Por: Fausto Araújo Santos Júnior
A Secretária de Turismo do RS Abgail Pereira surpreende positivamente a cada vez que fala e mostra seu trabalho na pobre (de verbas) secretaria do Estado. Embora seja do PC do B, mostra vibração ao defender a iniciativa privada e a competitividade como a mola propulsora do desenvolvimento. Ou o PC do B do RS defende o que Marx defendia em sua tese e que nunca foi busca pelos países que implantaram o comunismo do Mundo, qual seja: que o poder vem do povo e que o povo é empreendedor e competitivo naturalmente; ou a secretária está mais para uma Neoliberal de carteirinha, o que defendo principalmente para quem trabalha no Turismo.
Em sua palestra na abertura da Conferência Municipal de Turismo aqui de Torres, Abgail mostrou o que deve ser efetivamente o papel público no trade do Turismo moderno: um agente que cuida de sua obrigação “ ruas, limpeza, infraestrutura coletiva, Segurança, sinalização, legislação e organização do espaço coletivo. E somente FOMENTA para que os empreendedores empreendam e compitam, sempre buscando como resultado o aumento da quantidade e da qualidade da presença do público-alvo da localidade, mas sempre em busca da satisfação do Turista.
A secretária, ainda, deu uma boa notícia para o horizonte dos Torrenses, alias, duas. A primeira é a de tentar transformar o nosso Festival de Balonismo em um APL (Arranjo Produtivo Local). Ou seja, tratar todas as atividades que podem usufruir de nosso evento sendo fomentadas. Por exemplo: a agricultura Ecológica da região; que sempre expíµem; a Agricultura tradicional de Torres e arredores como do arroz, banana, etc.; os prestadores de serviço de gastronomia, dentre outros setores que participam ativamente do festival seriam tratados de forma vertical, do início ao fim da cadeia de produção; e receberiam apoio e fomento estadual e federal para produzirem e mostrarem seu trabalho (e se venderem) no Balonismo. Com esta transformação, nosso tradicional festival pode se tornar em um evento Estadual e até Nacional, agora com este enfoque mais abrangente, sem retirar os Balíµes do centro das atençíµes.
A outra boa notícia dada pela competente secretária comunista, mas liberal na economia (pelo menos) foi da possibilidade de o corredor do Litoral Norte ser o próximo a ser tratados com verbas públicas pelo governo do RS. O primeiro, chamado de corredor POA “ Serra, já está usufruindo deste tratamento diferenciado.
Parabéns a secretária de Estado. Com certeza seria uma boa ministra do Turismo caso tenha chance para tal. Sua visão sobre o mercado é moderna e profissional.
Turismo Endógeno ou Exógeno?
Falando de Turismo e necessidade de se discutir uma identidade para Torres, assunto da Conferência de Turismo que aqui acontece, cabe lembrarmos que existem conceitos claros para a decisão já estudados em Escolas de mestrado e doutorado em Marketing para o setor.
Existem dois conceitos claros. E uma cidade deve optar por um deles, pelo menos por se localizar MAIS EM CIMA de um. Trata-se de dois pólos. O Turismo ENDí“GENO (Ou criativo, cultural, etc.) e o Turismo EXí“GENO. O Endógeno parte do princípio que a localidade vai de especializar em desenvolver a CULTURA LOCAL e os ATRIBUTOS NATURAIS como base do posicionamento no mercado. Já o EXí“GENO procura adaptar a cidade ou localidade turística í s necessidades generalizadas de qualquer viajante. Oferece infraestrutura básica, conforto, atendimento cordial e profissional e uma gama de serviços aberto, que ofereça várias alternativas ao turista, que faz com que o visitante se sinta ao mesmo tempo viajando, mas atendido por manias de conforto e urbanidade.
Um exemplo claro de Turismo ENDí“GENO de beira de praia poderia ser exemplificado na Ilha de Fernando de Noronha. Lá não existe nada estruturado para o turista se sentir em casa mesmo que esteja viajando. Ao contrário: as pessoas são obrigadas a se adaptar í rusticidade e o convívio direto e próximo a natureza.
Um exemplo de Turismo EXí“GENO de Beira de Praia poderia ser dado a Ilha de Florianópolis, ao Rio de Janeiro, í Camboriú. Nestes lugares o turista se sente próximo í natureza, ao mar, í busca de refresco e descanso, mas está seguro de saber que existe ao seu dispor um belo apartamento com ar condicionado, uma loja Mac Donald™s por perto, uma churrascaria de rodízio, etc.
Parece que Torres ainda pode buscar os dois conceitos. Mas em minha opinião estamos mais próximos de ter sucesso optando PELO EXí“GENO. í‰ que já temos muitos edifícios; possuímos diferenciais de estrutura urbana importantes, como a captação de esgoto, por exemplo; possuímos um razoável desenho de ruas; possuímos hotéis que podem atender turistas de todos os gostos. Se optássemos por ir mais para o lado endógeno, seria prudente fomentar mais pousadas rústicas. Se optarmos pelo lado exógeno, teríamos que fomentar mais hotéis estruturados e confortáveis.
