Francisco Reis da Silva palestrou sobre educar para o turismo
O segundo eixo da Conferência Municipal foi educar para o turismo, e teve como palestrantes Vilma da Silva Aguiar e Francisco Reis da Silva. Representante do Conselho Municipal de Turismo, foi Vilma Aguiar quem começou falando, ao indicar que o primeiro passo para ter uma cidade educada para o turismo começa com uma autocrítica dos próprios cidadãos. Quantos de nós não conhecemos nossa cidade, não nos informamos sobre as coisas boas que acontecem em Torres? Temos também que aprender a respeitar nossa cidade, que ainda é suja, mal cuidada, as pessoas não tem vergonha em jogar lixo nas ruas. No verão, nos irritamos com o turista, queremos que ele vá embora só para que possamos voltar a ter nossa vaga de estacionamento garantida.
A representante do Conselho Municipal de Turismo sugeriu que a base para educação no turismo seja fundada em quatro pontos: Conhecer-se, valorizar-se, respeitar-se e comunicar-se. O morador de Torres tem que aprender a valorizar mais sua própria cidade, tentar cuidar e limpar sua própria calçada, saber informar í s pessoas de fora o que temos de bom. Esta conferência é um incentivo para a troca de ideias, e por mais que existam ideias conflitantes, os que estão aqui concordam com a importância do Turismo para o desenvolvimento de Torres. Deus foi generoso com nossa cidade ao nos abençoar com tantas belezas naturais, e temos o vínculo com o conceito de qualidade de vida. Agora, cabe a nós fazer o turismo acontecer a partir do que já temos.
Dando continuidade a conferência, o turismólogo Francisco Reis da Silva (popular Chiquinho) foi responsável por uma palestra enérgica e positiva, baseada na valorização dos muitos atrativos turísticos que temos, não apenas em Torres, mas também nos municípios vizinhos. A regionalização do turismo é um marco que temos que nos apegar, para fazer também com que o visitante queira estender sua estadia na cidade. Além disso, é relevante perguntar: que tipo de turista eu quero atrair? Temos que preparar-nos para os perfis mais específicos. A possibilidade, por exemplo, de buscar o Ecoturista (como em Cambará do Sul) ou o turista de Terceira Idade (que também gasta bastante). Nesse ponto, vemos a educação como ferramenta de qualificação do nosso pessoal.
A necessidade de qualificação
A importância de cursos voltados para profissionais vinculados ao trade turístico também foi destacada por Francisco, uma vez que os visitantes da era digital estão mais esclarecidos e exigentes, buscam por nichos específicos que atendam suas necessidades. Somos prestadores de serviços, e por isso temos que gostar do turismo, buscar tratar bem o visitante que chega e saber que, eventualmente, teremos que por até nosso lazer de lado para atender aos clientes.
O turismólogo também alfinetou a falta de qualificação profissional para bem atender ao turista estrangeiro. Com a Copa do Mundo chegando, e o provável benefício que este megaevento trará ao nosso turismo, temos que nos perguntar: Quantas pessoas em Torres dominam o inglês e o espanhol, quantos podem atender bem este turista? Pouca gente, eu diria, portanto é importante a qualificação na questão dos idiomas estrangeiros.
Concluindo, Francisco lembrou da relevância em valorizar os funcionários, pois um empregado bem tratado sente vontade de permanecer trabalhando na empresa. Ainda vale lembrar que a cortesia da população, como um todo, faz com que o turista se sinta bem recebido, para que ele depois queira voltar ou indicar a cidade para amigos e parentes. Gentileza, sorrisos e boa vontade para com o visitante são uma das chaves do sucesso de uma cidade turística, indicou Francisco.
|
Planejamento Urbano para o Turismo: identificando e trabalhando com as peculiaridades da cidade
A terceira palestra do dia foi ministrada pelo arquiteto e professor Efrain Brignol Quintana. Na agenda da Conferência Municipal do Turismo, indicava-se que o assunto tratado no terceiro eixo seria o ˜aparelhamento turístico e Infraestrutura para o bem receber™, mas o tópico abordado pelo arquiteto acabou sendo o Planejamento Urbano para o Turismo. Segundo Efrain Quintana, a atividade turística se baseia na diferenciação de espaços, na busca do visitante por lugares incomuns a sua realidade, direcionada pela vontade quase instintiva de ver coisas novas e diferentes. Cidades turísticas se diferenciam das demais por suas peculiaridades, características específicas que marcam sua identidade. E a formação de uma identidade para o município está no centro de toda a questão do desenvolvimento do turismo. E no planejar para o turismo, Efrain diz ser necessário um projeto espacial integrado com os vários setores da sociedade, que se qualifique através de um adequado planejamento urbano. Um projeto turístico é um projeto para o futuro, temos que enxergar além do que temos atualmente para haver um plano de ação. O caráter social também deve ser observado, sendo feito um mapeamento das características da população, pois a cidade turística conta com uma população permanente e outra flutuante. Por isso, a estrutura que atenda o turista deve permanecer durante o ano todo, para melhor servir também as necessidades da população, constata ele, lembrando ainda que o turismo, por si só, é uma atividade com base cultural, e que a cultura também é um produto consumido pelo turista de forma integrada com o ambiente do local. Durante sua apresentação, o arquiteto destacou quatro pontos a serem observados para desenhar um planejamento urbano de forma integrada com o turismo. O primeiro ponto é o de Análise/Diagnóstico, onde devem ser Identificados as características positivas e peculiaridades da cidade, levantando também os problemas e fragilidades da mesma. O poder público quem tem que gerir este trabalho de planejamento urbano, com participação de técnicos e consultorias capacitadas, consultando também a população. São aspectos a serem levantados para reconhecer a realidade onde se quer intervir, conhecer a identidade que vai balizar as açíµes que vêm a seguir, disse Efrain. O segundo ponto é a definição de Diretrizes Gerais, que indicarão caminhos e princípios do planejamento, pensando no desenvolvimento social, econí´mico, ambiental e espacial decorrentes ao projeto. Neste ponto, o plano de mobilidade, por exemplo, irá definir os direcionamentos em relação aos meios de transporte, decidindo se haverão, ou não, incentivos aos transportes alternativos (bicicletas, skates, etc). O terceiro ponto levantado por Efrain seria referente aos Projetos específicos, feitos por técnicos e especialistas, na busca por uma ação que impacte sobre a realidade existente na cidade, com objetivo de modificar, preservar, valorizar ou redefinir esta realidade. Trata-se de definir projetos para preservar o patrimí´nio histórico, projetos para instalação de equipamentos públicos (bancos, lixeiras, canteiros), desenho do mobiliário urbano, infraestrutura de transportes. Uma ideia que vêm ganhando destaque é a de realização de concurso público para projetos de obras públicas, onde o melhor projeto será escolhido por uma comissão especializada, a partir de um valor pré-estipulado. Finalizando o raciocínio, o quarto ponto é o da Implementação dos projetos planejados. E a correta execução das açíµes depende da qualidade, da precisão sobre o que se quer. Deve se primar também pela existência de uma comunicação visual, projetando os espaços de forma sustentável e harmoniosa, para que a cidade não seja como uma ˜colcha de retalho™, sem padronização estética. E imitar o estilo de outras cidades também não serve, pois Torres tem pontos que fazem com que ela seja única, importante para o turismo no RS e no Brasil. Portanto o projeto urbano da cidade tem que ser único também, finaliza o arquiteto Efrain Quintana.
|


