Texto publicado nesta coluna na edição 366. – |Por Fausto Santos Jr.
Vou abrir aqui minha opinião sobre a polêmica da compra do prédio do ex-hotel Beira Mar pela prefeitura. Se eu tivesse que tomar uma decisão neste sentido, chamaria um empresário da construção civil de Torres bastante capitalizado (têm vários) e proporia para ele que fizesse a seguinte simulação. Construir na área do ex-ginásio municipal um prédio de mais ou menos quatro mil metros quadrados para abrigar a prefeitura, todo equipado com infraestrutura de internet, ar condicionado, luz, água, esgoto, banheiros etc… O empresário faria uma proposta de alugar por 5, 8 ou 10 anos para a municipalidade este imóvel. E descontaria no primeiro ano, no segundo, no terceiro, tudo conforme a planilha da proposta, o valor do terreno, que seria, então, de propriedade do empresário ao final do contrato.
Com isto a prefeitura não teria nenhum custo e entraria em um prédio novinho e adaptado í s necessidades ATUAIS. No início não pagaria aluguel por conta do desconto da aquisição do terreno pelo empresário empreendedor. Aí nossa sede da administração do executivo municipal estaria em um prédio que não seria necessária a manutenção (é obrigação do empresário) e teria tempo suficiente para organizar o Parque do Balonismo para ser construído lá um complexo de administração, que poderia incluir um local para a Câmara Municipal e outros serviços públicos além do parque para os balíµes. E o empresário teria em 10, 8, 5 anos, sei lá, de volta para si um prédio, que poderia ser locado para outros interessados. Sugiro que a obra seja em estilo ginásio, sem muitas paredes, o que dá espaço para movimentaçíµes com divisórias para a prefeitura e que dá abrangência de aproveitamento pelo empresário após o término da locação.
Outro dado importante a ser considerado é a tendência da diminuição da necessidade de pessoal trabalhando em escritórios dentro de administraçíµes públicas em geral. Portanto, projetar a COMPRA de prédio já não é muito inteligente neste contexto, quando daqui a poucos anos, pode ser que somente 400 servidores consigam realizar o trabalho interno na prefeitura de Torres por conta da tendência da automatização e informatização dos processos e métodos. E projetar a compra de prédio grande e cheio de andares e paredes, pior ainda…
E mais: um tipo de acordo destes com um empresário capitalizado poderia propiciar que a obra fosse feita em poucos meses. Ou seja, talvez daqui a um ano a prefeitura municipal já possa estar em outro endereço, sem ter de gastar com compra ou obras, somente com aluguel, e após alguns meses de carência, talvez anos de carência…
Igualdade burra?
Uma casa noturna que recebe até mil pessoas, í noite, em ambiente que todos bebem e estão se divertindo e descontraídos, portanto, aqui no Brasil é tratada pela lei de prevenção í incêndios com o mesmo rigor que uma pequena loja Boutique, que recebe í s vezes déz pessoas por dia, e aos poucos…
Uma loja pequena em Torres, que possui somente um funcionário, é regida pela MESMA LEI TRABALHISTA que uma fábrica que fatura bilhíµes e possui 10 mil funcionários.
Que igualdade burra esta… ou não? Não sei de onde o PT e seus aliados, assim como o PSDB em seus oito anos de poder no Brasil, não coram em se considerar partidos social-democratas, quando tratam um pequeno comércio, onde os donos se matam trabalhando para sobreviver (e não iram vender nas esquinas, fora de TODAS as leis, aí), como tratam as empresas com faturamentos e tamanhos milionários e que empregam exércitos.
Parece que faltam legislativos neste país. Faltam deputado e senador corajosos, que sugiram mudanças nestas verdadeiras mazelas sociais; faltam deputados estaduais que também tentem, ao menos no seu Estado, adaptar mais estas incongruentes leis; e faltam vereadores nas cidades que ataquem legislaçíµes mais específicas no assunto. Os bombeiros não têm culpa: eles cumprem o que está nas leis e obviamente exageram a favor da segurança, mesmo que em algumas vezes o resultado fique patético.
As prefeituras poderiam também liderar programas mais libertários para os microempresários. São as micro e pequenas empresas que levam os empregos, no pinga- pinga, mas são as que levam.
