Representação dos médicos em Torres prefere carreira pública ao invés de concorrentes estrangeiros

28 de maio de 2013

 

Um profissional que consiga se adaptar ao interior, conviver com as eventuais desvantagens técnicas de cada lugar, aderir aos salários oferecidos e principalmente se manter nas cidades. í‰ isto que os técnicos do governo federal buscam ao tentar importar médicos de Cuba, de outros paí­ses da América do Sul e mais recentemente sinalizando, inclusive, com a contratação de médicos de paí­ses desenvolvidos da Europa.

Um lugar que o receba bem, pague conforme o mercado paga ao setor e í  categoria, e que possua as mí­nimas condiçíµes de trabalho. Isto é o que deseja a maioria dos médicos ao pensarem (alguns optarem) por trabalhar em cidades do interior.

Atender de forma universalizada a saúde do povo brasileiro, em qualquer canto da nação. í‰ isto que indicam as diretrizes do SUS para as cidades.

 

Estrutura, salário e carreira, mas para médicos brasileiros

 

 

 O Representante do SIMERGS (Sindicato dos Médicos do RS) em Torres, o médico Fábio Faria é também membro do Conselho Consultivo do sindicato na região. Ele atua em Torres há vários anos e sugere, afinal, o que o sindicato já sugeriu institucionalmente no ano passado: uma carreira pública de Estado para médicos se espalharem por todo o RS. Para Farias é necessário uma carreira ser desenhada por inteiro. Ele afirma que há de se ter estrutura operacional, apoio humano de auxiliares e enfermeiros condizente e salário. Ele defende, também, que esta carreira seja exercida por médicos experientes.

Para atuar no interior, praticamente sozinho, o profissional tem de ter bastante experiência em procedimentos básicos, mas que devem ser feito com prudência e perfeição. São suturas, partos, procedimentos gerais, que são as principais demandas dos PSs (Postos de Saúde) das cidades assim como nos ESFs (Estratégia de Saúde da Famí­lia), afirma o médico. Tem especialidades do tipo generalistas como estas que estão se extinguindo, justamente por não oferecer ambiente e salário compatí­veis no sistema público. Pediatria e Clinica Geral são exemplos, salienta o médico torrense.

 Farias concorda que em Torres a situação não é tão crí­tica, mas sofre, ainda, com as ofertas de mercado dos grandes centros. í‰ que um médico que trabalha full time (40 horas/semana) na cidade recebe menos de R$ 9 mil lí­quidos no teto salarial. Esta remuneração é conseguida muito facilmente em consultórios e quem trabalha 40 horas não consegue manter e trabalhar em consultório ao mesmo tempo, exemplifica Farias.

Para o médico Fábio e para o sindicato, a mudança deve existir, mas deve vir em um pacote que insira condiçíµes de trabalho, estrutura para exames, apoio especializado (auxiliares) e condiçíµes de encaminhamento para especialistas de forma azeitada, um dos problemas de afunilamento hoje em dia.

A carreira proposta pelo SIMERGS sugere que os médicos de Estado sejam contratados como as carreiras de juí­zes, por exemplo. Um treinamento especializado, concursos exigentes e salário final inicial de R$ 20 mil, com plano de carreira que possa aumentar os rendimentos em pelo menos 50% ao longo da carreira.

Para o sindicato, há um risco muito grande para a sociedade em contratar médicos de fora por conta da falta de garantias de conhecimentos dos mesmos. Dos cubanos que fizerem testes de proficiência, somente 5% passaram, encerra o médico Fábio Faria, falando pelo sindicato da categoria.

 

Sindicalista de Torres da área de saúde também discorda das contrataçíµes importadas

 

 O presidente do SIMTO (Sindicato dos Servidores Públicos do Municí­pio de Torres), André Dambrós, é dentista e atua em várias frentes da saúde pública. Portanto, ele passa uma visão de servidor público de carreira e de especialista em saúde pública, principalmente nas questíµes que envolvem recursos humanos, sua atuação e militância como sindicalista.

Em minha opinião a contratação de médicos vindos de fora do Brasil não resolverá o problema da falta destes profissionais. O que falta na verdade são condiçíµes materiais de trabalho e até de segurança nestes locais, afirma convicto. Também não faltam profissionais aqui no Rio Grande do Sul, diz. Por exemplo, temos dois médicos para cada mil habitantes, enquanto o preconizado é um médico para cada mil habitantes, acrescenta Dambrós.

 A responsabilidade da saúde que foi repassada para os municí­pios, não foi acompanhada proporcionalmente por financiamento vindo do Estado e da União, continua. Isto, combinado com a má gestão de recursos, é o que nos leva í  situação atual, segue o sindicalista. A contratação temporária destes profissionais estrangeiros fere um dos princí­pios fundamentais da ESF (Estratégia de Saúde da Famí­lia), pela transitoriedade, que é o ví­nculo com a comunidade, encerra Dambrós.

 

 Mas municí­pios aderem í  campanha da FAMURS em defesa aos médicos estrangeiros

 

No outro lado da mesa de negociação estão os gestores públicos. E a campanha da Famurs pela atuação de médicos estrangeiros e formados no exterior tem a adesão de municí­pios do norte gaúcho, o que pode se expandir como uma postura institucional dos prefeitos de todo o Estado do RS. Na última segunda-feira (20/5), durante encontro de Interiorização da Federação, prefeitos daquela região confirmaram apoio ao movimento, ressaltando a necessidade de contratar esses profissionais da saúde. Vários gestores participaram do evento, realizado no campus da Universidade do Alto Uruguai, em Erechim.

Representando o presidente Ary Vanazzi, o vice-presidente da Famurs e ex-prefeito de Quinze de Novembro, Clair Kuhn, justificou e afirmou: Mesmo as prefeituras pagando altos salários aos médicos, não há candidatos para trabalhar no interior e nas periferias das grandes cidades.

 

Queda nas receitas

 

De acordo com o coordenador-geral da Famurs, Julio Dorneles, os municí­pios gaúchos estão sofrendo com a falta de dinheiro. Nos últimos meses, registra-se uma queda no repasse do Fundo de Participação dos Municí­pios (FPM), recurso transferido pela União í s prefeituras. Em relação a 2012, a parcela de FPM teve uma retração de aproximadamente 3%.


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