Mas há de se colocar em um lado. Pelo menos mais para um e menos para o outro. Olho no lance!
Liberdade é o caminho… sempre!
O vereador Marcos (PMDB), na última sessão da Câmara, realizada na segunda-feira (19) reclamou e procurou agir junto a colegas da casa para que exista sempre no mínimo UMA FARMíCIA DE PLANTíƒO durante as madrugadas em Torres. Está correto. Casualmente senti na pele, na última madrugada de segunda, a necessidade de comprar um remédio para cólica de fígado. E acabei tendo de ir ao pronto socorro do Hospital Navegante para ser medicado, pois não consegui nenhuma farmácia aberta em Torres.
Sou sempre í favor da liberdade. Prefiro que deixe qualquer farmácia abrir de madrugada e DIZER isto em sua propaganda, do que tentar DIVIDIR o mercado e fazer rodízio. Sempre terão aqueles que não querem concorrência, querem somente eles abertos para viabilizar os custos, mas que não cumprem seus plantíµes. E aí o cidadão sofre. Tenho certeza que tem gente que abre sempre, desde que seja livre para isto.
Mas se houver a insistência de DIVIDIR MERCADO, que seja FISCALIZADO. Não é sério que em uma cidade de mais de 35 mil pessoas não exista uma farmácia aberta para emergências. Nem que seja no hospital… Uma idéia!
Utopia… mas que seja responsável!
A vereadora professora Lú, em sua participação na Tribuna da última sessão ordinária da Câmara Municipal refutou como disse a campanha das APAEs, que querem que não seja aprovada a lei que exige que as escolas públicas ACEITEM alunos com necessidades especiais que atualmente utilizam as APAEs. Os militantes da causa têm medo que as escolas especiais fechem por falta de apoio público, já que as escolas normais vão receber os alunos excepcionais.
Lú está certa em buscar uma abordagem mais progressista, onde pessoas especiais cresçam no meio de pessoas ditas normais. Teoricamente o ambiente é mais aberto e plural para o desenvolvimento dos especiais, pois terão exemplos de normais ao seu lado; e serve para as crianças normais aprenderem a conviver com seres iguais a elas, mas que possuem limitaçíµes físicas e psíquicas. Isto ajuda a trabalhar contra o preconceito, uma praga em qualquer sociedade.
Mas há de se avaliar se o sistema de ensino público no Brasil tem capacidade orçamentária para bancar profissionais que possam acolher esta inter-relação de pessoas que querem o direito a estar em um lugar plural, mas que pontualmente e de forma sistêmica irão precisar de tratamento ESPECIAL. Seria a realização de uma utopia… Se as escolas hoje não conseguem orçamento sequer para pagar o piso salarial posto em lei, não é responsável que se debite a elas a incumbência de tratar pessoas especiais em salas de aula.
í‰ mais fácil e coerente centralizar especificidades do que espalhar necessidades específicas por todas as escolas. Teríamos que ter APAEs dentro de escolas. E são milhíµes delas pelo Brasil. Talvez, se cada cidade tivesse UMA ou mais escolas (proporcionalmente ao tamanho), que abrisse esta possibilidade, o caso seria mais pé no chão. Mas fazer uma lei exigindo isto do sistema de ensino, acho irresponsável.
Sou a favor de manter o sistema atual. E que casos mais específicos sejam TENTADOS de forma especial através de mães que exijam que seus filhos sejam educados em escolas ditas normais, o que acho que é uma minoria. Mas, mesmo em minoria, devem ser ouvidas e respeitadas, mas e forma pontual, na minha modesta opinião.
Motosserra… mas com cuidado!
A prefeita Nílvia em sua fala na abertura da Conferência de Turismo de Torres na terça-feira (20) desabafou sobre o fato de enxergar diariamente a Igreja São Domingos sendo escondida pelas árvores da praça em frente í prefeitura. Ela disse que sugeriu para o secretário do Meio Ambiente de Torres Roger Maciel para que estude uma forma da prefeitura fazer compensação ambiental plantando árvores em outros lugares e de passar a motosserra nas casuarinas que dão sombra ao lugar, mas que, segundo a prefeita, escondem a bela igreja que já possui quase 200 anos e que é protagonista do centro histórico da cidade de Torres.
Acho que Nílvia tem certa razão em reclamar a dificuldade de moradores e turistas poderem apreciar da Rua Júlio de Castilhos a bela e histórica igreja que está sendo restaurada. Realmente ela seria vista de baixo como se estivesse em um palco para ser apreciada. Mas lembro que o ambiente mais conservador, onde árvores verdes e bancos são os enfeites de praças em torno de igrejas antigas não pode ser desconsiderado. Para retirar as árvores da praça-escada, há de se ter certo cuidado para não descaracterizar uma área de observação histórica, muito mais para um lugar arborizado do que humanizado.


