Carlos Souza: " investimentos na área turí­stica devem ser tratados como questão de prioridade em Torres

2 de setembro de 2013

Na segunda-feira passada (26) o jornal A FOLHA entrevistou Carlos Sousa, que então estava prestes a entregar seu cargo na secretaria de turismo. Carlos disse que deixa a secretaria por motivos pessoais, sem qualquer desentendimento ou desavença, e defendeu que Torres continue sua caminhada na busca por uma identidade turí­stica a partir do investimento em infraestrutura e da auto-valorização do povo torrense.

 

 

1 –  Qual a motivação principal para você deixar a secretaria de turismo?

 CARLOS – Foram questíµes profissionais e particulares. Deixo a secretaria, mas a relação com a prefeita e com o projeto de governo continuam bem alinhados. Não houve qualquer desentendimento, continuo acreditando no projeto de governo e nas mudanças dessa atual gestão, acreditando que estamos num caminho certo para tornar Torres uma cidade mais desenvolvida. A prefeita e o partido gostariam, inclusive, que eu continuasse na secretaria, mas saio por uma questão de prioridade, para dedicar-me mais aos meus negócios particulares com a imobiliária (Delta Imóveis).

 

2)        Que aprendizado fica desta sua experiência a frente da pasta? E que legado pensa que deixastes?

 CARLOS – Foi um grande aprendizado, adquiri um olhar diferente sobre as responsabilidades e dificuldades da administração pública. Enquanto estive na secretaria houve também inovação, provamos que Torres pode mais. O balonismo, um evento já consolidado na cidade, foi reinventado a partir de uma maior  integração com a comunidade e participação de grandes apoiadores, como Banrisul, Corsan e Procergs e Governo do Estado. Apresentamos ainda, aproximadamente, 300 atividades esportivas e culturais, embora nosso comodismo (da população de Torres) faça com que essas atividades nem sempre sejam percebidas ou prestigiadas. Deixamos também reativado o conselho municipal de turismo e tivemos a uma Conferência produtiva para conhecer as demandas da área.

 

3)       Quais as expectativas em relação ao novo secretário, Ataualpa Lummertz?

 CARLOS – O Ataualpa é um empresário da cidade, uma pessoa com conhecimento cultural e desejos de participar, de contribuir com a administração municipal. Também foi presidente do Sindilojas e é o atual presidente do CDL, ou seja, tem tráfego e conhecimento do meio empresarial, e penso que reúne condiçíµes de ocupar a vaga aqui na secretaria.

 

4)        A previsão orçamentária para a pasta do turismo é suficiente na cidade?

 CARLOS – Nenhuma cidade do Litoral gaúcho recebe um fluxo de turistas tão grande quanto Torres, portanto investimentos na área turí­stica devem ser tratados como questão de prioridade em   nossa cidade, de preferência com um maior orçamento, mais recursos. Isto para que possamos por em prática algumas das ideias que planejamos na conferência municipal do turismo, onde a população também mostrou o desejo de ver Torres crescer na área.

 

5)        Quais os principais desafios para diminuir a sazonalidade de Torres?

 CARLOS – Muitas pessoas , quando pensam em Torres, lembram-se apenas do verão, época de sol, praia e mar. Porém, o turismo tem que ser o ano inteiro, e o desafio é fazer com que o consumidor do turismo lembre-se de nós também os meses de baixa temporada. Um grande festival gastroní´mico em julho, por exemplo, atrairia novos visitantes para a cidade.

 

6)        Os empresários do turismo, dos comércios, hotéis e restaurantes de Torres, estão articulados com as posiçíµes da prefeitura em relação ao turismo?

 CARLOS – O poder público tem seu papel no fortalecimento do conceito turí­stico, a partir da disponibilização de recursos para obra de infraestrutura, divulgação e criação de eventos que movimentem Torres. Mas a iniciativa privada também tem que abraçar esta ideia. Para transformar Torres numa cidade onde as pessoas queiram vir o ano inteiro, os donos de estabelecimentos comerciais, dos restaurantes e da rede hoteleira devem se mobilizar, buscar soluçíµes criativas e de civilidade. Isso vai desde cuidar de sua empresa e disponibilizar lixeiras até adotar canteiros ou participar dos processos de planejamento do turismo .

 

7)        Quais os obstáculos para integrar um turismo sustentável (voltado para a qualidade de vida, meio ambiente, meios alternativos de transporte) com o progresso econí´mico (grandes prédios, muitos carros, capitalismo ascendente)?

CARLOS – O turismo orientado para atividades sustentáveis é uma vocação quase natural de Torres, uma vez que as belezas nossas belezas naturais são um grande atrativo aos visitantes. Temos também o parque da Itapeva como um grande potencial turí­stico para a cidade, um espaço que, de forma consciente, pode ser diferencial no Turismo Ecológico. O incentivo í s atividades ao ar livre e a interação mais harmoniosa entre ciclistas e motoristas também são importantes nesse processo, mas não podemos simplesmente nos fechar para o desenvolvimento.

A construção civil cresceu e continua crescendo em Torres, novos prédios são construí­dos, novos estabelecimentos comerciais abrem. Mas este impulso na construção deve estar vinculado a obras bem pensadas, com uma arquitetura que valoriza a cidade e que tenha um impacto ambiental e urbano calculado. O caminho desenvolvimentista é uma realidade, que impulsiona a diminuição da sazonalidade, o progresso da população torrense também nos meses de baixa temporada. Cabe então encontrar um equilí­brio entre este desenvolvimento e as medidas ambientais, sustentáveis.

 

8)        Na Conferência Municipal do Turismo, tivemos a participação da população propondo demandas variadas. Quais as dificuldades para articular as demandas do poder público com as demandas da sociedade no turismo?

 CARLOS – A Conferência tinha um caráter propositivo, para que as pessoas pudessem opinar sobre alternativas e problemas relacionados ao turismo em Torres. Foi um evento importante para nós fazermos uma autocrí­tica em relação ao turismo, pensar que precisamos nos educar, nos aparelhar, divulgar nossas belezas e peculiaridades. Tivemos a coragem de debater e divergir, demos vozes para as pessoas se manifestarem, pois administração municipal quer ouvir os anseios da população. Achei particularmente interessante a proposta Torres Surf City, buscando vincular o municí­pio ao esporte e a qualidade de vida.  

 

9)      Que investimentos a prefeitura de Torres pode estar fazendo para equipar melhor a cidade, do ponto de vista turí­stico?

 CARLOS – í‰ importante pensar que, antes de haver investimento, é necessário um bom planejamento de como as coisas vão ser feitas. Estamos, por exemplo, com recursos da prefeitura para colocação de 700 lixeiras, mas ainda não definimos o tipo de lixeira. Estamos planejando para buscar um padrão, para que haja harmonia no aparelhamento turí­stico. O mesmo vale para os canteiros. Temos também a questão da Lagoa do Violão, que turisticamente deve ser melhor aproveitada. Estamos estudando a colocação de um deck de madeira por lá, bem como a iluminação da ponte.

Outras boas ideias a serem consideradas são a construção de banheiros fixos,   que poderiam, inclusive, se tornar um ponto turí­stico para a cidade, a partir da estilização de um bom projeto arquitetí´nico. O aparelhamento para as praças também é importante,com   iluminação, bancos, lixeiras e paisagismo. Porque não pensarmos em algumas praças temáticas? Uma praça ao surfista nos Molhes, por exemplo, homenageando os surfistas locais, com dados sobre a história do esporte, um espaço para produtos ligados ao surf.


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