EDITORIAL – Invasão de privacidade

17 de junho de 2013

Nesta semana o assunto principal em todo o mundo foi a invasão que o governo dos EUA estaria fazendo dentro de todos os computadores que possuem contas ligadas aos maiores provedores no planeta. Portanto até nós brasileiros estarí­amos sendo de certa forma vigiados pelo governo Obama. O governo dos americanos alega que a medida se faz necessária para combater o terrorismo, que em todo o mundo coloca aquele paí­s no centro dos ataques neuróticos e psicopatas. Mas a humanidade acende uma luz de alerta. Será que estamos caminhando para sermos um número; para sermos uma unidade produtiva na mão dos governantes do planeta?

Aqui no Brasil notam-se entradas governamentais na vida dos simples viventes a cada dia. Além de a população brasileira pagar quase metade do que produz em impostos a serem geridos pelos governantes federais, estaduais e municipais, nas esferas executivas, legislativas e judiciárias, a população brasileira está sendo obrigada a conviver a cada dia com mais invasíµes da privacidade de suas vidas, da vida de seus familiares. E o tema, infelizmente, tem gerado debates que saem do foco principal. Ao invés da sociedade discutir a própria invasão, a discussão tem ficado sobre a abordagem das invasíµes de nossa liberdade de ir e vir. í‰ o caso das chamadas cartilhas distribuí­das nas escolas públicas. De um lado, famí­lias conservadoras e igrejas protestam sobre a didática do ensino da sexualidade nas escolas e sugerem abordagens radicais ensinadas nas tradiçíµes e nas religiíµes. De outro, setores mais progressistas sociais atacam os conservadores e o que é pior, têm conseguido introduzir em estabelecimentos de ensino público para crianças e adolescentes, cartilhas nada prudentes, que abordam a sexualidade através de documentos, em alguns casos distribuí­dos de forma compulsória a alunos vindos de qualquer formação familiar. Há relatos até de professores instruí­rem seus alunos para que não mostrem as cartilhas para seus pais, alegando que eles não iriam gostar de ver aquilo, mas que o ensinamento seria importante…

Não estamos falando na obrigatoriedade de se utilizar o cinto de segurança, uma medida que obriga que nós nos protejamos em nome do sistema de saúde pública, que quer diminuir os casos de morte e invalidez nos acidentes de carros, uma clara introdução de uma lei que serve para o governo e elimina a liberdade do indiví­duo de se proteger como ele acha que deve. Não estamos falando na obrigatoriedade de famí­lias terem de prestar conta da assiduidade dos filhos matriculados em escolas públicas sob pena de não receberem o Bolsa Famí­lia, uma medida afirmativa, que busca introduzir mais jovens ao conhecimento e í  educação formal, mas que de certa forma é uma coerção do Estado í  liberdade individual.   Estamos falando da formação do caráter das pessoas, da forma que as famí­lias encaram o sexo, a sexualidade, os tabus acerca do assunto e, afinal, iluminam a educação familiar de seus filhos no sentido de manter valores de caráter considerados naquele seio familiar como temas caros, imprescindí­veis, quase que premissas a serem consideradas, sendo elas radicalmente diferentes de outras ou não.   Trabalhar a formação sexual em escolas de forma completa, com certeza, entra na seara de assuntos totalmente í­ntimos. Portanto, falar sobre o assunto em sala de aula com as crianças da nação deve ser tema muito bem pensado, não podendo nunca o material didático vir a ser feito por segmentos radicais sociais.

Circula na internet um ví­deo feito por uma pastora de alguma igreja evangélica que denuncia atrocidades passadas em salas de aula em escolas brasileiras, mas especificamente em cidades do Estado de São Paulo e na região norte do paí­s.  No ví­deo, a religiosa denuncia ( e mostra o material das cartilhas) que escolas estariam ensinando alunos de 10, 11 e 12 anos a se masturbarem através de livros didáticos; estariam colocando a bissexualidade como uma coisa corriqueira. Enfim, uma cartilha estaria forçando que pequenos de famí­lias de todas as formaçíµes morais recebam de forma absoluta liçíµes de sexualidade consideradas em muitos segmentos sociais como promiscuidade. A denúncia inclusive estampa cartilhas com ensinamentos í s crianças e adolescentes de como usar drogas de forma segura. Droga de forma segura?

A democracia e o respeito í  individualidade e liberdade dos pares é o tema mais caro que qualquer sociedade deve considerar para que haja desenvolvimento da cidadania  e ao mesmo tempo haja paz. Naturalmente, como em qualquer ambiente, existem segmentos radicais de pensamento, em ambos os lados. Debater o tema e buscar uma via de acordo para a convivência das ideias divergentes é a única receita que dá certo. Isto não quer dizer que os militantes de causas radicalmente opostas tenham de ser desencorajados de lutar por aquilo que acreditam, de forma civil ou de forma religiosa. Mas introduzir em escolas públicas cartilhas que falam sobre sexo de forma agressiva e radical se trata de uma invasão total de liberdade dos seres serem o que querem. E a liberdade é sagrada, em qualquer lugar ou credo.

 


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