Das repercussões da morte de Eduardo Campos

15 de agosto de 2014

   

 

Como bem se sabe, o candidato í  presidência da Eduardo Campos, que disputava as eleiçíµes pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB),  morreu na manhã desta quarta-feira, 13, após acidente de avião em Santos, no litoral de São Paulo.  A aeronave levava outras seis pessoas – o fotógrafo da campanha, um cinegrafista, dois assessores e os dois pilotos “ e caiu em uma área residencial quando se preparava para pousar. Todos que estavam no voo faleceram, mas ao menos não houveram mortes de pessoas em terra. Seis ví­timas do acidente moravam na área onde caiu o avião foram para a Santa Casa de Santos, entre elas duas crianças, duas mulheres e uma idosa. Segundo o hospital, todas passam bem.

 

 

Repercussão no Brasil e no mundo

 

A morte de Eduardo Campos causou grande comoção em todo o paí­s e milhares de manifestaçíµes em todas as esferas sociais. A presidente Dilma Rousseff, colega de ministério de Campos no primeiro governo Lula, decretou três dias de luto oficial pela morte do candidato e anunciou ter suspendido seus compromissos de campanha."Hoje o Brasil está de luto e sentindo uma morte que tirou a vida de um jovem polí­tico promissor", disse Dilma, em um pronunciamento. "Sem dúvida esse é um momento de pesar, um momento de tristeza. Somos afetados pela fragilidade da vida, mas também pela força e exemplo das pessoas."

O candidato do PSDB í  Presidência, Aécio Neves, também lamentou a morte de Campos. Em discurso, disse que "hoje é um dia de imensa tristeza para todos os brasileiros e para todos aqueles que acreditam na boa polí­tica. Eduardo era um dos maiores representantes da boa polí­tica. Convivi mais de 20 anos com o Eduardo e tenho por ele uma admiração que não terminará com sua morte trágica. Ele fará uma falta imensa na polí­tica nacional."

A notí­cia da morte de Eduardo Campos teve forte repercussão na imprensa internacional. O acidente que matou o candidato í  presidência do Brasil foi destaque principal do site britânico Financial Times, que produz ampla cobertura econí´mico do paí­s. "Enquanto as eleiçíµes mostravam Campos como o terceiro candidato mais forte da Eleiçíµes brasileiras em outubro, analistas esperavam que ele fizesse uma aliança com Aécio, do PSDB, para o segundo turno contra Dilma Rousseff", escreveu. O jornal francês Le Monde, os principais americanos Washington Post e New York Times e o argentino Clarin também repercutiram a notí­cia.

A rede de notí­cias internacional CNN produz ampla cobertura do acidente. Cita a Agência Brasil afirmando que a causa da queda deve-se ao mau tempo, que levou í  perda de contato da aeronave com o tráfego aéreo. Também cita uma testemunha, um piloto iniciante, que disse ter ouvido um barulho alto e percebeu que o avião estava voando muito baixo e que "bateu no chão como uma pedra".  

 

 

E a ‘zuera’ bagaceira e maldosa ‘never ends’

 

 

Na internet, psicopatas de plantão tentaram transformar a tragédia da morte de Eduardo Campos em piada. Comentários com afirmaçíµes de mau gosto e inferências polí­ticas bizarras. Pessoas pedindo para que, no lugar de Campos, naquele jatinho, estivesse Aécio ou Dilma. Colocando a culpa em um ou em outro pelo acidente, ou fazendo brincadeiras de tão mau gosto que não valem a referência.

Mas não, isso não é piada e muito menos revolta contra a polí­tica, segundo o jornalista e cientista polí­tico Leonardo Sakamoto. "Há outro nome para esse tipo de ignomí­nia, para essa incapacidade crí´nica de sentir empatia com os passageiros de um avião que cai e com as pessoas que estavam em solo. Talvez essa impossibilidade de se reconhecer no outro e demonstrar algum apreço pela vida humana seja alguma forma de psicopatia grave. O que não surpreende, pois tem o mesmo DNA das discussíµes estéreis e violentas levadas a cabo na internet, sob anonimato ou não. Mas não deixa de chocar".

 

 

Incertezas de conjuntura polí­tica

 

A morte do ex-governador pernambucano Eduardo Campos gera uma série de incertezas para a corrida eleitoral deste ano. Talvez as mais relevantes delas é se a ex-senadora e presidenciável Marina Silva, vice na dobradinha, continuará na disputa e passará í  cabeça da chapa para disputar o pleito (algo não decidido até o fechamento desta edição de A FOLHA, na quinta-feira).

Marina, que terminou as eleiçíµes de 2010 com 19% dos votos, é creditada por aportar uma parte importante do apoio dos eleitores í  candidatura do PSB. Campos ocupava o terceiro lugar na disputa, atrás da presidente Dilma Rousseff (PT) e do senador Aécio Neves (PSDB).  Por outro lado, analistas ouvidos pela BBC Brasil apontam que ela não circula com a mesma desenvoltura por cí­rculos ideológicos diferentes, incluindo setores influentes do ponto de vista do financiamento de campanha.

Sem Campos, o PSB e os partidos que fazem parte de sua coligação têm dez dias (até 23 de agosto) para escolher um novo candidato, de acordo com as regras da lei eleitoral. A ex-senadora ainda não indicou o que pretende fazer. íšnico irmão do ex-governador Eduardo Campos, o advogado Antonio Campos defende que Marina Silva assuma a candidatura í  Presidência pelo PSB no lugar do ex-governador. Vou defender publicamente e dentro do partido esta posição, afirmou ele, em entrevista por telefone, ao Estado de S. Paulo, na manhã desta quinta-feira, 14.

 

 

Curta Biografia de Eduardo Campos

 

Nascido no ano de 1965 em Recife (PE), Eduardo Henrique Accioly Campos era neto de um dos mais influentes lí­deres da esquerda nacional, o ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes. Iniciou a militância polí­tica durante a faculdade de Economia, quando presidiu o diretório acadêmico do seu curso na Universidade Federal de Pernambuco. Ingressou no PSB em 1990, acompanhando o aví´, com quem trabalhava. Elegeu-se deputado estadual neste mesmo ano.

Em 1994 elegeu-se deputado federal pela primeira vez (sendo reeleito em 1998 e 2002). Entre 1995 e 1998, esteve licenciado do mandato para trabalhar como secretário estadual de Governo (e depois da Fazenda) na gestão de Miguel Arraes em Pernambuco.

Uma das principais lideranças da base do governo Lula no Congresso, Campos foi chamado para comandar o Ministério de Ciência e Tecnologia e ficou no cargo entre 2004 e 2006. Em 2005, foi eleito presidente nacional do PSB substituindo o aví´ Miguel Arraes, falecido no fatidico dia 13 de agosto daquele ano (mesmo dia em que 9 .

Campos elegeu-se governador de Pernambuco em 2006. Conquistou a reeleição quatro anos depois. Em 2013, tendo em vista as eleiçíµes deste ano, o pernambucano, que era um dos principais aliados do PT em ní­vel nacional, anunciou a aliança com o movimento Rede Sustentabilidade, de Marina Silva, para lançar chapa independente e concorrer ao Planalto.

 


Publicado em:







Veja Também





Links Patrocinados