O ESPIGíO DA DONA BERTA

25 de agosto de 2014

 

 

Roni Dalpiaz

Mestre em Marketing, Administrador e Turismólogo.

e-mail: ronidalpiaz@gmail.com    

 

Na onda da discussão sobre os espigíµes í  beira mar lembro-me de um dos primeiros prédios altos da cidade: O edifí­cio da Dona Berta. Próximo a prefeitura e ao lado de algumas das mais antigas casas de Torres, lá está o edifí­cio mal assombrado da minha infância e a de tantos outros até hoje.

í€s vezes esquecido, mas sempre ali, o velho edifí­cio se mantém em pé contrariando a tudo e a todos. Diz a lenda que naquele edifí­cio incompleto havia uma velha senhora ou o fantasma dela assustando quem lá ousasse entrar. Isso era o que nós alunos do ESD falávamos sobre o tal edifí­cio.

Procurando conhecer um pouco mais sobre o tal prédio, resolvi investigar a história e fiquei sabendo que ele pertencia a Dona Berta, uma senhora bem de vida (rica, talvez) e muito, digamos, alegre no escolher suas roupas (hoje a chamariam de Perua). Em certa altura de sua vida resolveu construir um edifí­cio em uma das principais ruas da cidade, a rua Júlio de Castilhos. Pelo que se sabe ela investiu uma grande parte de seu patrimí´nio erguendo o chamado espigão. Quando o prédio estava quase pronto, o falatório pela cidade sobre possí­veis rachaduras e perigo de desabamento forçaram as autoridades a interditarem a construção. Este fato não muito bem explicado durou muito tempo e isto a fez ficar perturbada. Durante alguns anos ela perambulava entre os andares do prédio inacabado.

Pelo visto a aversão a espigíµes é bem mais antiga que pensávamos. Será que houve discussão sobre a construção ou não do velho espigão? Sombra na praia? Especulação imobiliária? Havia investidores ou construtoras na época? Acho que não. O que teria acontecido? Por que teria sido rejeitado na época? Só pelas rachaduras ou algo mais sacudia e incomodava a sociedade da época? Talvez o diferente, o inovador, o desestabilizador, o desconhecido criou insegurança aos moradores e o poder público da época. O fato é que interditaram o tal prédio e como monumento a ignorância e ao descaso ele nos assombra ainda nos dias de hoje. Talvez agora não tão firme, mas ainda de pé.

Quantos fantasmas nossa cidade ainda convive e tenta expurgar. Um que de tempos em tempos aparece é o fantasma da construção de prédios na famosa zona 8. Há alguns anos esta discussão resultou na não liberação de prédios altos nesta área. Hoje novamente em pauta, provocou a manifestação de famosos (como Martha Medeiros, Iotti entre outros) e a revolta de aní´nimos (não tão aní´nimos assim, pois estavam nas mí­dias sociais identificados).

Novamente não se olha para trás para seguir em frente. O que Torres pretende ser no futuro? Quer continuar investindo no Turismo tal como faz hoje (desta mesma forma ou sem forma definida) ou quer mudar o seu principal foco? A palavra fundamental é foco. Tendo um foco determinado tudo fica mais fácil para planejar e direcionar os recursos disponí­veis, inclusive para poder discutir e se posicionar sobre a definição da liberação ou não da construção de espigíµes, a forma de construção, seus impactos, ou simplesmente deixar como está até a próxima aparição deste famoso e insistente fantasma.

Acho que posso ouvir a velha senhora resmungando sobre as verdades ditas pela Martha!

 


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