Embora o número de cidadãos participantes da 1 ª Conferência Municipal de Turismo de Torres não tenha superado algumas dezenas, estas pessoas presentes se mostraram bastante interessadas em participar do processo, na busca pela formação de um plano turístico a ser implementado em nossa cidade. Este interesse pode ser observado pelo grande número de perguntas, sugestíµes e proposiçíµes levantadas pela comunidade durante o evento, sendo que a maioria destas propostas foi incluída do documento oficial, gerado ao final da conferência.
í‰ verdade que houve confusão e reclamaçíµes na hora da votação das proposiçíµes a serem inclusas no documento, sendo que a metodologia de votação foi criticada, seja pela falta de coesão entre algumas proposiçíµes com seus eixos específicos, pela superficialidade de algumas questíµes profundamente abordadas (o conceito de Surf City, por exemplo) ou por demandas queridas que estariam ficando de fora do documento. Mas o espaço para moçíµes (que permitiu a inclusão e modificação das propostas elencadas) e a boa capacidade de sintetizar as proposiçíµes (graças a tranquilidade do secretário Carlos Souza e sua equipe) resultaram em um processo democrático, com pluralidade de vozes, onde todos que queriam podiam se manifestar.
Proposiçíµes, sugestíµes e democracia
Um dos mais assíduos participantes foi o advogado e engenheiro agrí´nomo Carlos Lange, que também é membro da FUNDEST (Fundação para o Desenvolvimento de Torres). Entre as proposiçíµes, Lange pediu que fosse coaprovado em plenário a vocação turística de Torres no âmbito institucional. E Sem desmerecer a proposta Torres Surf City (apresentado pelo Reitor da ULBRA, Luís Augusto Longo), mas sim querendo complementar o processo de identidade, acho relevante o fortalecimento de uma marca histórica já instituída em nosso município: o slogan ˜Torres, a mais bela praia gaúcha™. Trata-se de uma identidade que remete a nossa cultura gaúcha, tendo em vista também que há mais de 3 mil moradores da cidade envolvidos com os centros de tradiçíµes gaúchas (CTG™s), e que a expressão ˜gaúcho™ pode ser atrativo para os turistas do Uruguai e da Argentina, que também sentem-se inclusos nesta importante expressão cultural.
Ainda na questão Identidade de Torres, manifestou-se a publicitária Raquel, que sugeriu uma ampliação (ou revisão) do conceito Torres Surf City Podemos nos identificar com o tema do surf, mas também com o skate, a bicicleta, o meio ambiente. Vamos ter que comunicar as pessoas sobre este conceito, por isso podemos pensá-lo de outra forma, mais amplamente, não apenas focado no surfe. Raquel ainda propí´s uma maior valorização do parque da Itapeva no âmbito do turismo ambiental.
ídolo máximo do surfe gaúcho, o ex-atleta da elite mundial, Rodrigo Pedra Dornelles, também esteve presente e manifestou-se na Conferência, propondo o surfe e o esporte como meio de inclusão social. Já o presidente da associação Torrense de Skatistas, Diego Bauer, propí´s a construção de pistas de skate de qualidade, para fomentar também a vinda dos praticantes deste esporte para Torres.
O pessoal do artesanato de Torres também esteve presente em peso no evento, e foi inclusive responsável pela elaboração de brindes entregues aos participantes da Conferência. A pedida deles foi pela maior valorização do artesão produtor, uma vez que o artesanato é agregador de cultura e valorizador da história e das belezas naturais de nossa cidade.
Outra propostas de Carlos Lange, agora voltada para o eixo ˜educação para o turismo™, foi o da inserção de conteúdos programáticos, divididos por série, da disciplina do Turismo para a educação nas escolas. Ainda foi proposto que os alunos do município tenham mais saídas de campo com o intuito de conhecer os potenciais turísticos de Torres.
