Doze estádios… ou oito mil escolas?

22 de junho de 2013

 

 

O belo (e caro) estádio Mané Garrincha, em Brasí­lia

 

A Copa das Confederaçíµes, que além do futebol é um evento teste para a realização do mundial de 2014, evidenciou a incoerência dos gastos do governo. Com filas em hospitais, falhas na educação e problemas de infraestrutura históricos, os investimentos do governo para os megaeventos esportivos tornaram-se um dos principais alvos dos protestos que levaram mais de 250 mil pessoas í s ruas na segunda-feira (17).

A realização da Copa do Mundo vai custar R$ 28 bilhíµes. Desse total, segundo o Portal da Transparência da Controladoria-Geral da União (CGU), R$ 8,9 bilhíµes estão previstos para mobilidade urbana, R$ 7 bilhíµes para aeroportos e R$ 2,2 bilhíµes para segurança pública, aplicaçíµes que deixariam legado, mas que estão custando a sair do papel. Apenas 12,7% dos recursos destinados a esses itens especí­ficos foram executados e menos da metade está contratado.

A construção dos 12 estádios, por sua vez, já tem 60% dos recursos executados e 96% contratados. Ao todo, R$ 7,1 bilhíµes estão orçados para os monumentos do futebol. O site contas abertas publicou um comparativo: com os recursos destinados í s arenas da Copa do Mundo de 2014, seria possí­vel construir 8 mil escolas para as séries iniciais do ensino fundamental ou adquirir 39 mil í´nibus escolares. Além disso, 28 mil quadras poliesportivas poderiam ser implementadas ou modernizadas para o esporte educacional.

Em outras comparaçíµes, os R$ 7,1 bilhíµes investidos nos estádios poderiam também ser utilizados para a construção de 2.842 km de trechos rodoviários, mais da metade da extensão da BR-116, a principal rodovia brasileira, passando por dez estados. O montante também pode ser equiparado a construção de 1.421 km de trechos ferroviários. Na área social, o valor aplicado nos templos do futebol equivale a aproximadamente 128 mil casas populares do programa Minha Casa, Minha Vida.

Para o secretário executivo do Ministério do Esporte, Luis Fernandes, "não há contradição entre os investimentos sociais e os investimentos que estamos fazendo para a Copa do Mundo. O representante do Ministério defendeu os recursos usados na competição porque entende que eles se revertem em desenvolvimento para o paí­s.   Fernandes até disse que também terão impacto em saúde e educação, áreas que os manifestantes reivindicam que tenha mais dinheiro, em detrimento da competição.

No entanto, para o especialista em gestão pública José Matias Pereira, em relação aos estádios, o Estado está desenvolvendo esforços para realizar um conjunto de obras que, reconhecidamente, não irão gerar efeitos positivos no funcionamento da economia. Realizar essas obras é como um cidadão que não tem o que comer comprar um iate ou uma casa de campo. Em termos de retorno para o paí­s, esses investimentos são baixí­ssimos. A população vai pagar algo pelo qual ela não foi consultada se queria, explica.

 

 


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