Cigarro: de herói a vilão

1 de setembro de 2014

 

Considerado durante anos sí­mbolo da elegância e do glamour, o cigarro virou nas últimas décadas um dos maiores inimigos da saúde pública mundial. Medidas para restringir seu uso, divulgação e comercialização se multiplicaram em muitos paí­ses, na tentativa de frear o responsável por uma das principais causas de morte evitável do planeta.  

 

Por Maiara Raupp

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Dia 29 de agosto é Dia Nacional de Combate ao Fumo. Mas há cerca de trinta anos, fumar era um ato que transportava as pessoas ao universo das grandes produçíµes cinematográficas. Era associado a qualidades positivas, como o charme, elegância e poder. No entanto, com a disseminação de informaçíµes sobre os males do cigarro, a sociedade caminha em direção ao movimento antitabagista. Se antes a indústria do tabaco conseguia, numa incrí­vel manobra de construção de imagem, associar o cigarro í  sedução e superioridade, hoje a sociedade civil, profissionais da saúde e poder público unem forças para controlar e reduzir a epidemia do tabagismo.

Atualmente no Brasil há cerca de 25 milhíµes de fumantes acima dos 15 anos. Dentre eles, está a torrense Sandra Silva, que já fuma há mais de 30 anos. Na época que eu comecei a fumar era moda. Quem não fumava não estava com nada. Hoje me arrependo muito de ter começado a fumar, já que é muito difí­cil parar, afirmou Sandra, acrescentando ainda que já pensou em parar de fumar várias vezes. Penso todos os dias. Já tentei, mas o máximo que consegui foram três dias. Parar sem ajuda profissional é muito complicado, assegurou ela. Sandra conta também que além da falta de resistência fí­sica, o cheiro que fica nas roupas, no cabelo e no ambiente em que está é um dos motivos que a impulsionam a tentar parar de fumar mais uma vez.

Além de Sandra, a torrense Erica Rocho também passa pelo mesmo dilema. Após várias tentativas de largar o cigarro e não conseguir, Erica resolveu diminuir a frequência e a quantidade de maços. Antes eu fumava todos os dias e o dia todo. Hoje eu fumo só a noite e em torno de três cigarros apenas, disse ela. Erica, que fuma há mais de 35 anos, confessou também que se arrepende de ter começado a fumar. í‰ramos em um grupo de quatro meninas e tí­nhamos curiosidade de experimentar. Coisa de adolescente. Hoje me arrependo, garantiu ela, destacando ainda os malefí­cios que essa dependência lhe traz. Sinto um enorme cansaço. Como se baixasse a pressão. Assim não consigo terminar o que eu estava fazendo. E se não fumo fico nervosa a cada fato novo. Me falta atitude, concluiu Erica.

 

No passado, fumar era sí­mbolo de status e elegância (FOTO: Audrey Hepburn no filme Bonequinha de Luxo)

 

Cigarro mata 200 mil brasileiros por ano

 

Em cada dois dependentes, um vai morrer por problemas relacionados ao tabaco. Segundo dados do Inca (Instituto Nacional de Câncer), o cigarro mata 200 mil brasileiros por ano. Nos últimos seis anos caiu em 20% o número de fumantes no Paí­s, de acordo com dados recentes do Lenad (Levantamento Nacional de ílcool e Drogas), realizado pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Qualquer fumante sabe que abandonar o cigarro é uma medida fundamental para melhorar a sua qualidade de vida, evitar doenças e viver mais. Mas essa é uma missão desafiadora para a maior parte dos tabagistas. Uma  pesquisa  da Unifesp mostrou que nove em cada dez fumantes gostariam de largar o cigarro, sendo que e a maioria (63%) já tentou fazê-lo, sem sucesso.

