Nesta semana que passou, nossa capital Porto Alegre passou por um debate bastante agudo por conta da retirada de árvores em uma avenida a ser duplicada. Conforme informa a imprensa estadual, os técnicos da prefeitura da capital e o judiciário, o corte de árvores, já em andamento, foi um procedimento normal, votado por juiz em questionamento feito pelo MP em ação representando os grupos que não queriam que as árvores fossem cortadas de forma alguma. Mas os argumentos de ambos os lados da polêmica são artificiais e baseados em modismos da avaliação da cidadania. Não convence mentes inteligentes nem a preservação ambiental, militada pelos ambientalistas e grupos de apoio í causa da preservação, nem a justificativa dada pela defesa da prefeitura de Porto Alegre, que promete compensar as árvores que serão subtraídas por plantio de várias outras, assim como a justificativa da municipalidade e os advogados que a defendem de serem espécies exóticas e invasoras, as plantas já históricas da região que serão retiradas.
Na prática se trata de uma decisão de governo a de retirar as árvores do entorno do Gasí´metro em Porto Alegre. São do prefeito José Fortunati o bí´nus e o í´nus desta decisão. Legitimamente e respeitando as leis, ação política da Capital gaúcha em priorizar os prazos e os custos da obra iminente para desafogar o trânsito da região em direção ao Estádio Beira Rio, uma obra com apoio do governo federal como pacote de fomento í s obras de adequação de Porto Alegre para a Copa do Mundo de 2014 de Futebol, com certeza poderia ser outra. Com custos mais altos ou com desenhos alternativos, nossa Capital poderia realizar a duplicação e manter as árvores já tradicionais nos bairros e na cultura dos portoalegrenses.
Na prática também, a quase intransigência de pessoas í s retiradas de árvores em locais públicos representam uma vontade cultural. Diferente dos discursos ambientalistas da moda, o que justifica sobremaneira a militância dos que preferem que o corte de árvores se dê somente após serem avaliadas todas as alternativas para mantê-las é já um caractere da Capital gaúcha. As árvores frondosas e plantadas com muita responsabilidade por nossos aví´s já fazem parte do conceito até internacional que a capital dos gaúchos possui conceito de ser uma cidade altamente arborizada, verde e cheia de sombras. Representa também certa tradição dos portoalegrenses que foram criados por suas famílias, já em muitas geraçíµes, na parte antiga da cidade, consequentemente nas áreas arborizadas, onde espécies de plantas já centenárias em alguns casos representam histórias familiares, representam parte da vida de muitas famílias, casamentos, namoros, dentre outros momentos cotidianos urbanos.
Infelizmente as questíµes econí´micas e de prazos acabam se sobrepondo nas decisíµes políticas dos prefeitos municipais e suas equipes. Muitos que criticam as posturas pragmáticas, certamente tomariam a mesma decisão do prefeito Fortunati. Não resistiriam í pressão de perder uma verba ou uma oportunidade de realizar uma obra importante para a urbanidade local somente por certo romantismo cultural. Mas a decisão foi de Fortunati. Não é responsável delegar para a justiça uma decisão que poderia ser outra. Há de se comemorar os bí´nus, mas há, também, de se assimilar os í´nus da decisão de retirar árvores históricas para realizar uma obra viária.
Mas o que fica para a sociedade repensar são os argumentos utilizados nos dois lados dos debates. Retirar uma centena de árvores não vai destruir o meio ambiente como ameaçam os militantes. Mas não é chamando as espécies de exóticas e invasoras que se justifica o corte. Este pensamento se trata de racismo ambiental e radicalismo de fiscais do meio ambiente. O debate na prática foi pela preservação cultural ou a mudança.


