OPINIíO – dois pesos, duas medidas?

31 de julho de 2014

Por: Fausto Araújo Santos Junior  

 

 

DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS?

 

Os promotores do Ministério Público do RS – e os do MP de Torres “ têm utilizado o preço médio de mercado para processar polí­ticos por improbidade administrativa, por superfaturamento, por corrupção… Aqui em Torres ficou famosa uma ação do MP – contra a antiga administração – que sugeria que o preço de um show no mercado seria muito mais barato que o cobrado… Nomes de polí­ticos foram colocados na mí­dia como se fossem corruptos   num ano de eleição municipal. E os processados vão ter de ficar – agora – cinco ou mais anos esperando que os processos se resolvam na justiça, além de perderem a eleição… Os nomes? Bastante fragilizados na polí­tica. í‰ isto… Faz parte do jogo, ou não?

Depois deste caso estampado no blog do MP e reproduzido nos jornais (que têm dever de noticiar e respeitar açíµes do MP) houve – também aqui em Torres, perante outro caso similar, certa analogia da própria sociedade questionando o próprio MP ou, então, questionando a prefeitura atual… í‰ que a atual administração também teria contratado uma banda por valores bem acima do mercado… Isto estampado publicamente com documentos, na Câmara e nas redes sociais.  O MP não representou a atual prefeitura por isto, mas a sociedade alertou, talvez baseada no próprio exemplo do MP, que processou – e ainda processa – pessoas da antiga administração por este abuso de preço.

Pois agora o próprio MP de Torres está realizando uma reforma em seu prédio, aqui na cidade, onde o preço do metro quadrado da REFORMA está em R$ 2 mil. O CUB “ Custo Unitário do metro quadrado para a CONSTRUí‡íƒO no RS –  gira num espaço que vai de R$ 600 a R$ em torno de R$ 1,5 mil. Tem muita gente que constrói por muito menos que isto, mas a média máxima é de R$ 1,5 mil, pois entram prédios de luxo neste cálculo. Será que está certo este preço da obra do MP local?  Os R$ 2 mil por metro quadrado para REFORMA estariam estampando os valores certos? O que diria o Tribunal de Contas e o próprio MP se este preço fosse em uma construção de um prédio público de uma prefeitura? Será que o MP não iria representar contra o prefeito? E o TCE do RS, o que diz? O TCE fiscaliza o MP? E o MPF (Ministério Público Federal) fiscaliza o MPE (Ministério Público Estadual)?

São perguntas que devem ser respondidas… A FOLHA viu tudo isto no site do Ministério Público do RS. São várias reformas em todo o Estado. Mas nenhuma acusa este custo médio – de R$ 2 mil o metro quadrado de REFORMA. Ou tem algum problema e a sociedade está pagando mais caro do que custa efetivamente a reforma do prédio aqui em Torres, ou o prédio do MP de Torres terá ní­vel de construção de hotel de seis estrelas. Olho no lance! Nós estamos de olho.

 

PP de Torres em crise? Pelo menos de identidade…

 

Acho que a situação dentro do PP (Partido Progressista de Torres) está no mí­nimo confusa. Parece a guerra na faixa de Gaza… í‰ que na semana passada, uma nota assinada pela presidência do partido e divulgada no jornal dizia que o pessoal estava pelo menos conformado. Que a coligação com o atual governo de Torres estava sólida, e que o partido trabalhava em conjunto por objetivos ou ao menos caminhos similares. Mas parece que não é isto que esta acontecendo, pelo menos para um grupo de pessoas dentro da tradicional agremiação torrense.

Nesta edição do jornal, um grupo de seis pessoas influentes dentro da sigla responde í  nota da semana passada, de certa forma negando esta pretensa trégua de crises de pontos de vistas dentro do PP. A nota – pública e assinada – afirma que seu conteúdo traduz um grande contingente de pessoas, dentro do diretório e no grupo grande “ dos filiados do PP e das famí­lias destes. Além disto, este mesmo grupo diz  na matéria pública que não está satisfeito com a coligação do partido no governo Ní­lvia; reclama dos dirigentes lí­deres da sigla; e afirma, afinal, que decisíµes estão sendo tomadas de forma fechada, sem consulta aos membros do diretório.

O partido tem presidente eleito, vice e outros dirigentes. Portanto é legí­timo, legalizado. Mas fica claro que a agremiação está em crise interna; se não, não estariam os dirigentes debatendo pontos de vista em nota de jornal. Parece-me que outra eleição dentro do partido seria a forma mais democrática de resolver isto. Já houve conflitos dentro do PP antes da eleição de 2012, mas o grupo que queria mudanças acabou perdendo para o grupo que queria manter a situação.  Portanto, nesta hora, não seria saudável, então, que todos os membros do partido se despissem de vantagens do estabelecido e que ouvissem as bases?

O PP de Torres possui uma situação complicada até na Câmara. Justamente por esta  interna falta de consenso ou, no mí­nimo, certa falta de tolerâncias í s diferenças, os dois vereadores da sigla optam por votar de forma individual, pois não sentem confiança no que a cúpula do PP indica para que seja feito.

A própria coligação com o governo Ní­lvia sofre com isto. Um vereador já saiu do PP e fundou outra sigla; a prefeita teve de buscar o PTB e o PC do B para substituir os dois votos do PP na casa. í‰ que os vereadores Gisa e Fábio votam, na maioria das vezes, com a parte do partido que não está no poder. Estão, portanto, transparecendo – no voto – a discordância do PP com a coligação e com os rumos do governo. Fábio – há duas semanas – mudou de opinião e parece que se uniu com os pepistas que estão no poder, com mandatos no partido e com mandato na prefeitura (no caso do vice, Ildefonso Brocca). Mas a situação está longe de estar resolvida.

 


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