Por: Fausto Araújo Santos Júnior.
FALTA DE LIDERANí‡A OU DE COORDENAí‡íƒO?
O governo Nílvia sofreu sua segunda derrota na Câmara Municipal nesta semana passada. Obteve somente quatro votos quando da derrubada de um veto da prefeita, onde a teórica base aliada tem (ou teria) oito. Parece que acende uma luz amarela para quem coordena o processo político.
O PP está dividido em Torres; o PDT também; o próprio PT agora esboça certa divisão, pois haverá disputa pela presidência do partido. E aí surgem as mais variadas hipóteses como alternativas ao domínio do governo Nílvia na Câmara (e nas secretarias). Uma delas sugere até que o PMDB poderia estar sendo aliciado para entrar na base do governo, menos de um ano após enfrentar um pleito sendo a frente quase única de oposição ao projeto de Nílvia.
Parece que há uma notória falta de liderança no governo. Ou foi prometido aos partidos aliados muita coisa, e agora as promessas não estão sendo cumpridas, uma causa normal para gerar falta de liderança; ou o governo viu, na prática, ao administrar a cidade, o que não via antes de pegar o poder, e agora não consegue cumprir o que prometeu na campanha aos eleitores, uma causa GRAVE e também geradora de falta de liderança e unidade de comando; ou, como terceira hipótese, realmente o grupo que está coordenado a prefeitura está perdido, o que seria mais grave.
Em minha opinião um governo BOM não necessita sequer de maioria da Câmara: ele consegue até fazer a oposição votar a favor de projetos que IRíƒO FAZER BEM PARA A CIDADANIA. Mas quando um governo não consegue nem os votos da base aliada, a coisa fica mais complicada. Olho no lance!
Embate no PT
Parece que é forte a divisão OBJETIVA dentro do PT de Torres. Há uma ação que será debatida NA JUSTIí‡A sobre a possibilidade ou não de pessoas INADIMPLENTES com as contribuiçíµes ao partido poderem votar. Parece que o grupo que representa a SITUAí‡íƒO só consegue eleger seu candidato í presidência se houver possibilidade de inadimplentes votarem; se não houver, a OPOSIí‡íƒO interna do PT terá seu candidato (a) assumindo a liderança do partido em Torres.
Este tipo de embate é normal dentro do PT. Existem dentro do partido várias ALAS, chamadas de CORRENTES. Muitas delas, quase que opostas, só concordam em manter o partido NO PODER. No resto são quase que incompatíveis.
Como estamos prestes a entrar em um ANO ELEITORAL, onde ossos dos governos do Estado e Nacional também estão em jogo, o embate em Torres deve ir longe, e deve gerar MAIS PROBLEMAS de coordenação do GOVERNO MUNICIPAL, que, ao contrario do Estadual, está no PRIMEIRO ANO e necessita de UNIíƒO.
í‰ por isso que sou a favor da divisão diferenciada entre os pleitos. Eles deveriam ser divididos em PLEITO EXECUTIVO e PLEITO LEGISLATIVO, como funciona nos principais países desenvolvidos. Do jeito que é atualmente, a tendência serão sempre pessoas que estão ou serão políticos LEGISLATIVOS, misturarem seus projetos de poder com os interesses do EXECUTIVO. Aí a confusão é generalizada, como é hoje.
EMBATE NO PP
No PP de Torres, o embate é MUNICIPAL. Desde antes da eleição o partido já estava dividido entre a ala liderada pelo atual vice-prefeito Ildefonso Brocca e a outra ala, liderada por empresários e profissionais liberais do trade do Turismo e da Construção Civil do centro de Torres. Mas parece que a crise é maior ainda. í‰ que os vereadores Fábio da Rosa e Gisa Webber não se localizavam radicalmente em nenhuma das alas, mas estão VOTANDO CONTRA o governo Nílvia. Parece que o voto contra está sendo utilizado como certa VINGANí‡A í s atitudes de TODO O GOVERNO desde que assumiu, o que caracteriza uma oposição ao governo, e não embates de pólos do PP.
E também será importante a postura do partido a nível nacional e estadual perante sua relação com o PT. Tudo indica que o partido irá para a ala de Aí‰CIO NEVES para a eleição brasileira. Além disto, o projeto de ANA AMí‰LIA LEMOS, virtual candidata ao governo pelos progressistas é quase que opositor na base com o projeto atual, no RS, de Tarso Genro.
