VEREADORES TORRENSES QUEREM FATIA DA SOCIEDADE” NA PERMUTA ENTRE IGREJA CATí“LICA E EMPREENDEDORES IMOBILIíRIOS

21 de setembro de 2013

 

 

 

 Jovem padre Edson diz que vê ganhos para todos, mas que Igreja quer aprovação social.

 

 

 

 

 Esteve participando da Tribuna Popular da Câmara de Vereadores de Torres, realizada na segunda-feira (16) o pároco da Igreja Católica de Torres, Padre Edson. Ele apresentou publicamente, para todos os vereadores da casa e para o público presente na sessão, o projeto que poderá permutar a transformação da quadra do Salão Paroquial (incluindo o prédio onde funciona a Rádio Maristela e o terreno baldio de esquina alugado para parques no verão), por área construí­da a ser utilizada pela igreja em Torres.

Na exposição, mais uma vez o pároco explicou í s autoridades a necessidade do negócio para a modernização das instalaçíµes usufruí­das pela igreja, assim como pela necessidade do aumento da érea alugada pela igreja para balancear as finanças da paróquia. Ele lembrou que o empreendimento deverá, ainda, modernizar o centro do municí­pio através de edificaçíµes novas e modernas, gerar mais impostos para os cofres do municí­pio e ajudar os mais pobres da cidade, através do aumento da receita da Igreja. Mas o representante da igreja frente ao negócio deixou claro que a mitra e a paróquia fazem questão que a comunidade aprove a ação modernizadora.   Disse que se a comunidade optar por continuar com as coisas como estão, a igreja irá aceitar pacificamente, embora todos (da paróquia e da mitra) achem que seria importante para Torres, Igreja e finanças do municí­pio a concretização do empreendimento.

 

 Vereadores querem participação da municipalidade na permuta

 

Uma comissão de vereadores da Câmara Municipal está formada para discutir e depurar os dados da relação entre a prefeitura da cidade (histórica e atual) e a Igreja. Basicamente, o grupo irá desenhar juridicamente a relação entre os representantes públicos de Torres (í  época da doação dos terrenos) e a paróquia Católica da cidade. Os vereadores querem, também, debater se a sociedade local foi, é e será efetivamente beneficiada de alguma forma no convênio, expressado contratualmente em doação com cláusulas sociais e de solução de continuidade (venda e aluguel do espaço doado).

Mas os vereadores que pediram a palavra durante a exposição adiantaram que entendem que a Igreja (em contrato junto aos empreendedores) deveria repassar para a prefeitura de Torres alguma espécie de compensação social, seja em formato de área construí­da ou dinheiro; seja através da formatação de algum espaço de utilidade social para a comunidade. E as idéias foram várias, todas ouvidas atentamente pelo jovem padre Edson.

 

Fatia do bolo para a prefeitura ou para a sociedade civil

 

O vereador Gimi (PMDB) deixou claro que estranhou que o municí­pio não esteja recebendo nenhum percentual ou vantagem na negociação. O municí­pio não fica com nenhum percentual?, indagou. Mas ele também elogiou o projeto. Disse que acha importante que a obra seja realizada, mas salientou que a comissão da Câmara (da qual faz parte) sabe que em uma cláusula do contrato de doação, o texto não permite que a área seja vendida, alugada ou mude de objeto social.

O padre respondeu afirmando que é este o motivo principal da consulta pública e formal da igreja.   Sabemos que legalmente estamos dentro do combinado, pois sempre cuidamos muito bem da área e mantivemos os objetos sociais, diferente de outras várias áreas também doadas no municí­pio, que atualmente são totalmente privadas. Mas sabemos que moralmente precisamos da aprovação da sociedade. Só iremos fazer a obra com aprovação local, disse o padre

O vereador Dê Goulart, o Dê (PDT) sugeriu que lá poderia, inclusive, ter uma prefeitura nova. Acho que o municí­pio poderia ter um pedaço deste bolo, afirmou Dê.

