EDITORIAL – PELO VOTO DISTRITAL

30 de julho de 2013

 

Estamos em pleno debate aberto das alternativas para a chamada e reclamada Reforma Polí­tica. Pessoas em geral engrossam o caldo do debate liderado por pensadores, cientistas polí­ticos e pela mí­dia. Editoriais espalhados pela nação posicionam opinião de grandes meios de comunicação sobre o tema, o que é saudável, pois, mesmo a mí­dia, que se coloca proficuamente em suas matérias de forma imparcial, tem o papel de opinar e colocar sua posição sobre os assuntos que envolvem a polí­tica, que definirão as decisíµes nacionais, Estaduais e municipais dos temas que refletem o ambiente coletivo dos indiví­duos.

Um dos itens em debate na mí­dia e nas redes sociais é a mudança, ou não, do peso do voto do cidadão. Atualmente este peso é relativo. Votamos em nome de um Estado Federativo e sua representatividade na polí­tica nacional. Não temos a chance de ter certeza que iremos colocar nas cadeiras dos poderes legislativos nacionais (Congresso Nacional) e Estaduais (Assembléia Legislativa) pessoas ligadas í  nossa região, í  nosso municí­pio, pessoas que defendam de forma visceral nossos interesses, os interesses do desenvolvimento social, polí­tico e econí´mico dos lugares onde vivemos o nosso dia-a-dia. í‰ que o sistema eleitoral não é Distrital. Ou seja: pessoas de outros lugares podem obter votos nossos, daqui de onde moramos.

A mazela que o sistema atual espraia pelo Brasil afora pode ser exemplificada pela entrada no poder central de expoentes nacionais e Estaduais que se destacam em suas vidas em atividades que são caracterizadas por serem muito distantes da cidadania, âmago da polí­tica. Um palhaço se elegeu em São Paulo e ainda levou outros caronas justamente por esta mazela polí­tico-institucional. Gente de todos os cantos daquele Estado votou em Tiririca, pois o sistema assim permitia. O voto pode ter sido uma declaração de força de certa rebeldia da sociedade ao sistema polí­tico. Mas se polí­tico eleito por este voto não recebesse votação de todos os distritos de São Paulo (regiíµes) ele teria a chance ainda de ser eleito, mas não roubaria votos de pessoas que nada tem a ver com a Capital, reduto de Tiririca. Esta mazela acontece e é amplamente utilizada para eleger ex-jogadores de futebol, colunistas sociais da elite, radialistas e comunicadores de TV, etc. A fama estadual e nacional conquistadas por atividades na maioria das vezes pouco ligadas ao que acontece na janela de nossas casas, no dia-a-dia, acaba sendo irradiada, e cidadãos incautos acabam votando em seus í­dolos, mesmo que eles sequer tenham colocado os pés onde moram, onde vivem, onde buscam empregos, onde educam seus filhos, onde recorrem ao sistema de Saúde quando doentes. E o que é pior, mesmo que em muitas vezes não tenham tido a experiência de trabalhar em comunidade, para o Coletivo, mesmo de um bairro.

Os que criticam o voto distrital alegando que pode existir uma tendência paroquial das decisíµes polí­ticas estão indo contra o princí­pio da democracia. Democracia é paroquialismo; democracia nasce do direito opinativo de cidadãos sobre o reflexo das decisíµes polí­ticas nos locais onde eles vivem, onde buscam crescer, se desenvolver. Os que insinuam sobre a teórica falta de capacidade que estes párocos polí­ticos teriam para decidir sobre temas nacionais como códigos penais, polí­tica internacional, economia internacional, dentre outros temas gerais, estão, mesmo sem querer, colocando a possibilidade maior de sermos uma ditadura, mesmo que disfarçada, pois a decisão central é o âmago da alma dos ditadores.

Cidadania vem de cidade. Na janela de nossas casas conseguimos claramente sentir se está bom ou se está ruim a representação popular polí­tica da nação. Se convivermos com um sistema bom, podemos naturalmente apoiar o que está estabelecido, seja por um ou outro partido ou ideologia que está no poder. Mas se achamos que a coisa não está boa, temos de ter a chance de nos sentirmos representados estadual e nacionalmente para que as mudanças aconteçam. E para isto deverí­amos ter a chance de conhecer melhor em quem iremos votar, para que, efetivamente, estas mudanças aconteçam. Com o voto distrital, basta nos informarmos na redondeza que sabemos logo logo quem é quem.

Assim como A FOLHA apóia a inversão da distribuição dos recursos dos impostos, transformando os municí­pios nos primos ricos do sistema, o inverso do que é hoje, pois somos o primo pobre, A FOLHA apóia, também, que a representação qualitativa dos polí­ticos eleitos nas cidades e regiíµes seja respeitada. E qualidade para a tomada de decisão está diretamente ligada ao real conhecimento. E o conhecimento só se tem no exercí­cio da cidadania. E cidadania nasce na cidade, nos bairros, nas regiíµes.

 


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