OPINIíO – Democracia éisto!

7 de julho de 2013

 

Opinião – Fausto Araújo Santos JR

 

 

 

Está na mão dos vereadores, dos partidos dos vereadores, das bancadas representadas na Câmara Municipal, a decisão final sobre a compra ou rejeição da compra do prédio do ex-hotel Beira Mar para que nele funcione, de forma centralizada, a administração da prefeitura de Torres. A prefeita Ní­lvia já decidiu e convenceu seus pares de secretaria e partidos no executivo que é bom, que ela quer, e que o negócio está fechado se depender dela.

A Câmara é formada por treze vereadores. Sete são da chamada base de governo,  formada por três vereadores do PT; três do PP e um do PDT. A chamada oposição possui quatro vereadores do PMDB, um do PC do B e um do PTB. Então, seria sete contra seis, o que dá vitória para a compra do prédio, desejo do executivo. Somente se um vereador da base aliada der para trás, é que o negócio não sai.

Democracia é isto: as instituiçíµes funcionando e cumprindo seu papel.   O povo que não pensou muito antes de votar, agora terá o í´nus de aceitar í quilo que vem de onde o poder é legí­timo. Já o povo que votou consciente têm o direito e até certo dever de cobrar de seu vereador sua posição, mesmo que seja divergente. Aí­, na próxima eleição, que troque de vereador, ou que entenda a posição do dono de seu voto. Parlar e parlar… depois decidir. Olho na lance!

 

 Aposta convicta embora dissonante

 

A prefeita Ní­lvia e seu grupo de assessoria apostam que o resultado dos placares informais das redes sociais, que apontam para que a preferência do povo seja pela rejeição í  compra do prédio, seriam fruto de mobilização coordenada por grupos de oposição e de interesses divergentes aos da efetivação do negócio. Em reunião de entrevista coletiva de imprensa na última terça-feira (2), a prefeita afirmou isto publicamente e com convicção.

Uma enquete feita pela rádio Maristela está ficando aproximada a uma enquete feita pelo vereador Nego (PC do B) no Facebook ( divulgada pel™A FOLHA). São mais de 80% contra a compra do prédio, o que de certa forma dá mais chance de que a opinião seja uma real tendência e não somente fruto de mobilização. No Mural do Facebook da prefeita, vêem-se opiniíµes diversas, sobre outros assuntos. Vê-se, também, muita gente indo contra.   Mas Ní­lvia insiste em dizer que os que criticam são pessoas conhecidas, são pessoas mobilizadas trabalhando para que o negócio não saia.  

 

O certo, pra mim…

 

Minha opinião sobre a polêmica é simples. Quem foi eleita foi Ní­lvia & Brocca. São eles que têm a OBRIGAí‡íƒO de trabalhar buscando decidir os MELHORES caminhos (na opinião de sua administração) para Torres. O assunto virou tema público por opção da prefeita. Sempre, em qualquer situação, quando se pede opinião de uma coisa, temos no mí­nimo metade das pessoas de um lado. Muitas vezes, mais de metade acaba se rebelando, pois é difí­cil opinar sobre o que não se sabe.

A Câmara tem situação e oposição. O que se espera neste caso é que a oposição vá contra e que a situação vá a favor, já que é um tema administrativo e não polí­tico. Oposição é assim, sempre faria diferente. E espera-se que seis meses de governo não seja o suficiente para que a base aliada de Ní­lvia na câmara consiga derrubar um projeto considerado importante pelo seu governo (mesmo que você, ai da poltrona, não ache tão importante).

Chegou, portanto, a hora do confronto com a opinião pública. Nós vamos saber se a maioria do povo será a favor ou contra. E isto não quer dizer que a prefeita tenha de ir conforme o povo quer. Isto deve ser medido somente em 2016, na próxima eleição. Prefeitura responsável deve tomar a decisão que acha melhor para a cidade, para seu projeto. E o projeto de Ní­lvia & Brocca teve quase 70% de aceitação. Foram 13.011 votos e um eleitorado de 23 mil.

O certo, portanto e para mim, seria que a prefeita fizesse o que quisesse. Mas fazer o que quiser é, também e sempre, ouvir o que não  se gostaria de ouvir. E se quiser também recuar? Isto é democracia. Sempre têm os í´nus, mas sempre tem os Bí´nus de estar com o poder nas mãos.

 

James Bond… ou Ed Mort…

 

A prefeita na coletiva de imprensa também tirou todas as dúvidas sobre fofocas que estariam rolando í  boca pequena sobre interesses dinheiristas ou pessoais auferidos por membros de seu grupo por conta da compra do prédio do ex-hotel Beira Mar. Ní­lvia disse que em seu governo não existe corrupção, propina, etc… Ela explicou que isto é normal em processos polí­ticos. Sempre feitos pela oposição… E tem razão… Quando seu partido era oposição, muitas fofocas também apareceram.

Mas aí­ surgiu outra coisa. Suposição em cima de interesses de terceiros para que não saia o negócio. Ní­lvia disse que sua equipe está trabalhando com a hipótese de que esteja havendo um grupo, que seria interessado que o leilão fosse realizado no dia 8 de agosto, caso não saia o negócio da compra da prefeitura, que estaria utilizando a base da oposição para multiplicar seus interesses obscuros. Seria o caso de fofoca da situação que afirma que não é a oposição que está havendo ao governo; é sim outro interesse, como se fosse outra força, mesmo que oculta.

Bom: este é um trabalho para James Bond, o 007… Ou talvez para o Ed Mort, do L.F Verí­ssimo, e suas baratas de plantão. Eu fora!

 

 

 


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