Portanto, o governo Nílvia e o PP da cidade devem ter mais este calo no sapato da coligação local. O PSB já estampa que quer ver TODOS seus filiados longe do PT, porque o projeto de EDUARDO CAMPOS projeta-se como de críticas fortes e FRONTAIS ao partido no poder, de Dilma em Brasília e Tarso no RS (outro problema para Nílvia, aqui em Torres). Mas o PP será o problema maior: pedras estaduais, nacionais e locais… em uma coligação entre duas grandes forças da cidade.
PMDB í‰ A CARA DA OPOSIí‡íƒO…
Não vai dar certo a tentativa de alguns políticos do PT e do PMDB (mesmo não sabendo eu localizar quais são) em aproximar as duas siglas em Torres. No Estado do RS e na cidade de Torres, atualmente são as frentes mais adversárias na BUSCA DO PODER. Pode até os dois partidos terem algumas VIZí•ES de políticas públicas similares (algumas), mas no front, a busca pelo espaço político é quase de INIMIGOS. Tanto é que o governo Nilvia se elegeu encima da DETERIORIZAí‡íƒO dos nomes do PMDB em Torres. Ajudado pelo PP (que também é adversário ferrenho do PMDB na cidade), fomentou na articulação para judicializar MUITOS eventos do governo João Alberto, e colocou o partido anterior do poder nas colunas policiais. Aí foi só correr para o abraço.
E parece que o PMDB deve pagar a dívida do embate com a MESMA MOEDA. Foram nomes fortes do PMDB de Torres colocados no ralo. Além disto, o vereador Alessandro e o vereador Marcos se colocaram desde janeiro deste ano claramente na TOTAL OPOSIí‡íƒO ao projeto vencedor do pleito (do governo da coligação PP, PT, PDT e outros – com a adição do PTB nos meses passados). Foram até votantes a favor de alguns projetos, mas o discurso e a atitude foram, sempre, de oposição, de defesa do governo anterior. Mesmo no início do governo os vereadores Gimi e Tubarão se posicionando de certa forma apoiando o governo novo (adversário), o PMDB não perdeu sua postura de OPOSIí‡íƒO FRONTAL.
E é por isso que não acredito que haja espaço para uma coligação entre PMDB e PT na cidade. Só se vier uma ordem expressa de cima, numa (improvável) aliança do partido aqui no Estado. No Brasil pode haver esta aliança, mas no Estado acho difícil. Aqui PMDB e PT são como Grêmio e Colorado.
Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa…
Voltando a dificuldade de apoio de vereadores ao governo Nílvia aqui em Torres, parece-me que os que se aliaram ao governo querem em troca uma espécie de cota pessoal para a decisão de prioridades pessoais e de ideais. Querem atender promessas feitas em época de campanha para vereança como se prefeitos fossem ser, mas não o são, nem nunca serão. São vereadores. E querem também dar uma de prefeito estrategista, fazendo pedidos de providência que mais parecem fragmentos de novos planos de governo.
Ora. Uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa, já dizia um dito popular. O erro inicia na campanha. Talvez para tentarem convencer seu eleitorado, muitos vereadores prometam o que não têm competência para seus eleitores, que após cobram, pois o brasileiro na média sequer sabe superficialmente a diferença entre o papel do LEGISLADOR e do EXECUTOR. E os vereadores não conseguem entregar o produto porque venderam gato por lebre. Pois e agora?
O vereador que apóia o projeto de governo deveria apoiar a maioria das decisíµes do mesmo. As exceçíµes deveriam ser somente í quelas que estavam FORA DO PLANO DE GOVERNO do qual se embasou para apoiar o projeto de poder. Ou, em exceçíµes maiores ainda, algum projeto de lei que vá contra princípios éticos e culturais pessoais, ligados í tabus de religiosidade, moral, dentre outros. Os outros (a maioria) deve ser APOIADO pelos membros da base do governo. Se não, é melhor reunir o partido e SAIR do governo.
Ser oposição de um governo na câmara de vereadores não obriga que se vote SEMPRE CONTRA. Ao contrário, muitos projetos de lei são bons para a cidade, independente de QUEM está a governando. Tem que se manter crítico AO PROJETO, somente isto.
Mas ser APOIADOR do governo de certa forma sugere APOIO IRRESTRITO í s decisíµes executivas. Idéias diferenciadas dos situacionistas devem ficar na órbita de projetos do legislativo, que venham a AGREGAR ao projeto de poder.
E o governo Nílvia está sofrendo uma espécie de crise de estrelismos dos vereadores de sua base, principalmente os do PP. Eles querem, antes de apoiar, que sejam apoiados. Daí invertem o sistema, pois quem ganhou a eleição foi o executivo e seus partidos.


