EDITORIAL – MEIA ENTRADA: MAIS UM IMPOSTO DISFARí‡ADO

10 de agosto de 2013

 

O governo brasileiro anunciou a nesta semana a implementação do Estatuto da Juventude. As medidas anunciadas serão válidas a partir de 2014. O projeto, que estabelece direitos para jovens entre 15 e 29 anos, garante a meia-entrada em eventos culturais e esportivos de todo o paí­s para jovens de baixa renda e estudantes. Até então, só havia meia-entrada para jovens estudantes e as regras eram determinadas por leis estaduais. Agora, a lei determina que todos os jovens estudantes e carentes do paí­s têm direito í  meia-entrada. Trata-se de mais um imposto, embora fantasiado de polí­tica pública de Estado.

O governo do Brasil, mesmo cobrando quase 40% de carga tributária da sociedade emitiu uma medida arbitrária obrigando que a mesma sociedade dê descontos. Com certeza, a população (incluindo os próprios jovens beneficiados) acabara pagando a conta através do natural repasse dos benefí­cios aos preços finais. Como nas passagens de transporte público, âmago das principais manifestaçíµes do paí­s em junho passado, o governo terceiriza para o sistema produtivo uma tarefa dele: a de oferecer subsí­dios í  população mais necessitadas. E a tendência é que os beneficiários saiam í s ruas reclamando dos preços no futuro, desta vez dos cinemas, dos teatros, dos ingressos em estádios de futebol, dentre outros setores incluí­dos na medida arbitrária do governo Dilma.

Há uma hipocrisia no ar. Os polí­ticos, como os chupins (ave silvestre), colocam seus ovos em ninhos alheios e esperam seus filhos nascerem depois de alimentados por outros animais. Para o povo do Brasil, a presidenta, o Congresso Nacional e os partidos aparecem como idealistas de um benefí­cio necessário aos jovens. Eles estão em fase de formação e, principalmente os pobres, não conseguem recursos para se movimentar, para o lazer, para a inclusão no mundo pensante (o das artes). Portanto, aparecem como idealistas bem intencionados. Mas o que não aparece é que a medida do governo está sendo feita com o dinheiro do sistema produtivo. A medida aparece na chamada grande mí­dia como se fosse o governo que estivesse dando o subsí­dio através dos cofres públicos, o que não o é. Quem entra com a responsabilidade de dar os descontos saudáveis aos jovens de baixa renda são os empreendedores do sistema de Cultura, Esporte, Lazer…

A cultura e o acesso í  arte sempre foi uma das maiores alavancas para que os cidadãos conquistem sua própria liberdade. Liberdade de pensar, de achar, de divergir, de sugerir. As manifestaçíµes artí­sticas são sí­nteses de ideais e traduzem o sentimento de classes sociais ou tribos de pensamentos crí­ticos, em uma linguagem mais moderna. Os empresários que operam o setor são escravos da chamada viabilidade econí´mica de seus empreendimentos. Precisam pagar as contas dos espaços alugados, dos artistas, da estrutura de segurança e operação dos shows e mostras, dentre outras obrigaçíµes naturais. E o mercado e as ofertas culturais estão em queda livre em todos os cantos do Brasil. Já não existem cinemas nas cidades do interior, muito menos teatros. O acesso í  arte fica restrito a projetos culturais patrocinados ou á nomes da hora, que realizam shows buscando massas de fãs. A expressão da arte na í­ntegra passa por sérios problemas; e a medida do governo somente aumentará a dificuldade de viabilizar que manifestaçíµes culturais sejam realizadas pela iniciativa privada no paí­s, sejam realizadas por pessoas livres, sem serem ligadas a favores estatais.

Portanto, o certo seria que o governo distribuí­sse ingressos aos jovens carentes pagos com o dinheiro dos cofres públicos. Com esta medida, o Brasil atacaria dois problemas ao mesmo tempo: incluiria os   jovens pobres ao mundo das artes  e fomentaria os empresários do setor, altamente necessitados atualmente. Mas não. O governo largou outro fardo nos ombros da sociedade. E mirou em setores que penam para sobreviver. E o pior de tudo isto é que os jovens incultos ainda acham que a meia entrada é medida governamental. O que não o é. Trata-se de uma medida arbitrária e um imposto disfarçado. Um lobo fantasiado de ovelhinha.    

 


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