PAI: todo mundo tem um!

8 de agosto de 2014

 

O esforçado pai Marcelo Klein com os filhos  

 

Existem diversos tipos de pai. Pode ser pai herói, pai presente, pai ausente, pai desconhecido, pai monstro, pai falecido, pai doador, pai dois pais, pai solteiro, pai aví´¦ Independente de como ele se encaixe na vida de cada um, ele existe. Confira abaixo algumas histórias que enfrentam (ou enfrentaram) dificuldades para exercer a paternidade, mas também colheram alegrias.  

 

Por Maiara Raupp

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Não basta ser pai, tem que participar!

 

Ultimamente pode-se perceber um aumento significativo na participação dos pais na vida e na criação dos filhos. Mais do que provedores da casa, eles começam a assumir um novo papel na vida familiar. Sentem que precisam participar mais ativamente na vida dos pequenos, além de abrir um canal de comunicação seguro com eles. A figura paterna tem papel fundamental no desenvolvimento infantil e da personalidade dos filhos. í‰ pensando nesses aspectos, além de valorizar os momentos em famí­lia, que o empresário torrense, Marcelo Klein, se esforça para sempre estar ao lado dos filhos.

Ser pai nos dias atuais não é fácil. No entanto, acredito que com nossa simples presença diária, além de apoiar e incentivar nossos filhos a fazer atividades saudáveis como a prática esportiva e os estudos, já teremos a certeza que formaremos cidadãos do bem e mais corretos, afirmou Marcelo, destacando ainda os desafios da paternidade. As dificuldades são muitas para se criar um filho. Desde a preocupação para que se tenha um bom estudo e uma boa saúde, até a convivência externa que eles têm com filhos de pais que nem sempre estão presentes (ou dão bons exemplos). Aí­ que está a importância do laço forte com nossos filhos. í‰ melhor que eles aprendam em casa da maneira correta do que na rua com pessoas que talvez não sejam confiáveis. Acho que ser pai é isso. Passar para nossos filhos o conhecimento que tivemos em nossas vidas e, claro, aprendermos com eles. Isso acaba sendo o maior prazer que a paternidade pode nos dar: ensinar e aprender, garantiu Marcelo.

 

Tal pai, tal filho(s)

 

A paixão pela prática de esportes, principalmente pelo ciclismo e pela corrida, fez de Marcelo um í­dolo e exemplo para os filhos, Gabriel e Isabela Klein. O Gabriel sempre foi louco por futebol como os avós dele. Eu sempre dei todo apoio, mesmo sabendo o quanto é difí­cil ser escolhido entre tantos. Aí­ ele próprio foi perdendo o estí­mulo e passou a andar de skate até que um dia fui participar de uma prova de ciclismo noturna na Serra do Rio do Rastro (SC) e ele ficou maluco. Adorou aquele desafio e começou a treinar com minha bicicleta. Como também tem uma corrida impecável, logo começou a fazer triathlon, e hoje vem ganhando provas importantes pelo Brasil, tendo até que subir de categoria sem ter idade para ter adversários. Ele é apaixonado pelo que faz. Este interesse veio sempre dele e eu dei e darei sempre todo apoio e suporte para que ele esteja sempre muito feliz, contou o empresário, que também compete em provas de triathlon ao lado do filho.

A filha caçula de Marcelo, Isabela, também tem o pai como seu modelo. A minha pequena e linda Isabela também tem meu incentivo em tudo que quer fazer. Dou a liberdade para ela escolher. No entanto, nos dias de hoje com a internet e TV a cabo, tenho que estimulá-la a andar em sua bicicleta. Ela gosta, mas tenho sempre que lembrá-la. Depois que está andando ela adora a emoção do ventinho no rosto. Quem não gosta? Mas para isso precisamos estar sempre por perto, o mais presente possí­vel. Essa é a minha receita para melhorarmos um pouco a nossa sociedade, concluiu Marcelo.

 

A tão esperada paternidade

 

O papai Valter com a pequena Malu  

 

Engravidar não é tarefa tão fácil como se parece. Por vários motivos, desde a baixa quantidade de espermatozóides a problemas no útero da mulher. Qualquer alteração no processo de ovulação e fecundação pode impedir a gravidez. Por isso, a chance de uma mulher engravidar se mantiver relaçíµes sexuais durante o perí­odo fértil é de apenas 20%. A Organização Mundial da Saúde recomenda que, depois de 12 meses de tentativa sem sucesso, os casais procurem um médico para investigar possí­veis causas de infertilidade. Foi o que fez o casal torrense, Gisa Bitencourt e Valter Junior. Após 6 anos tentando ter um filho, há um ano o casal vive um dos momentos mais felizes de suas vidas com o nascimento da pequena Malu.

A chegada da Malu me trouxe a sensação de que um espaço muito grande foi preenchido na minha vida, afirmou Valter Junior, contando ainda os anos de angústia í  espera da paternidade. Foram anos de idas e vindas aos médicos em Porto Alegre. Muito sono perdido. Alguns temporais. Mas superamos tudo com muita vontade e companheirismo. Foram duas tentativas de inseminação sem sucesso para a nossa profunda frustração. Mas superamos com amor e uma vontade enorme de ter nosso filho. Aí­ no final de 2012 veio a confirmação que a Gisa estava grávida sem nenhum tratamento. Acho que foi na hora de Deus e não na nossa. Depois que a ficha caiu veio a alegria. Muita alegria!, finalizou ele emocionado.