A vereadora Gisa Webber (PP) sugeriu que a Igreja São Domingos (há anos em restauração), poderia receber aporte financeiro para terminar a obra de restauro como parte da negociação. Mas o Padre, embora tenha dado boas notí­cias sobre a obra da nossa Matriz (São Domingos), disse que para a mitra se tratam de coisas diferentes e separadas.

O vereador Davino (PT) afirmou em seus questionamentos que acha que o municí­pio tem que ter contrapartida. Não foram cumpridas muitas regras no contrato; temos de ter uma fatia, pois foi área doada pelo municí­pio com regras que não foram cumpridas, afirmou

Já o vereador Ernando Elias (PP) sugeriu que a Igreja aproveitasse o impasse que existe sobre o futuro dos Camelí´s de Torres, e que fizesse parte da negociação uma área para a categoria.

O vereador Marcos (PMDB) perguntou e aplaudiu de certa forma a projeção do aumento do recebimento de alugueis previstos com as novas obras por parte da Igreja. O padre respondeu que se projeta que a paróquia passe de R$ 6 mil mensais de receita hoje, para R$ 40 mil após a modernização e as novas salas.

A vereadora Professora Lú (PT) afirmou que representantes da comunidade católica teriam certo receio que este empreendimento fosse comprometer a atividade eclesiástica da igreja. E sugeriu, também, uma contrapartida para a sociedade.

O vereador Tubarão (PMDB) em seu questionamento fez algumas perguntas adicionais ao padre. Uma delas foi o que teria sido feito de uma área (onde havia a antena da rádio Maristela e que seria da Igreja). O padre não soube responder, pois o assunto era anterior í  sua vinda para Torres. Tubarão também sugeriu que a igreja pensasse em alguma contrapartida social para a cidade.

O vereador Jeferson (PTB) sugeriu que fossem construí­das creches no local (ou até em outros bairros “ em áreas da Igreja) como parte do negócio.

O vereador Nego (PC do B) afirmou com segurança que o negócio deve ir adiante como está. Ele vai gerar retorno de IPTU para a cidade, quando hoje a Igreja é isenta. O negócio deve ser feito, disse Nego.

Para encerrar, o vereador Machado, presidente da Câmara, perguntou o porquê de cair nas costas dos vereadores as análises e os encaminhamentos, já que a área é da igreja e foi doada pelo poder executivo. Padre Edson respondeu que é justamente porque a igreja quer dar transparência e buscar aprovação de toda a sociedade.

 

Três Torres edificadas. Prédio para hospedagem e moradia dos padres e visitantes

 

O projeto prevê a construção de três torres: duas residenciais e uma comercial, todas com lojas embaixo. A igreja ficaria, conforme tratativas avançadas com o empreendedor, proprietária de em torno de 20% de toda a área construí­da (a média é de 15% conforme o pároco). Teriam dois salíµes paroquiais novos, com tratamento acústico, que possibilitariam, conforme o pároco, que fossem realizados eventos simultaneamente (junto aos da Igreja) e evitariam as reclamaçíµes por ruí­dos í  noite, normais atualmente, pois o Salão atual não recebeu tratamento contra ruí­dos.

Faz parte da negociação (permuta), a construção pelos empreendedores de um prédio em frente ao hospital, ao lado da Igreja, com três pisos, para ser totalmente utilizado pela Igreja e suas atividades paralelas.   O prédio está projetado para abrigar lojas de vendas de artigos católicos (térreo), para a sala de acolhimento í s famí­lias chamada de Centro de Assistência Pastoral; para a casa de residência dos padres fixos; para salas (três) para utilização de programas sistêmicos como, por exemplo, a catequese, e disponí­vel para reuniíµes da sociedade e, no terceiro andar, seriam três pequenos apartamentos para abrigar os padres que vêm no verão, para cobrir a demanda do aumento de missas na cidade.

 


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