Ramonet: Indústria da comunicação representa 15% do PIB mundial

23 de julho de 2013

"Grandes jornais perdem inexoravelmente leitores no papel, mas não param de ganhá-los na web (43 milhíµes de internautas leem o New York Times); (porém) quando os sites dos grandes jornais passaram a ser pagos (como o Times), a visitação despencou (de 22 milhíµes para 200 mil). Este trecho faz parte da resenha do novo livro de Ignacio Ramonet, a ‘Explosão do Jornalismo’. O tema interessa a todos que enxergam na pluralidade da informação e no discernimento crí­tico que ela alimenta, a alma da democracia.

Ramonet, um intelectual engajado nos impasses da expressão polí­tica no século 21, analisa um fení´meno que a mí­dia dominante conhece bem no Brasil: o declí­nio do jornalismo impresso e a ausência de um modelo de negócio que reproduza as mesmas taxas de lucratividade “ e de hegemonia ideológica “ em suporte digital.

Em edição recente, a inglesa ˜The Economist™ chamou a atenção para a velocidade exponencial da taxa de conexão brasileira í  web. A metade dos lares do paí­s já está plugada na rede. "O Brasil é a segunda base mais importante do Facebook no mundo", destaca o autor.

 

Mí­dia Tradicional perplexa            

 

A mí­dia tradicional, segunda a revista conservadora, está perplexa diante de uma transição sem volta. Há muito dinheiro em jogo nessa travessia, explica Ramonet: a indústria da comunicação representa 15% do PIB mundial.

Não só dinheiro em espécie cabe dizer. Mas também a sua versão concentrada e ainda mais valiosa: o poder polí­tico que se embaralha nessa encruzilhada. í‰ sobretudo isso que a ˜Economist™ não atenta, e que adiciona especificidade e nitroglicerina ao caso brasileiro. "A ponto de a deriva de um setor empresarial tornar-se uma ameaça í  democracia do paí­s. Meia dúzia de corporaçíµes da mí­dia no Brasil pautam a vida polí­tica e tutelam a economia , como centuriíµes da riqueza acumulada e da autoridade corrente", frisa Ramonet.

A explosão do jornalismo, como diz Ramonet brincando com a ambiguidade, atinge o suporte convencional com tal impacto que desordena a escala e o conteúdo da linha de produção, borra o divisor entre emissor e receptor e dissolve o próprio conceito do que se emite: a informação. "Sua estratégia no Brasil visa recuperar, por todos os meios –todos– um pedaço do chão firme anterior. Como a tecnologia é a variável exógena da equação, a alternativa dos ‘liberais’ que dominam a mí­dia converge para a luta pelo controle do Estado", finaliza o autor. (com informaçíµes da Carta Maior e Brasil de Fato)


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