Na mesma área, a moradora da Prainha, Irene (também integrante da Associação dos Moradores da Prainha) fez um justo desabafo, pedindo banheiros públicos permanentes no local, que é um dos ˜points™ mais procurados pelos jovens e pelos turistas. Ela também sugeriu uma maior fiscalização quanto ao recolhimento de fezes dos cães, um problema de higiene pública generalizado na cidade. E o marido de Irene, Oscar, que também é integrante do Fundest, falou da falta de interesse público em relação ao trabalho da instituição, A Fundest é formada por pessoas que trabalham de graça em prol do turismo. Fizemos 49 propostas para que o Turismo funcione o ano inteiro na cidade, e nenhum dos 49 projetos foi abraçados pelo poder público. Quando um grupo faz sugestíµes para melhorar alguma coisa, seria dever da administração pública abraçar pelo menos algumas destas ideia. Agora a prefeita está interessada, e esperamos que este interesse permaneça para trabalhar em torno destes projetos, disse Oscar
A Vereadora Lu Fippian também se manifestou, dizendo que o Litoral Norte necessita do apoio do Prodetur, programa de desenvolvimento ao turismo da secretaria do Estado. Muitas pessoas aplaudiram quando foi apresentada a proposição sobre a correção da ciclovia e manutenção do estacionamento oblíquo na Praia Grande. A proposta de incentivos fiscais para empresas que fomentem o desenvolvimento do Turismo também foi documentada, bem como a eliminação da sazonalidade da economia de Torres, o marketing interno para mobilizar autoestima dos moradores e a realização de festival Gastroní´mico no Inverno.
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O Marketing para o Turismo
Finalizando a série de palestras, o quarto eixo da conferência era focado no ˜Marketing para o turismo™, e foi apresentado pelo gerente de eventos da Secretaria de Turismo de Torres, Claiton Bittencourt. Especialista na área, Claiton disse que marketing trata-se tentar fazer de ˜um limão uma limonada™, buscar a organização de boas ideias a partir de uma pesquisa de mercado, para então direcionar estas ideias a um foco específico. E como usar o Marketing no turismo? Claiton propí´s uma variação dos chamados ˜quatro P™s do marketing™ (preço, produto, praça e promoção), descrevendo os ˜oito P™s™ a serem analisados para a mercadologia do turismo. São eles:
1 “ Propósito: definição do tipo de turismo e suas necessidades (negócios, lazer, descanso, gastronomia) 2 “ Programação: Elaboração de roteiros, organização dos propósitos, definição de calendários sustentáveis que sem mantenham (exemplos: Balonismo no começo de maio, Festival Gastroní´mico em julho). 3 “ Possibilidades: apresentar ofertas abrangente, pois pequenos detalhes podem fazer a diferença. Tudo se torna uma possibilidade, desde que tenha um propósito e esteja na programação, disse Claiton 4 “ Percepção: Criação de um senso comum sobre o produto turístico. Focar na imagem e no investimento para seduzir o público 5 “ Peculiaridades: O que nós temos que os outros não tem (Exemplos: Guarita, casquinha de siri) 6 “ Promessas: expectativas de valor que o turista espera alcançar, seduzir o público, atrair com as qualidades 7 “ Papel: Claiton pensa no turismo como um conjunto de vivências, e diz que a cidade precisa estar preparada como um todo para bem receber o turista, primar pela simpatia, pela cortesia para conquistar o visitante 8 “ Premissa: Premiar e subsidiar nossos vendedores, utilizar os meios de comunicação para divulgação
Durante o espaço aberto para as perguntas, o vínculo de Torres com o Geoparque (relacionado com o projeto ˜Caminho dos Canions™, de Cambará do Sul e Itaimbézinho) foi citado como possibilidade de regionalização para o turismo, mas Claiton afirmou que ainda falta engajamento como um todo para que o projeto do Geoparque se espalhe, atraindo mais turistas também para nossa cidade. O gerente de eventos também ressaltou a importância da definição de um calendário de eventos com o máximo de antecipação possível, para que o turista possa informar-se e agendar-se da programação que acontece tanto no verão quanto no inverno. |


