EDITORIAL – VAMOS TRABALHAR, ESTAMOS ATENTOS…

7 de julho de 2013

 

Após duas semanas de intensa mobilização dos brasileiros de todas as tribos na busca de melhorias em suas vidas ou na repugnância de muitas mazelas impregnadas na Coisa Pública nacional, parece que as ruas deram um tempo í s autoridades. O recado que se deduz é que a sociedade mobilizada está dando chance de descanso para que os governantes de todas as esferas de poder público trabalhem naquilo que acreditam ser o que o povo sente ao reclamar nas ruas, nas avenidas, nas estradas. As manifestaçíµes, de grandes, generalizadas, nacionais e sem uma exigência especí­fica, passaram a ser segmentadas e de demandas  pontuais. í‰ como se o consciente coletivo estivesse dando uma chance para que o governo mostre sua resposta de forma pragmática antes de sair í s ruas e pedir algo mais, ou de repetir as manifestaçíµes de repúdio generalizado.   Estamos, nós, a sociedade, de certa forma dando o intervalo entre o primeiro tempo do jogo para ver como vem o time na segunda etapa: quais as substituiçíµes, quais as novas táticas e, principalmente, se o time mostrará que pode virar o jogo. Mas a  sociedade busca uma virada de jogo, repita-se. Não vai se confortar com táticas de engodos ao torcedor.

O perfil das manifestaçíµes maiores, í quelas generalizadas, ilumina uma hipótese bastante provável do inconsciente coletivo de todas as classes e tribos dos brasileiros. Pode ser que o diagnóstico de nossa nação seja o resultado de uma máquina superada, rançosa, ineficiente e inchada, o que teria se transformado, afinal, a máquina estatal brasileira. Embora sejam os dirigentes desta máquina os responsáveis pelo emperramento da mesma, o diagnóstico pode ser mecânico ao invés de polí­tico. A máquina do Estado Brasileiro, em todas suas instâncias pode estar dando sinais de perigo de emperrar de vez. O recado nas ruas, que foi objetivo e mostrou garra e coragem do povo brasileiro, ao não ter claro uma intenção, pode estar dizendo que como está não dá, não dura, não anda, não serve. Trata-se de um motor prestes a explodir tal é seu emperramento. Tem que trocar tudo, reinventar o Brasil.

Já há mais de 16 anos, talvez até a 20 anos, fala-se das reformas estruturais que urgem para a nação. Reforma Polí­tica, Reforma Administrativa, Reforma do Judiciário, Reforma dos Códigos Penal e de Processo Penal… Fala-se muito, promete-se em palanques de campanhas polí­ticas espalhadas por todas as agremiaçíµes, repete-se em editoriais e artigos de pensadores em jornais, mas nada é feito… As matérias entram no Congresso Nacional e morrem na casca. Temos, então de nos perguntas: Quem tem o interesse que nada mude em uma máquina que se mostra antiquada, emperrada, inchada, gorda, doente? As corporaçíµes. Só pode ser as corporaçíµes do chamado estabelieshment que, nos bastidores, emperram que os polí­ticos levem adiante as reformas necessárias. Fazem polí­tica interna para emperrar a polí­tica cidadã.

Em uma cidade onde o trânsito não anda e urge que se troquem as sinaleiras e as placas de sinalização por soluçíµes que retirem justamente as sinaleiras, que se troquem sinalizaçíµes pontuais por soluçíµes mais modernas e ágeis, não serão os que venderam ou dependem das sinaleiras e das placas que trancam o trânsito da cidade que apoiarão a troca de uma situação para outra. Em um paí­s onde nada anda, tudo é emperrado, onde o cidadão depende de decisíµes do Estado para qualquer projeto de melhoria ou defesa pessoal, não serão as corporaçíµes que criaram estes verdadeiros labirintos jurí­dicos e administrativos que irão querer mudar. Estão em jogo muitas mamatas pessoais, salariais, corporativas, artificiais.

Com a saí­da do povo í s ruas pedindo mudança, o Congresso Nacional trabalhou aprovando projetos em uma semana que demoraria, em tempos anteriores aos manifestos, dois ou três anos para discutir e aprovar. Matérias polêmicas que sequer ameaçavam ir í  pauta foram aprovadas com a velocidade de raios. A presidenta Dilma veio í  TV e mais prometeu… mais uma vez. Mas ao menos prometeu algo que antes das manifestaçíµes sequer era agenda no Palácio do Planalto.

Falta o Judiciário e o MP mostrarem suas caras. Além de a sociedade cobrar que o Congresso Nacional continue neste ritmo de produção de decisíµes estratégicas, que a presidenta Dilma continue anunciando pacotes de mudanças radicais como o fez (e fazendo acontecer, é claro), precisamos que o pessoal do Judiciário e do Ministério Público mostre que não existem somente para usufruir das mordomias que a profissão pública, estável e de remuneração de marajás os oferece. Devem produzir pacotes de pressão para que a justiça seja feita no Brasil. Se forem necessárias mudanças de projetos, que pressionem o Congresso, pressionem o executivo.   Mas não é tentando se projetar politicamente no cenário nacional que o sistema judiciário, do MP e de outras corporaçíµes irão realizar o que as ruas pedem a eles. Queremos agilidade. Queremos, afinal, trabalho!  


Publicado em:







Veja Também





Links Patrocinados