Junior ressaltou ainda que dias dos pais é todos os dias. Acho que pai não tem dia. Tem que ser pai todos os dias, porque a cada momento é um desafio. Antigamente havia mais dificuldades em criar os filhos. Hoje as dificuldades são outras. Mas acredito que com diálogo e bons exemplos vamos conseguir criar bem nossos filhos, garantiu ele, chamando a atenção só para a dificuldade de ser pai de menina. Ser pai de menina é muito bom, mas dá um ciúme só em pensar que ela vai crescer, vai namorar e vai ter um marmanjo me chamando de sogro (risos).

 

A dor da distância

 

Se é impossí­vel não sentir saudades dos filhos quando você sai para uma viagem de poucos dias, imagine quando o pai ou a mãe precisam trabalhar longe e acabam voltando para casa só aos finais de semana ou até menos que isso? Situaçíµes como essa são muito comuns. De acordo com o IBGE, o número de pessoas que trabalham ou estudam fora da cidade onde moram seus filhos praticamente dobrou entre os anos 2000 e 2010, chegando a 14,3 milhíµes de pessoas.

Apesar da distância e da correria, é preciso encontrar maneiras de contribuir para a criação dos filhos e estreitar relaçíµes, já que a frequente distância faz com que se deixe de vivenciar algumas situaçíµes determinantes e necessárias na relação pais e filhos. Desta forma, é importante achar meios de construí­-las, mesmo que de maneira improvisada, hoje garantida pelas novas tecnologias. Graças a elas, está mais fácil driblar aquele aperto no coração na hora da despedida, ou dar um puxão de orelha virtual quando necessário.  í‰ o que faz o arquiteto e pai Miguel de Moraes, que atualmente reside há cerca de 500 km longe de casa, deixando sua esposa e sua filha Morena de apenas 1 ano e meio. Acompanhe abaixo na í­ntegra a entrevista com Miguel, que luta diariamente com a saudade.

 

 

ENTREVISTA com o pai MIGUEL DE MORAES

 

 

Maiara (A FOLHA) – O que é ser pai para você?

 

MARCELO – Acredito não haver uma resposta fácil para essa questão. Uma coisa é certa. A vida do homem muda quando nasce o seu filho. Alguns estudos tentam explicar os motivos que nos levam a procriar. Uns creditam tal fato aos nossos genes e não a nós, outros falam de nossa busca pela imortalidade, de nossa herança para as futuras geraçíµes. Particularmente creio mais nessa última hipótese. Além disso, é uma forma de se presentear, pois creio que ver e ouvir seu filho pela primeira vez seja a sensação mais sublime e intensa na vida de um pai. De fato, esse primeiro contato é o marco zero de uma sucessão de momentos inesquecí­veis na vida de um pai. A cada expressão facial, cada som emitido (qualquer som), cada movimento diferente se torna um momento de extrema felicidade. Aquele em que você se vê isolado das atribulaçíµes do mundo, onde só existe a felicidade. Respondendo de forma mais objetiva, penso que ser pai, a despeito do que estudos possam dizer, foi uma forma que encontramos para sermos mais felizes.

 

A FOLHA – Como exercer a paternidade nos dias de hoje?

 

MARCELO – Quanto a ser pai nos dias de hoje, penso que é muito similar a ser pai nos dias de ontem. Creio que cada nova geração terá choques com as que passaram. Outros desafios serão postos, assim como todas as outras geraçíµes tiveram seus desafios. Não me preocupo com a temporalidade, mas sim no enfraquecimento e desuso de hábitos antigos como a honra, o respeito, a gentileza e a educação, no sentido mais abrangente possí­vel. Preocupo-me com os maus exemplos veiculados em nossa sociedade e apoiados, ou indiferentes, por grande parte da população como luxúria, roubo, estelionato, desrespeito aos mais velhos, desprezo aos professores, desprezo a cultura, invasão de propriedade alheia, apoio e complacência a criminosos e a assassinos. Penso que esse será um dos grandes desafios que terei de vencer: fazer minha filha, a despeito de tudo isso, compreender esses exemplos como sendo nefastos.

 

A FOLHA – Quais as dificuldades em se morar longe dos filhos?

 

MARCELO – Como atualmente trabalho em outra cidade, acabo por ver minha filha de duas a três vezes por mês. Isso é extremamente doloroso, creio que muito mais para mim. A saudade é a maior dificuldade, seguida pela culpa. Duas culpas me atormentam mais: culpa de não estar ao lado da mãe no dia a dia, não deixando a peteca cair. E culpa por perder aqueles momentos de felicidade que citei no iní­cio do texto. Penso que só consigo lidar com a distância por ter claro em minha mente que é uma situação temporária, logo pretendo estar junto delas e em definitivo; e que o que estou fazendo é algo que proporcionará um futuro melhor, tanto í  minha filha como í  minha esposa.

 

A FOLHA – Será que vale a pena, no seu ponto de vista, deixar de acompanhar de perto o crescimento de sua filha em troca de uma vida profissional melhor?

 

MARCELO – Esse último é um grande clichê, mas é uma verdade, afinal que pai não está interessado no futuro de seu filho? Tenho plena clareza que não estou sacrificando a convivência com minha filha por uma vida profissional melhor. Faço isso para poder oferecer a ela uma maior diversidade de possibilidades. Como os americanos falam :to support, ou seja, dar suporte as coisas boas (coisas boas!) que ela quiser fazer de sua vida. Meu pai sempre foi presente em minha vida e sei que isso me ajudou a ser o homem que sou. Torço para que eu possa ser tão bom para minha filha como meu pai foi para mim, apesar desse perí­odo ausente. Quando nos tornamos pais é que de fato compreendemos o que queriam dizer aquelas velhas cançíµes: ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais ou ainda Você culpa seus pais por tudo. Isso é absurdo. São crianças como você. O que você vai ser quando você crescer.. Os meus mais sinceros abraços a todos os pais. Que este dia seja repleto de momentos de extrema felicidade!

 

 

 

 

 


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