AJUSTE FISCAL EM TORRES: Prefeita explica cortes no orçamento municipal

27 de julho de 2015

Prefeita Ní­lvia Pereira respondeu uma entrevista do jornal A FOLHA acerca dos ajustes fiscais no orçamento municipal

 

Por Fausto Junior

_______________

 

No começo do mês de julho, o Jornal A FOLHA publicou uma matéria – baseado em um comunicado da assessoria de imprensa da prefeitura –  sobre cortes financeiros projetados no orçamento de Torres, para que a administração conseguisse executar o chamado ajuste fiscal (fantasma de todas as prefeituras do Brasil em 2015).

Na matéria, os ajustes sinalizavam para o corte em parte das horas-extras de todos os servidores em 20%; do corte de gastos CCs em 10%; e do corte de parte das diárias dos servidores do municí­pio em geral. Mas um decreto assinado pelo prefeito em exercí­cio, Ildefonso Brocca (nas férias da prefeita Ní­lvia) sugeria outras possibilidades de ajustes no fluxo de despesas da municipalidade.

A FOLHA decidiu então elaborar – via email –   uma entrevista a prefeita Ní­lvia Pinto Pereira sobre o assunto. Voltando do descanso de 15 dias, a gestora maior da cidade (devidamente assessorada pelas Secretarias da Fazenda do Planejamento)  dá sua versão sobre o ajuste fiscal e os cortes de despesas na prefeitura de Torres.

 

*******************************************

 

ENTREVISTA: Ní­lvia Pinto Pereira

Prefeita de Torres

 

A FOLHA “ Qual seria o déficit projetado para o ano de 2015 das contas da prefeitura, caso as despesas continuassem sem cortes?

 NíLVIA PEREIRA –  Poderí­amos chegar a um déficit de aproximadamente 8 milhíµes. A partir da redução da atividade econí´mica – e a consequente redução das receitas – não terí­amos como manter na execução orçamentária o equilí­brio das contas públicas   e o cumprimento das metas fiscais para o exercí­cio financeiro sem os cortes.

 

A FOLHA – Além do corte nos gastos com pessoal, quais as áreas ou projetos que sofrerão neste ajuste fiscal? Vão haver projetos de convênio cancelados? Quais?

NíLVIA PEREIRA –  A intenção não é suspender, mas fazer as reduçíµes necessárias priorizando metas com custos reduzidos. A restrição de despesas de custeio e identificação de investimentos a serem contemplados(contrapartidas possí­veis) dependem do comportamento da receita e das iniciativas para sua ampliação. As unidades orçamentárias e administrativas competentes adotarão as medidas e procedimentos, inclusive com relação aos contratos e í s licitaçíµes, necessários para a redução das despesas e a sua adequação aos limites fixados no Decreto n º 153, de junho de 2015, que prevê   o replanejamento dos projetos.

 

A FOLHA “ Quais as receitas que mais diminuí­ram no orçamento projetado da prefeitura de Torres e, se possí­vel responder, qual a perda calculada para os cofres no ano de 2015?

NíLVIA PEREIRA –  Com a crise e a redução da atividade econí´mica (no paí­s e municí­pio), houve redução (no orçamento) em todas as áreas, Receitas próprias, FPM “ Fundo de Participação dos Municí­pios e transferências estaduais – principalmente na área da saúde – que acabam sendo custeadas também pelo municí­pio, com recursos que seriam contrapartida de investimentos da prefeitura.

 

A FOLHA “ Haverá algum projeto de fomento í  arrecadação?

NíLVIA PEREIRA –  Sim, a Prefeitura   promoveu o REFIS, programa que estimula os devedores a procurar o setor adequado para refinanciar as dí­vidas com o municí­pio e audiências conciliatórias em parceria com o Fórum Central. Além disso o setor de Comunicação da Prefeitura estará encaminhando SMS para os devedores sinalizando as possibilidades de negociação. Foi implantada também a campanha Restringir despesas e ampliar receitas dirigida a todos os setores da Prefeitura. Estudamos outras medidas visando atualização de débitos com a prefeitura – utilizando o 13 ° Salário dos devedores e um Programa de Estimulo a Cidadania Fiscal – medidas que estariam beneficiando tanto o cidadão que exige quanto o que emite nota fiscal eletrí´nica. Com isso esperamos fomentar a ampliação da arrecadação.

 

A FOLHA – Sem levar em conta os cortes de pessoal (que, parece, são horizontais), a Saúde, a Educação e a Ação Social fazem parte da lista de cortes orçamentários?

NíLVIA PEREIRA –  A redução, e a racionalização dos custos de Pessoal é apenas um dos itens. O custeio, os eventos e os investimentos também entram na conta despesas. Foi estabelecido   um mecanismo de limitação de empenhos e movimentação financeira nos montantes necessários, como transferências voluntárias, operaçíµes de crédito, alienação de ativos, desde que ainda não comprometidos em todas as Secretarias Municipais.

 

A FOLHA –  Os investimentos em obras urbanas podem estar prejudicados? O governo Federal cortou algum repasse de convênio?

NíLVIA PEREIRA –  As obras urbanas que dependem do fluxo de receitas para pagamento de contrapartidas podem ser prejudicadas se estas não normalizarem. Os convênios   com o Governo Federal se mantêm ativos. Para sermos didáticos, reduziram-se as receitas, aumentaram as despesas(Saúde, por exemplo), faz-se necessário cortar parte dos nossos custos ordinários para suprir essas despesas bem como reavaliar nossos investimentos. Em paralelo buscaremos devedores e receitas fiscais que reequilibrem nosso orçamento.

 

A FOLHA – O acesso Sul da cidade (via  ainda está na lista de obras neste governo?

NíLVIA PEREIRA –  Sim. Inclusive as obras continuam ocorrendo (sempre que o tempo permite). As obras no acesso Sul compreendem as ruas Carlos Welausem Porto, Universitária, Luiz Gonzaga Capaverde, Eldorado, Santa Helena, José Inácio de Matos e avenida Independência.

 

A FOLHA – Como a comunidade podem auxiliar a prefeitura nesta atitude de ajustes de contas generalizado em Torres?

NíLVIA PEREIRA –  Precisamos entender que, antes de aumentarmos impostos, devemos buscar arrecadar dos devedores e atacar a sonegação fiscal nos três ní­veis (União, Estados e Municí­pios), o que já seriam um bom incremento na receita. O cidadão que se mantém  em dia com as dí­vidas com o municí­pio e exige Nota Fiscal Eletrí´nica, e assim contribui para o conjunto da sociedade. O perí­odo é de Restringir despesas e ampliar receitas sem aumentar impostos", cobrando de quem deve, reduzindo a sonegação pela emissão da Nota Fiscal Eletrí´nica,  selecionando as despesas e reavaliando as metas de investimento. A médio prazo,   com a retomada da atividade econí´mica, reavaliamos e retomamos parte dos investimentos (que ficaram pendentes).  

 

 


Publicado em:







Veja Também





Links Patrocinados