: o povo. Depois de fugir para todos os lados (como cão quando soltam foguetes), o Tribunal de Justiça se obrigou a abrir para os contribuintes os dados de subsí­dios, e os penduricalhos sociais de vantagens dos funcionários do tribunal.

Lá se vê o porquê que fazer concurso público, principalmente para trabalhar no judiciário e no MP gaúchos, passou a ser o sonho de consumos dos jovens talentos recém formados do RS. São centenas de pessoas ganhando o teto de R$ 27 mil (que pé direito alto hein?), mostrando que teto é siní´nimo de igualdade. E outros vários que ganham acima do teto, mas que foram cortados pela lei que obrigou que receberem somente no máximo o teto. Parece que antes o limite era a Lua… Basta acessar o site: www.tjrs.jus.br, ir para Lei de Acesso í s informaçíµes e procurar até achar (pois não é fácil).

Falta a abertura do MP, do Legislativo e do Executivo, estes dois últimos que deverão denunciar disparates enormes em salários e mordomias paga por nós, simples viventes. E depois as prefeituras e as Câmaras, que não devem mostrar nada de mais, somente algumas ˜injustiças, mas salários altos, nada… Nas cidades o sistema público é o primo pobre, como sempre.

 

 

 

 


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