190 anos da imigração alemã no RS.

28 de julho de 2014

 

 

Por Paulo Timm

www.paulotimm.com.br  

 

   

Perdoem os leitores, mas há temas sobre os quais volto sempre. Um deles, um imperativo   para mim: a imigração alemã .

Há 190 anos,   39 colonos alemães chegavam, exangues , depois de penosa viagem transatlântica na qual muitos não resistiam,    í  Feitoria do Linho Cânhamo, onde hoje é São Leopoldo. Antes, Dom João VI já vinha estimulando a vinda de colonos europeus que viriam a se localizar entre a Bahia e Rio de Janeiro. Mas em 1824, teve   iní­cio a aventura da imigração teuta no   Sul do Brasil.   Pela importância do fato,   o dia 25 de julho ficou consagrado como Dia do Colono, (Lei N º 5.496, 05/09/1968 ). Contudo, o maior significado da data não está no fato em si da chegada de colonos livres em solo brasileiro, mas   de que este seria um marco do fim da escravidão no Brasil. Contribuiria, também, sobremaneira para a personalização   mui peculiar da sociedade riograndense, marcada pela pequena propriedade familiar, pelo artesanato que viria a dar origem í  indústria doméstica, pelo estí­mulo í s letras e í  música, como frisa Angelita Kasper em sua pesquisa (http://angelitakasper.blogspot.com/).

 Depois desta leva de alemães para o Rio Grande do Sul,   que logo se alastrou de São Leopoldo para Torres (S.Pedro de Alcântara e Três Forquilhas-1826) e daí­ para outras cidades e paí­ses, mais de 50 milhíµes de europeus pobres seriam expatriados, entre 1824 e 1924.   Isto está contado em várias épicos da literatura e do cinema, merecendo destaque o já quase esquecido América, América, do diretor Elia Kazan e o magní­fico nacional O Quatrilho,  de Fábio Barreto,  uma saga dos italianos aqui no Estado. No Brasil, tivemos a oportunidade de perceber   este processo graças a algumas novelas e séries, algumas memoráveis, da Rede Globo, tanto sobre a imigração italiana, como japonesa. Falta-nos, ainda, uma grande obra de ficção, de alcance nacional,   sobre os alemães. Merece destaque o romance de Rui Nedel Te arranca alemão batata, Ed. Tchê, e A ferro e fogo: tempo de solidão  e  A ferro e fogo: tempo de guerra,  de Josué Guimarães L&PM Ed. –  

Os nomes destes primeiros colonos alemães ficaram registrados nos Livros da época e permanecerão inscritos na memória de seus descendentes, hoje plenamente   integrados na sociedade riograndense :

 

A primeira leva de imigrantes era formada pelas seguintes pessoas, num total de 39: Miguel Krí¤me e esposa Margarida (católicos). João Frederico Hí¶pper, esposa Anna Margarida, filhos Anna Maria, Christóvão, João Ludovico (evangélicos). Paulo Hammel, esposa Maria Teresa, filhos Carlos e Antí´nio (católicos). João Henrique Otto Pfingsten, esposa Catarina, filhos Carolina, Dorothea, Frederico, Catarina, Maria (evangélicos). João Christiano Rust (Bust?), esposa Joana Margarida, filha Joana e Luiza (evangélicos).  Henrique Timm, esposa  Margarida Ana, filhos João Henrique, Ana Catarina, Catarina Margarida, Jorge e Jacob (evangélicos). Augusto Timm, esposa Catarina, filhos Christóvão e João (evangélicos). Gaspar Henrique Bentzen, cuja esposa morreu na viagem, um parente, Frederico Gross; o filho João Henrique (evangélicos). João Henrique Jaacks, esposa Catarina, filhos João Henrique e João Joaquim (evangélicos). Essas 39 pessoas, seis católicos e 33 evangélicos, são as fundadoras de São Leopoldo, nome e lugar então inexistentes, porque tudo se resumia í  Feitoria do Linho-Cânhamo.

 

             (Telmo Lauro Mí¼ller- UM MARCO NA HISTí“RIA GAíšCHA)

 

Eu tenho a honra de ser o sexto na descendência de Heinrich Timm.

Este pequeno grupo, ao qual se seguiram outros, para outras partes do mundo, drenando a região alemã de cerca de 250 mil homens, venceu os obstáculos e se impí´s como uma nova realidade no Rio Grande do Sul e Santa Catarina.   A Alemanha de Hitler até sonhou em fazer destes núcleos um ponto de apoio do III Reich, o que levou o Presidente  Getúlio Vargas, em1939, a proibir  o funcionamento das Escolas alemãs e circulação de jornais entre os colonos. Finda a guerra, porém, restabeleceu-se a concórdia, mas se perdeu o fio da meada de um rico patrimí´nio literário teuto-brasileiro, só acessí­vel em raros trabalhos acadêmicos como A Literatura da imigração alemã e a imagem do Brasil da  Prof. Dra Valburga Huber “ F. Letras/UFRJ-http://www.letras.ufrj.br/liedh/media/docs/art_valb2.pdf  .

Mas foi de tal ordem o impacto da imigração alemã, seguida mais tarde da vinda de italianos, poloneses e outros que se pode dizer que a história do Rio Grande do se divide em dois perí­odos: antes e depois de 1824, marco da imigração. Aleluia!

 


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