Torres sim… mas de rocha, não de concreto!

28 de agosto de 2014

 

 

Por Lara Lutzenberger                

Presidente da Fundação Gaia “ Legado Lutzenberger

 

No cenário de Torres situam-se minhas mais preciosas lembranças de infância e adolescência. Nos anos 70 e 80, as únicas torres, e portanto as mais imponentes, eram o Morro do Farol e as da Guarita. No entardecer, veranistas reuniam-se no Hotel Farol para uma caipirinha, empadas de camarão ou um cafezinho no mesmo balcão em que era vendido um pão d™água e ˜de minuto™ que nunca vi igual em outro lugar. Circular de bicicleta com outras crianças, ou mesmo sozinha, não implicava em temor nenhum. O Parque da Guarita ainda não levava o nome do meu pai, mas era por ele valorizado e zelado, extasiando os visitantes.

 

Sigo fiel a Torres, apesar dos impactos sofridos por conta do estí­mulo desenfreado da construção civil que, em sua voracidade, já consumiu praticamente todas as residências tradicionais e reduziu as torres naturais a morrinhos. Quem hoje avista a cidade, vindo da BR 101 ou da Estrada do Mar, pode até pensar que o nome é uma alusão aos seus prédios. E o prejuí­zo não é apenas ambiental, estético e histórico: areia e mar sujos, congestionamentos, estabelecimentos lotados, barulho, insegurança crescem na mesma proporção dos espigíµes. Agora, como golpe fatal, soma-se a ameaça de liberar a construção destes nas primeiras quadras, junto í  praia.

 

Torres ainda é nossa mais bela praia e pode melhorar o que não está bem. Com um planejamento urbano centrado na consolidação de uma cidade que reconhece seus patrimí´nios ambientais, arquitetí´nicos e culturais e que oferece estrutura adequada para o bem-viver, Torres preserva o que lhe resta e segue seu curso de forma convidativa. Incluem-se aí­: valorização de sua história, manutenção de orla ensolarada e limpa, recuperação do Parque da Guarita, divulgação do Parque de Itapeva, consolidação de boas praças, diversificação de estabelecimentos comerciais e de lazer, bem como, de serviços médicos. Hoje há imobiliárias demais e padarias de menos; psicólogos demais e apenas um dermatologista, que também atende a municí­pios vizinhos.

 

Agora, se a ênfase seguir na construção predial, restará uma cidade sem atrativos e incí´moda. Sobrarão os que não se importam com nada além de seu próprio umbigo e restará o luto daqueles que a conheceram em seu esplendor e reconheceram o seu valor


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