Para além do Mampituba
A microempresa no RS também não recebe carícia faz muito tempo. O Governo Federal aplicou o sistema tributário chamado de simples (que se simples não tem nada), mas ao menos não é necessário um contador PHD para fazer as escritas das pequenas empresas. E daí o RS complicou…
Atualmente só fica no RS micro e pequeno varejista que não tem como trocar de Estado. Para proteger a indústria, os varejos pagam 5% a mais. Morar em Santa Catarina já é sabidamente mais livre para os simples viventes. Lá, o Estado não fica batendo nas portas dos cidadãos cobrando imposto como em nosso RS. Mas ser empresário de pequeno porte fica quase patético no RS.
Se o Passo de Torres começar a receber de bandeja as pequenas empresas torrenses, não é de se alarmar. Inclusive, se eu fosse do Passo de Torres, colocaria esta idéia para a prefeitura de lá. São vários empregos gerados em Torres por empresários que pagam muito mais tributos e recebem de volta muito menos serviços.
Catacumba não, por favor!
Na audiência Pública que houve na quarta-feira passada (24) para dar chance que a comunidade desse sua opinião sobre a compra pela prefeitura do ex-hotel Beira Mar, um servidor da municipalidade utilizou o microfone para defender a compra do prédio em um discurso no mínimo excêntrico. Trabalho a 11 anos em uma Catacumba, disse o funcionário, que é concursado e estável.
Ta certo que ninguém espera que servidores não se aliem í compra do prédio. Principalmente í queles (maioria) que estão em seu trabalho para cumprir suas tarefas em troca de salário e estabilidade de emprego. Tem que ser muito altruísta para ir contra trabalhar em um prédio na beira da praia, com elevador e até piscina na cobertura. Egoísmo é uma virtude necessária para a sobrevivência, e somos egoístas de nascença. Egoísmo exagerado que é doença…
Mas chamar de CATACUMBA um bonito prédio, já parte da história da cidade, equipado com salas de janelas grandes e arejado é muito Marketing pro meu gosto. Não precisa se colocar um bode preto na sala para correr com a concorrência, basta argumentar. Mas com certa coerência…
PESO NAS COSTAS
O vereador Machado, presidente da Câmara deve, mais uma vez, ter de desempatar uma votação. E esta é polêmica… í‰ que as previsíµes do placar de votação para aprovar a compra do prédio devem ficar com seis votos a favor e seis votos contra.
Ou seja, vai ficar nas costa do presidente da casa a decisão final. Se Machado votar a favor da compra, ele vai carregar consigo este peso. í‰ claro que junto com os outros seis que votaram a favor. Mas é dele a decisão… eu diria… nos pênaltis.
Já se Machado votar contra a compra caso tenha que desempatar (o que é bem provável “ DESEMPATAR!) ele deve se incomodar dentro do PT. O partido é tradicional por não admitir que seus filiados saiam da linha em decisíµes de governo estratégicas. E a prefeita Nílvia e seu grupo estão, sim, colocando o assunto quase como vital.
Placar projetado pelo colunista e a opinião da coluna no item justificativa:
VEREADOR VOTO JUSTIFICATIVA
|
Ernando Elias (PP) |
A favor |
Defende o governo Nílvia |
|
Gisa Webber (PP) |
Contra |
Quer prédio novo previsto no Plano de Governo de Nílvia |
|
Fábio da Rosa (PP) |
Contra |
Deve justificar na votação |
|
Prof. Lú (PT) |
A favor |
Defende o PT sempre |
|
Davino (PT) |
A favor |
Líder e defensor do PT |
|
Jeferson (PTB) |
A favor |
PARTIDO – Ganhou Secretaria da Ação Social |
|
Nego (PC do B) |
A favor |
Promessa de Secretaria para o partido |
|
Dê Goulart |
A favor |
Partido vota com Nílvia
|
|
Alessandro (PMDB) |
Contra |
Vários argumentos derrubam argumentos da prefeita |
|
Marcos |
Contra |
Acha que existem outras prioridades |
|
Tubarão (PMDB) |
Contra |
Deve justificar no dia da votação |
|
Gimi |
Contra |
Deve justificar voto |
|
Machado (PT) |
Só vota de houver empate |
Não gostaria de desempatar e por isso é uma incógnita |


