Pouca gente sabe, mas os EUA também têm o seu Bolsa Família. Lá, é o SNAP “ Supplemental Nutrition Assistance Program “ que ajuda em torno de 40 milhíµes de americanos de baixa renda a se alimentarem, no mesmo esquema de cartão magnético do nosso aqui (com a diferença que o benefício não pode ser sacado, mas utilizado eletronicamente nas lojas cadastradas). O programa americano, aliás, substitui os antigos food stamps, tíquetes de alimentação que existem há décadas nos EUA. Lá, como cá, os mais de esquerda criticam a quem se opíµe ao modelo e chamam os oposicionistas de conservadores. Mas a diferença entre o apoio e a rejeição ao processo é a mesma: a oposição, nos EUA ataca o SNAP, dizendo que ele ensina a não trabalhar, acomodando as pessoas. Aqui a chamada elite defende a mesma mazela (para ela).
Mas lá nos EUA existem outras mazelas institucionais do programa de repasse direto de renda. Conforme reportagem do jornal New York Times. Lá também é doloroso para um militante da esquerda (lá inclinados ao partido ‘liberal’) admitir isso, mas os direitistas (lá inclinados ao partido ‘republicano’) têm razão quando sugerem que a rede de proteção social norte-americana pode (ocasionalmente) aprisionar as pessoas em uma dependência avassaladora, baseada num malandrismo típico brasileiro: milhares de filhos são mantidos sem estudo para ajuda financeira familiar, uma vez que crianças com problema na escola (e que não estudam, via de regra) podem receber um aumento no benefício financeiro relacionado ao SNAP.
Aqui no Brasil, o reclame dos liberais (aqui chamados de direita conservadora), é de que os brasileiros são vítimas de regras governamentais e coagidas em votar no governo que defende o Bolsa-Família brasileiro. Eles reclamam, também, que muitos cidadãos não se motivam em trabalhar quando estão recebendo auxílio direto do governo. E aqui, os progressistas (chamados de esquerda ou socialistas) também ficam sem resposta quando se deparam com estatísticas de trabalho & emprego, por exemplo, que sugerem o Nem Nem (brasileiros em idade produtiva que nem estudam nem procuram trabalho), muitos deles beneficiários do Bolsa Família.
Os programas de combate í pobreza dos EUA desestimulam o casamento: em um programa como o como o Renda Previdenciária Suplementar, cujo critério básico repousa sobre as condiçíµes financeiras dos beneficiários, uma mãe que esteja criando seu filho pode receber uma quantia maior do governo se não se casar com aquele cara trabalhador de quem ela gosta. No entanto, as estatísticas estampam justamente o contrário: mostram com provas cabais que o casamento é uma das melhores saídas para reduzir a pobreza. Nos EUA, nas casas mantidas por casais, apenas uma criança em 10 cresce na pobreza, enquanto que, nas casas mantidas apenas pela mãe, quase a metade das crianças cresce na pobreza. Esta é outra crítica institucional da sociedade aos programas de distribuição direta de venda.
Aqui no Brasil, principalmente no setor da Construção Civil – vê-se algo similar. Provedores de família que se apresentam para trabalhar nas obras pedem para que suas carteiras não sejam assinadas, com objetivo claro de manter os cartíµes do bolsa família, dados pela baixa renda familiar. Casas dadas pelo governo para pessoas vulneráveis são escrituradas em nome das mulheres, de certa forma desestimulando casamentos formais. Mas as estatísticas brasileiras mostram “ também- que as pessoas com estruturas familiar formal são menos pobres do que í quelas vindas de rompimentos de casal, ou de famílias lideradas por mães e sem pais, principalmente nas classes mais baixas. E a carteira assinada e uma profissão são – de longe – ainda, a forma mais saudável de inclusão real na sociedade.
Portanto, nota-se que o radicalismo de ambos os lados é o fator prejudicial. Não é saudável em ambos os lados de pensamento que as coisas sejam generalizadas. A prova é que o país com medidas e população continentais com o sistema democrático mais acelerado no mundo atualmente – os EUA “mantém programas similares ao Bolsa Família brasileiro. Lá – como aqui no Brasil – há os críticos. Mas não é saudável chamar os críticos de conservadores nem chamar os defensores do programa de radicais socialistas. Nota-se que o que todos querem é proporcionar LIBERDADE aos cidadãos em vulnerabilidade social. E o conceito de Liberdade é bastante relativizado nestes casos. Os liberais brasileiros e republicanos americanos acham que a verdadeira liberdade é atacada pelo clientelismo ou paternalismo dos programas de Estado. Este segmento acredita que as pessoas têm de se virar sozinhas. O governo deve dar somente o ambiente e saídas individuais, com empregabilidade, vagas de trabalho em todo o sistema e infraestrutura pública e social.
Já os defensores dos programas de distribuição direta de renda, tanto no Brasil como nos EUA, acreditam que a saída da miséria é a única porta da liberdade. Acreditam, portanto, que as pessoas podem ser livres até para serem submissos í pacotes sociais governamentais.
A campanha política vem aí. Todos os candidatos prometem manter o programa Bolsa Família. Os Planos de Governo neste escopo devem se diferenciar tão somente pela forma de fazer isto. Militar na rua colocando este tema como moeda política, portanto, se trata de covardia. Colocar a miséria e os riscos iminentes desta como tema de campanha política não são a melhor forma de mostrar os caminhos do bem, mesmo eles (caminhos) sendo diferentes, até divergentes em alguns casos.


