MíES ADOTIVAS: amor acima de tudo

9 de maio de 2015

 

Com o Dia das Mães que ocorre neste 10 de maio, fazemos uma reflexão sobre estas relaçíµes construí­das com amor, dedicação e respeito, que ultrapassam os limites da genética. São estruturas que se formam gradativamente, em torno das mães e seus filhos, independentemente da existência de laços biológicos.

 

Por Maiara Raupp

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Para as leis brasileiras, a adoção é a maneira legal e definitiva de uma pessoa assumir como filha uma criança ou adolescente nascido (a) de outra pessoa. Para as mães adotivas são laços que vão além do sangue, é um amor incondicional.   Neste dia das mães, não podí­amos deixar de lembrar e homenagear essas mães adotivas, que, por um motivo ou outro, fizeram querer o filho gerado por outra mulher.

í‰ o caso de Susi Rosa Souza, mãe adotiva de Lucas e Pâmela Souza. Por seu esposo não poder ter filhos, ela abriu mão de gerar uma criança em seu ventre e adotou. Para seus filhos, o sentimento é de amor e reconhecimento. A Susi é muito mais que uma mãe, pois mesmo não vendo as sementes germinarem em seu ventre, recolheu duas plantinhas indefesas e a levou para o seu jardim. Cuidou-as todos os dias. Deu tudo que precisavam. A cada dia  as plantinhas têm mais vida, pois são regadas com muito amor e carinho. E essas sortudas plantinhas somos nós, que mesmo não sendo geradas durante meses no seu ventre foram cultivadas por meses no seu coração, o que justifica o nosso amor ser tão grande e inexplicável!, comparou Pâmela.

A hoje advogada Pâmela revelou ainda toda sua gratidão pela mãe. Muito obrigada mãe por ter aceitado o desafio de Deus e ter feito de nós as crianças mais felizes do mundo e os filhos mais realizados e amados. Obrigada por ter tido coragem, por ter nos dado uma famí­lia e a oportunidade de conhecer o amor. Obrigada por todos esses anos de ensinamentos, de paciência e dedicação. Um dia quero ser para alguém o que tu e o pai foram e são para nós. Porque aqui o amor é em dobro, afinal de contas, não foi simplesmente a vida que quis assim ou o acaso do destino, e sim, foram os planos de Deus. Pois vocês nos escolheram e se nós tivéssemos a oportunidade escolherí­amos sempre vocês! Nos orgulhamos muito disso. FELIZ DIA DAS MíƒES. Amamos você, nossa rainha!, completou Pâmela, feliz.  

 

 

Pâmela e Lucas – amor além dos laços de sangue

 

 

Adoção consensual

 

Pâmela teve uma adoção consensual, ou seja, quando se tem contato com a mãe biológica. Atualmente ela é pouco aceita porque há muitas mães biológicas que pegam de volta o bebê por arrependimento. Não foi o caso de Pâmela, que hoje, inclusive, ajuda sua famí­lia biológica. Eu, felizmente, conheço meus irmãos e pais biológicos. Assim que eu nasci, já sai do hospital com meus pais adotivos. Durante a gestação da minha mãe biológica já sabia que não tinha condiçíµes de me criar. Como ela conhecia os meus pais adotivos e sabia que eles não poderiam ter filhos, perguntou se eles queriam me adotar. Meus pais prontamente aceitaram. Hoje me dou bem com minha mãe biológica. Visito e ajudo ela, pois tem mais três filhos e í s vezes passa por dificuldades. Sou grata a ela também, pois só quis o meu melhor. E sou muito feliz graças a ela. Então, eu sou feliz de tudo que é jeito! Agradeço muito a Deus por isso. Realmente é incrí­vel.

Pâmela é muito bem resolvida com a questão da adoção e inclusive deseja adotar um dia. O amor, a cumplicidade e a reciprocidade que existe não tem explicação! O amor é em dobro. í‰ amor e muita, mas muita gratidão. Pois se de um lado alguém que nos gestou não nos quis, ou não pode ter levado a diante por não ter condiçíµes, alguém do outro lado nos aceitou e nos esperou de braços abertos. Nos deu a oportunidade de amar e ser amada! Me orgulho muito de ser adotada e quero fazer o mesmo por alguém. Pois só quem vive esse sentimento sabe o quanto significa, concluiu ela.

No Brasil a burocracia faz com que os trâmites de adoção sejam lentos. Cerca de 40 mil crianças e adolescentes ainda vivem em abrigos í  espera de decisíµes judiciais quanto í  reintegração í  famí­lia biológica ou adoção.

 

 

Avó que virou mãe

 

 

FOTO: Jodoel sempre ao lado da avó. Hoje ele é o homem da casa.

 

Dona Marli Vargas Peres não contava que, após ter os filhos crescidos, teria que assumir o papel de mãe novamente – e ainda por cima de três crianças pequenas! Após a morte trágica de sua nora em um acidente de trânsito, dona Marli não pensou duas vezes na hora de decidir com quem iriam ficar seus netos Jodoel Cardoso (na época com 5 anos), Juliana (com 4 anos) e Mariana (com 2 anos). Nosso pai não tinha conhecimento e condição para nos criar. Foi então que um anjo enrustido em pele humana apareceu: minha avó paterna Marli, contou Jodoel.

Mesmo passando por muitas dificuldades, dona Marli não hesitou em criar os netos da melhor maneira possí­vel. Durante nossa criação passamos por muitos percalços. Desde a superação da morte da nossa mãe até problemas econí´micos. Ela sempre nos criou com um salário mí­nimo, mas mesmo assim nunca deixou que passássemos fome. Até hoje não entendo como isso foi possí­vel. Na maioria das vezes deixava de comprar coisas básicas para si mesmo e nos dava o mais simples conforto, disse Jodoel.

Os ensinamentos, o carinho e a força de vontade da avó Marli fizeram a diferença na vida dos netos. Aprendi com ela, muitas vezes na marra, a ser um homem de verdade. Quando digo homem ressalto as caracterí­sticas para se tornar um ser de boa í­ndole. Aprendi a respeitar todas as formas de expressão do ser humano (sexo, cultura, gostos, sentimentos…). Aprendi com ela o verdadeiro valor do trabalho e de suas recompensas. Aprendi a nunca abaixar a cabeça para os problemas e sempre enfrentá-los com o peito aberto. Aprendi a superar as perdas e seguir em frente. Enfim, aprendi a ser gente, como ela mesma diria, assegurou Jodoel.

O neto mais velho ressaltou ainda a gratidão que tem pela avó por tudo que ela fez nesses 15 anos – e tudo que ainda faz. Agradeço a ela por tudo. Agradeço a quem quer que seja que a tenha colocado em minha vida. Agradeço por Marli ser a pessoa mais resistente e forte que eu conheço. As palavras não são suficientes para expressar tal sentimento. Mas as que mais resumem tudo que sentimos por ela é: OBRIGADO e EU TE AMO! Feliz dia das mães, finalizou Jodoel.

 

 

 


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