Opinião – Fausto Araújo Santos JR
Está na mão dos vereadores, dos partidos dos vereadores, das bancadas representadas na Câmara Municipal, a decisão final sobre a compra ou rejeição da compra do prédio do ex-hotel Beira Mar para que nele funcione, de forma centralizada, a administração da prefeitura de Torres. A prefeita Nílvia já decidiu e convenceu seus pares de secretaria e partidos no executivo que é bom, que ela quer, e que o negócio está fechado se depender dela.
A Câmara é formada por treze vereadores. Sete são da chamada base de governo, formada por três vereadores do PT; três do PP e um do PDT. A chamada oposição possui quatro vereadores do PMDB, um do PC do B e um do PTB. Então, seria sete contra seis, o que dá vitória para a compra do prédio, desejo do executivo. Somente se um vereador da base aliada der para trás, é que o negócio não sai.
Democracia é isto: as instituiçíµes funcionando e cumprindo seu papel. O povo que não pensou muito antes de votar, agora terá o í´nus de aceitar í quilo que vem de onde o poder é legítimo. Já o povo que votou consciente têm o direito e até certo dever de cobrar de seu vereador sua posição, mesmo que seja divergente. Aí, na próxima eleição, que troque de vereador, ou que entenda a posição do dono de seu voto. Parlar e parlar… depois decidir. Olho na lance!
Aposta convicta embora dissonante
A prefeita Nílvia e seu grupo de assessoria apostam que o resultado dos placares informais das redes sociais, que apontam para que a preferência do povo seja pela rejeição í compra do prédio, seriam fruto de mobilização coordenada por grupos de oposição e de interesses divergentes aos da efetivação do negócio. Em reunião de entrevista coletiva de imprensa na última terça-feira (2), a prefeita afirmou isto publicamente e com convicção.
Uma enquete feita pela rádio Maristela está ficando aproximada a uma enquete feita pelo vereador Nego (PC do B) no Facebook ( divulgada pel™A FOLHA). São mais de 80% contra a compra do prédio, o que de certa forma dá mais chance de que a opinião seja uma real tendência e não somente fruto de mobilização. No Mural do Facebook da prefeita, vêem-se opiniíµes diversas, sobre outros assuntos. Vê-se, também, muita gente indo contra. Mas Nílvia insiste em dizer que os que criticam são pessoas conhecidas, são pessoas mobilizadas trabalhando para que o negócio não saia.
O certo, pra mim…
Minha opinião sobre a polêmica é simples. Quem foi eleita foi Nílvia & Brocca. São eles que têm a OBRIGAí‡íƒO de trabalhar buscando decidir os MELHORES caminhos (na opinião de sua administração) para Torres. O assunto virou tema público por opção da prefeita. Sempre, em qualquer situação, quando se pede opinião de uma coisa, temos no mínimo metade das pessoas de um lado. Muitas vezes, mais de metade acaba se rebelando, pois é difícil opinar sobre o que não se sabe.
A Câmara tem situação e oposição. O que se espera neste caso é que a oposição vá contra e que a situação vá a favor, já que é um tema administrativo e não político. Oposição é assim, sempre faria diferente. E espera-se que seis meses de governo não seja o suficiente para que a base aliada de Nílvia na câmara consiga derrubar um projeto considerado importante pelo seu governo (mesmo que você, ai da poltrona, não ache tão importante).
Chegou, portanto, a hora do confronto com a opinião pública. Nós vamos saber se a maioria do povo será a favor ou contra. E isto não quer dizer que a prefeita tenha de ir conforme o povo quer. Isto deve ser medido somente em 2016, na próxima eleição. Prefeitura responsável deve tomar a decisão que acha melhor para a cidade, para seu projeto. E o projeto de Nílvia & Brocca teve quase 70% de aceitação. Foram 13.011 votos e um eleitorado de 23 mil.
O certo, portanto e para mim, seria que a prefeita fizesse o que quisesse. Mas fazer o que quiser é, também e sempre, ouvir o que não se gostaria de ouvir. E se quiser também recuar? Isto é democracia. Sempre têm os í´nus, mas sempre tem os Bí´nus de estar com o poder nas mãos.
James Bond… ou Ed Mort…
A prefeita na coletiva de imprensa também tirou todas as dúvidas sobre fofocas que estariam rolando í boca pequena sobre interesses dinheiristas ou pessoais auferidos por membros de seu grupo por conta da compra do prédio do ex-hotel Beira Mar. Nílvia disse que em seu governo não existe corrupção, propina, etc… Ela explicou que isto é normal em processos políticos. Sempre feitos pela oposição… E tem razão… Quando seu partido era oposição, muitas fofocas também apareceram.
Mas aí surgiu outra coisa. Suposição em cima de interesses de terceiros para que não saia o negócio. Nílvia disse que sua equipe está trabalhando com a hipótese de que esteja havendo um grupo, que seria interessado que o leilão fosse realizado no dia 8 de agosto, caso não saia o negócio da compra da prefeitura, que estaria utilizando a base da oposição para multiplicar seus interesses obscuros. Seria o caso de fofoca da situação que afirma que não é a oposição que está havendo ao governo; é sim outro interesse, como se fosse outra força, mesmo que oculta.
Bom: este é um trabalho para James Bond, o 007… Ou talvez para o Ed Mort, do L.F Veríssimo, e suas baratas de plantão. Eu fora!


