Segundo proprietário, empresa continua deficitária apesar do último reajuste da tarifa. Já usuários fazem criticam aos í´nibus
Por Guile Rocha
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A situação do transporte coletivo em Torres – serviço fornecido pela Torrescar – vem sendo alvo de críticas de leitores do jornal A FOLHA. A falta de conforto, a situação de sujeira/ poeira em alguns coletivos, atrasos eventuais e a precariedade de alguns í´nibus – que estariam muito velhos – são reclamaçíµes feitas por usuários que chegaram até nossa redação, via email ou redes sociais. Algumas pessoas reclamam ainda que, apesar da tarifa ter subido de R$ 2,40 para R$ 2,90 (no dia 01 de junho deste ano) não houveram melhorias significativas nos coletivos.
Em função da contestação feita pelos leitores, o jornal A FOLHA foi conversar novamente com o diretor da Torrescar, Delci Dimer. Ele reiterou que, apesar do reajuste na tarifa do í´nibus ter saido, após muitos anos de defasagem, a empresa continua deficitária. Por isso queria mais: pedia que a tarifa passasse para R$ 3,50. De acordo com ele, o montante pedido seria resultado de um estudo que computou as despesas com funcionários, impostos, combustíveis e manutenção da frota. "Também foi considerado o índice entre 27% e 30% de passageiros que são isentos do pagamento da passagem", informou Delci. Pela legislação, ficam isentos de pagamento da tarifa os passageiros com mais de 65 anos e as crianças até cinco anos de idade.
Renovação de frota prevista
Ainda que o reajuste tenha sido menor do que a Torrescar esperava, Delci afirma que a frota está sendo gradualmente renovada: 2 í´nibus novos estão previstos para os próximos meses, sendo que o primeiro deve chegar dentro de 30 dias. "Temos 8 í´nibus em circulação no município. Alguns são antigos, tem mais de 10 anos (tempo máximo de uso para veículos do transporte coletivo na cidade, segundo a PL 3000/95), mas gradualmente pretendemos tirar os mais í´nibus mais velhos de circulação. Também estão previstas melhorias, como instalação de catracas nos carros que ainda não possuem o equipamento".
Conforme informa Delci, os í´nibus da Torrescar tem aval da prefeitura para circular, aval conquistado a partir de um laudo positivo em auditoria – feita regularmente pelo Inmetro. "Não temos histórico de acidentes sérios, nossa frota passa por vistorias e manutenção diariamente na empresa. Nosso histórico também mostra que não há grandes atrasos, e quando ele acontece geralmente é por problemas relacionados a alagamentos, problemas na estrutura das vias para o tráfego dos í´nibus", diz o diretor da Torrescar, que continua: " Se andássemos só sobre o asfalto bom, seria outra história, mas pegamos itinerários difíceis – estradas rurais, buracos nas vias, poeira, lodaçal – e com isso os í´nibus acabam se danificando, ficando sujos durante o trajeto (mas são limpos assim que chegam na empresa). Um exemplo do custo das mas vias é visto no í´nibus da Linha Paraiso: em 50 dias, foram 8 molas trocadas ".
Dificuldades para viabilizar a empresa
O empresário e diretor da Torrescar afirma que, nos útlimos 10 anos, houve redução de cerca de 20% no número de passageiros usuais das linhas de í´nibus aqui na cidade. "Com a melhora do poder aquisitivo de muitas pessoas, hoje muita gente já substituiu o í´nibus pelo carro próprio", lamenta Delci. Ele pensa que o governo federal trilhou o caminho inverso ao da popularização do transporte coletivo, ao dar incentivos para a venda de automóveis (em larga escala) e aumentar o preço do óleo diesel. "Chegamos a uma situação crítica para o setor do transporte, tanto os caminhíµes como os í´nibus sofrem muito com o preço do diesel, que já é quase o mesmo que o da gasolina. Se o combustível fosse mais barato e os impostos menores, a tarifa do í´nibus também seria menor".
Outras duas medidas que também vêm complicando a viabilização da companhia em Torres são: 1) O alto número de não pagantes, pois idosos acima de 65 anos ou crianças com menos de 5 anos chegam a ser 40% do público em algumas linhas; 2) Segundo Delci, cerca de 50 í´nibus foram adquiridos pelas prefeituras de Torres e microrregião, e este transporte público – e gratuito – aos estudantes acabou com um serviço que era realizado pelas empresas privadas, como a Torrescar.