A lista dos  benefí­cios do abandono do cigarro é longa. 20 minutos longe do cigarro são suficientes para diminuir a pressão arterial, que é elevada pela nicotina e, ao longo dos meses seguintes, o ex-fumante já apresenta melhoras na função respiratória. Dois anos após o fim do tabagismo, o risco de complicaçíµes cardiovasculares cai pela metade. Em dez anos, há uma redução expressiva nas chances de câncer e, em vinte  anos, é possí­vel dizer que o indiví­duo não tem e nem terá problemas associados ao cigarro. í‰ claro que esses dados fazem parte de uma média estipulada por estudos populacionais e, portanto, podem variar de acordo com cada pessoa.

 

Força de vontade

 

O professor Luiz Maggi sentiu literalmente na pele os benefí­cios do abandono do cigarro. Minha respiração melhorou, meus dentes ficaram mais brancos, eu cheirava melhor e a pele além de ficar mais bonita e macia perdeu aquela coloração amarelada, pálida, lembrou ele. Após fumar durante 24 anos, o professor disse que foi a força de vontade que fez ele vencer essa dependência. Ao ser diagnosticado com um problema sério no pulmão e ver minha filha ainda criança imitar minhas tosses secas ocasionadas pelo cigarro eu decide parar. E ao saber que minha esposa estava grávida, me enchi de forças e coloquei na cabeça que não queria que meu filho me visse fumar. Hoje fazem 27 anos que não coloco mais um cigarro na boca, contou Luiz, ressaltando ainda que até hoje sente vontade de fumar.

O professor lembrou também que antigamente era moda fumar. Os docentes fumavam em sala de aula e os alunos também. Apenas se evitava fumar na frente dos pais. Não se tinha as orientaçíµes e informaçíµes que se tem hoje, assegurou ele. Luiz chamou atenção ainda para as cicatrizes que o fumo deixou. Depois que eu parei de fumar ainda permaneci por algum tempo com o hábito de colocar a mão no bolso da camiseta para ver se a carteira de cigarros estava. Tenho até hoje uma tosse contí­nua e meu pulmão ficou com pequenas manchas escuras, finalizou ele.

Com Sapo não foi muito diferente. O empresário, que fumou durante 40 anos, decidiu largar o cigarro após um infarto, que quase levou sua vida. Quando ficamos entre a vida e a morte passa um filme em nossa cabeça. Por orientação médica larguei o cigarro. Hoje me sinto muito melhor. Tenho mais disposição fí­sica, menos cansaço e sou muito feliz. Ganhei uns quilinhos a mais, pois a vontade de comer aumenta. Mas tudo compensou, afirmou ele, acrescentando também que o maior ganho mesmo foi no bolso, concluiu sorridente.

No grau mais moderado da dependência, por exemplo, a simples mudança na rotina e atividade fí­sica já ajudam a largar o ví­cio. Já para quem está dependente em grau de moderado a elevado, o tratamento com medicação alivia muito o desconforto e aumenta a chance de abandonar o cigarro.

Portanto, não hesite: deixar o cigarro melhora a qualidade de vida, a redução do risco de desenvolver doenças associadas ao cigarro, í  respiração, o fí´lego, o cansaço e tudo mais.

 

Professor Luí­s Maggi em seus tempos de fumante

 

Confira algumas dicas para você conseguir (ou ajudar alguém) a vencer a luta contra o cigarro:  

1 – Não adie sua decisão.

2 – Beba água. Ande com uma garrafinha, pois é o melhor remédio para resistir í  vontade de fumar;

3 – Coma mais frutas e tenha í  mão canela ou cravo para diminuir a vontade de fumar ou comer. Fique de olho na alimentação e não coma em maior quantidade que de costume;

4 – Faça alguma atividade fí­sica de que você goste e com a qual sinta prazer, pois ajuda a diminuir a ansiedade;

5 – Respire, feche os olhos, relaxe e lembre-se de uma música de que você gosta. Isso ajuda a parar de pensar no cigarro;

6 – Economize o dinheiro do cigarro e, no fim do ano, presenteie-se. í‰ uma ótima maneira de se estimular a parar com o ví­cio;

7 – Converse com seus amigos.  Você não está sozinho nessa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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