As manifestaçíµes nas ruas do mês de junho, que continuam de forma mais pontual e corporativa em julho, deixaram claro que o Brasil precisa ser reinventado. O que o povo está dizendo e reclamando é que o processo de administração pública precisa mudar, seja porque o sistema político esteja superado e necessite de novo modelo, ou seja, porque o desenho da máquina pública esta emperrado nele mesmo. Mas os povos de todas as tribos têm pedido com provas cabais que quer uma mudança grande. í‰ como se o recado fosse de que é necessário derrubar o castelo e reconstruir outro, com um novo projeto e dentro de paradigmas modernos e azeitados.
O sistema político-administrativo da nação, que naturalmente é modelo para os Estados Federativos e modelo também para a maioria dos municípios, insistem em priorizar a contratação de pessoas e a estruturação de ministérios, secretarias, autarquias, empresas estatais, dentre outras, antes de projetar a necessidade dos serviços necessários e demandados pela sociedade. Parece que é mais importante montar o organograma e o fluxograma das coisas antes de definir o plano de ação real: o de prestar serviços e de investir em prol da manutenção e do desenvolvimento social e econí´mico do país, dos Estados e das cidades. A Coisa Pública, portanto, se tornou um grande departamento de recrutamento e seleção de pessoas, tanto para a carreira pública estável quanto para o contentamento e treinamento dos quadros de militantes partidários disponíveis para trabalhar em nome de uma causa, em nome de uma sigla, ou como pagamento de militâncias partidárias e pessoais das agremiaçíµes políticas. í‰ como se uma loja a ser instalada em qualquer lugar se preocupasse mais com as instalaçíµes, a remuneração dos donos e o aparelhamento dos diretores do que com a compra de estoque e o capital de giro necessário para funcionar. Com certeza, os clientes não ficariam nada satisfeitos em adentrar em uma loja luxuosa, cheia de gente bem vestida e arrumada o servindo, mas que não tem mercadoria suficiente para atender seu objetivo principal: o de atender as necessidades de seus consumidores com produtos de qualidade e preço justo. Neste caso, a falência do estabelecimento está fadada: basta o tempo deixar que a concorrência irá tratar de conquistar os clientes desta loja sem produtos para oferecer, ou não?
No caso da Coisa Pública o cliente é o povo, a sociedade, de todas as tribos, credos, cor, sexo e sexualidade. O que nós, brasileiros, cidadãos, moradores de cidades dentro de Estados Federativos queremos é serviço de Saúde, Segurança, Educação, Infraestrutura e acolhimento dos desprovidos de esperanças. Mas o Estado nos oferece 40 ministérios, várias empresas Estatais, várias autarquias, tudo isto de certa forma repetido nos Estados e nas cidades, tudo cheio de pompa, de mordomias, com servidores do alto escalão recebendo salários de marajás e milhíµes de pessoas formando verdadeiros exércitos de trabalhadores públicos, mas que não têm recursos para fazer o trabalho para qual foram contratados. Obviamente, como qualquer ser que se auto-protege, os donos de cargos políticos ou estáveis da administração pública não querem perder seus postos, não querem diminuir seus salários, não querem cortar na carne para atender a demanda do povo. E o resultado é este engessamento que vemos. Um país cheio de regalias para o setor político e para as cúpulas dos poderes, mas que por outro lado não tem dinheiro para executar justamente aquilo que estes mesmos servidores querem ou deveriam querer fazer: prestar serviços de qualidade í população. í‰ como a loja pomposa sem produtos para vender. A questão fica cí´mica para não de qualificar de trágica.
Um pensamento que embasa a metodologia dos chamados Planejamentos Estratégicos das empresas sugere o seguinte. Primeiro se define o que se quer fazer; depois de adapta a estrutura de trabalho í estratégia. Esta é a fórmula vencedora, a fórmula que já é cientificamente reconhecida nas academias. Mas no sistema político-administrativo brasileiro se faz o contrário. Adapta-se a estratégia í estrutura. Não pode dar certo. Para os políticos gestores brasileiros, o mais importante são os empregos e o número de departamentos que montam. Mais importante do que o próprio trabalho final. Triste isto…
Precisamos diminuir pela metade a estrutura pública. Pessoas, benefícios, estrutura física, tudo deveria ser reduzido í metade. Brasília não pode mais funcionar como a Ilha da Fantasia em um país cheio de miséria e com uma agenda enorme de ação em temas ainda básicos de infraestrutura, Saúde, Educação e Segurança. As ruas dizem isto. Em outras palavras, mas a maioria que lá estão reclamando quer isto: um novo Brasil, um novo modelo de gestão da Coisa Pública. A fórmula já existe. Basta aplicar.


