Por: Fausto Araújo Santos Junior
DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS?
Os promotores do Ministério Público do RS – e os do MP de Torres “ têm utilizado o preço médio de mercado para processar políticos por improbidade administrativa, por superfaturamento, por corrupção… Aqui em Torres ficou famosa uma ação do MP – contra a antiga administração – que sugeria que o preço de um show no mercado seria muito mais barato que o cobrado… Nomes de políticos foram colocados na mídia como se fossem corruptos num ano de eleição municipal. E os processados vão ter de ficar – agora – cinco ou mais anos esperando que os processos se resolvam na justiça, além de perderem a eleição… Os nomes? Bastante fragilizados na política. í‰ isto… Faz parte do jogo, ou não?
Depois deste caso estampado no blog do MP e reproduzido nos jornais (que têm dever de noticiar e respeitar açíµes do MP) houve – também aqui em Torres, perante outro caso similar, certa analogia da própria sociedade questionando o próprio MP ou, então, questionando a prefeitura atual… í‰ que a atual administração também teria contratado uma banda por valores bem acima do mercado… Isto estampado publicamente com documentos, na Câmara e nas redes sociais. O MP não representou a atual prefeitura por isto, mas a sociedade alertou, talvez baseada no próprio exemplo do MP, que processou – e ainda processa – pessoas da antiga administração por este abuso de preço.
Pois agora o próprio MP de Torres está realizando uma reforma em seu prédio, aqui na cidade, onde o preço do metro quadrado da REFORMA está em R$ 2 mil. O CUB “ Custo Unitário do metro quadrado para a CONSTRUí‡íƒO no RS – gira num espaço que vai de R$ 600 a R$ em torno de R$ 1,5 mil. Tem muita gente que constrói por muito menos que isto, mas a média máxima é de R$ 1,5 mil, pois entram prédios de luxo neste cálculo. Será que está certo este preço da obra do MP local? Os R$ 2 mil por metro quadrado para REFORMA estariam estampando os valores certos? O que diria o Tribunal de Contas e o próprio MP se este preço fosse em uma construção de um prédio público de uma prefeitura? Será que o MP não iria representar contra o prefeito? E o TCE do RS, o que diz? O TCE fiscaliza o MP? E o MPF (Ministério Público Federal) fiscaliza o MPE (Ministério Público Estadual)?
São perguntas que devem ser respondidas… A FOLHA viu tudo isto no site do Ministério Público do RS. São várias reformas em todo o Estado. Mas nenhuma acusa este custo médio – de R$ 2 mil o metro quadrado de REFORMA. Ou tem algum problema e a sociedade está pagando mais caro do que custa efetivamente a reforma do prédio aqui em Torres, ou o prédio do MP de Torres terá nível de construção de hotel de seis estrelas. Olho no lance! Nós estamos de olho.
PP de Torres em crise? Pelo menos de identidade…
Acho que a situação dentro do PP (Partido Progressista de Torres) está no mínimo confusa. Parece a guerra na faixa de Gaza… í‰ que na semana passada, uma nota assinada pela presidência do partido e divulgada no jornal dizia que o pessoal estava pelo menos conformado. Que a coligação com o atual governo de Torres estava sólida, e que o partido trabalhava em conjunto por objetivos ou ao menos caminhos similares. Mas parece que não é isto que esta acontecendo, pelo menos para um grupo de pessoas dentro da tradicional agremiação torrense.
Nesta edição do jornal, um grupo de seis pessoas influentes dentro da sigla responde í nota da semana passada, de certa forma negando esta pretensa trégua de crises de pontos de vistas dentro do PP. A nota – pública e assinada – afirma que seu conteúdo traduz um grande contingente de pessoas, dentro do diretório e no grupo grande “ dos filiados do PP e das famílias destes. Além disto, este mesmo grupo diz na matéria pública que não está satisfeito com a coligação do partido no governo Nílvia; reclama dos dirigentes líderes da sigla; e afirma, afinal, que decisíµes estão sendo tomadas de forma fechada, sem consulta aos membros do diretório.
O partido tem presidente eleito, vice e outros dirigentes. Portanto é legítimo, legalizado. Mas fica claro que a agremiação está em crise interna; se não, não estariam os dirigentes debatendo pontos de vista em nota de jornal. Parece-me que outra eleição dentro do partido seria a forma mais democrática de resolver isto. Já houve conflitos dentro do PP antes da eleição de 2012, mas o grupo que queria mudanças acabou perdendo para o grupo que queria manter a situação. Portanto, nesta hora, não seria saudável, então, que todos os membros do partido se despissem de vantagens do estabelecido e que ouvissem as bases?
O PP de Torres possui uma situação complicada até na Câmara. Justamente por esta interna falta de consenso ou, no mínimo, certa falta de tolerâncias í s diferenças, os dois vereadores da sigla optam por votar de forma individual, pois não sentem confiança no que a cúpula do PP indica para que seja feito.
A própria coligação com o governo Nílvia sofre com isto. Um vereador já saiu do PP e fundou outra sigla; a prefeita teve de buscar o PTB e o PC do B para substituir os dois votos do PP na casa. í‰ que os vereadores Gisa e Fábio votam, na maioria das vezes, com a parte do partido que não está no poder. Estão, portanto, transparecendo – no voto – a discordância do PP com a coligação e com os rumos do governo. Fábio – há duas semanas – mudou de opinião e parece que se uniu com os pepistas que estão no poder, com mandatos no partido e com mandato na prefeitura (no caso do vice, Ildefonso Brocca). Mas a situação está longe de estar resolvida.


