Aparentemente, as demandas de todas as tribos rebeldes das ruas nos últimos dias seriam resolvidas com um só ato, que depende, é claro, da reforma tributária. Se na reforma se invertesse a pirâmide de distribuição de recursos, parece que as coisas iriam se resolver. Se, ao contrário do que acontece hoje, as cidades do Brasil gerenciassem a maioria dos impostos, a população (que mora nas cidades) teria muito mais qualidade nos serviços públicos.
Arredondando, atualmente a matriz tributária brasileiro funciona direcionando 70% dos impostos recolhidos em todos os tributos (inclusive os municipais) para o governo Federal, em Brasília, gerenciar sua aplicação. 20% ficam para os Estados Federativos, incluindo nosso Rio Grande do Sul. E somente 10% ficam para os municípios. Se a reforma tributária iniciasse com a inversão desta matriz, a população poderia sentir e ver em sua janela a presença do Estado. Certamente não teríamos ruas esburacadas, estradas vicinais ainda de saibro, saúde precária por falta de recursos, educação desqualificada principalmente pelos baixos salários dos professores, segurança pífia, que atualmente promove a criminalidade como um negócio para os mal feitores, etc… Certamente alguns municípios poderiam, sim, trabalhar com passagens de í´nibus gratuitas gerenciadas pelos governos municipais ou ao menos pagas pelos governos das cidades, o que parece mais coerente.
As pessoas vivem nas cidades, nos municípios. í‰ nelas que o cidadão passa seu dia; trabalha, estuda, produz, busca melhorias; descansa; se diverte. Não é em Brasília que um simples vivente busca emprego & renda, muito menos busca atendimento de saúde, ou matricula seus filhos em escolas. í‰ também nos municípios, próximo dos que gerenciam os recursos públicos (o sistema político-administrativo) que as demandas locais podem ser mais bem requeridas pelos cidadãos, tanto através de meios formais (Câmara de Vereadores e Prefeitura), quanto por meios mais atuais e criativos – as manifestaçíµes nas ruas. Se os recursos estão aqui, nas cidades, fica muito mais coerente para os tomadores de decisão eleitos pelo povo, que acertem e errem na aplicação dos recursos. Se acertarem, serão reeleitos, serão aplaudidos; mas se erram terão a população próxima a eles exigindo mudança ou retrataçíµes, expondo o assunto nas cidades, trabalhando para mudar ou, o que pode acontecer, trocando de projeto político nas eleiçíµes vindouras.
A espécie de ilha da fantasia que se tornou o Planalto central certamente é causa desta incoerente distribuição dos recursos, recursos estes, nunca podemos esquecer, tirados do consumo e do trabalho dos brasileiros através de uma carga tributária que representa cinco meses de produção anual de cada um de nós, representando em torno de 40% do que produzimos e consumimos em nosso dia-a-dia. Baixar a carga tributária seria o caminho ideal, mas se a sociedade concorda em pagar este nível de imposto para que seja feito o caminho do desenvolvimento social e econí´mico do povo brasileiro, que seja, então, através da inversão da pirâmide tributária atual.
í‰ nas cidades que vivemos; é na cidade que devem, portanto, predominarem os recursos públicos recolhidos dos cidadãos. Imposto centralizado em Brasília só serve para fantasiar a mente de cidadãos e políticos, que imaginam que possa existir um jeito de viver vida faustosa paga com dinheiro público em uma nação que precisa de tudo, ainda, para se colocar no lugar de um país desenvolvido.


