GESTOR DO PARQUE ITAPEVA RESPONDE í€ OFENSAS NA TRIBUNA DA Cí‚MARA

31 de agosto de 2015

 

 

Gestor do PEVA, Paulo Grubler (e) respondeu ataques do vereador Dê Goulart (d)

 

Por Fausto Júnior

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Na última sessão da Câmara dos Vereadores de Torres, realizada na segunda-feira (24/8), o diretor do Parque Estadual Itapeva teve seu espaço – requerido já faz tempo na Tribuna Popular da Câmara de Vereadores – para responder í  ataques pessoais feitos contra ele quanto gestor da reserva ecológica localizada em Torres –  de competência do Estado do RS, ligado í  Secretaria Estadual do Meio Ambiente.

Paulo Grí¼bler respondeu aos ataques pessoais feitos pelo então secretário de Indústria e Comércio de Torres, o agora vereador Deomar Goulart, que, ao atacar problemas oriundos da implantação lenta do parque em Torres, acabou atacando a pessoa de Grí¼bler – direta e contundentemente. Na tribuna, o gestor acabou afirmando publicamente que "os ataques do vereador Dê (presente na sessão) foram feitos por desinformação do mesmo quando í  legislação que ilumina a implantação do Peva (Parque Itapeva) aqui na cidade, em movimento há treze anos. Grí¼bler acabou sendo de certa forma gentil com o vereador. O então secretário passou um atestado de desconhecimento de como deve agir um gestor público em suas atribuiçíµes, pois um gestor público deve agir conforme a lei, independente de opiniíµes, disse o diretor do Parque. Não foi por maldade, foi por falta de capacidade de compreensão, afirmou.

 

Ameaça ou transparência?

 

 Após o discurso do gestor do Parque de Itapeva, o vereador Deomar Goulart (PDT) voltou a justificar sua indignação em relação as açíµes que envolvem o Parque Itapeva. Conforme afirmou Dê, são açíµes que prejudicam moradores do entorno da reserva ambiental em Torres. Acho que o senhor está ficando com um conceito ruim na comunidade. Talvez aconteça como já aconteceu com um promotor, que foi transferido da cidade por este motivo, afirmou Dê. Paulo Grubler respondeu, indagando com ironia, se esta afirmação se tratava de uma ameaça. E, a seguir, disse que manteria sua posição como gestor do parque, justificando todos os atos reclamados pela sociedade como atos que foram, todos, dentro da legalidade.

 

Outros vereadores reclamam

 

 O vereador Davino Lopes (PT), em seu espaço na Câmara – e aproveitando a presença de Paulo Grubler no Plenário da casa, também reclamou das açíµes do Parque Itapeva na cidade. Sou í  favor do Parque Itapeva, mas acho que os gestores estaduais e locais não sabem o que estão fazendo, reclamou Davino. O parque não tem sequer demarcação, apesar de instituí­do há anos na cidade. Isto, por si só, demonstra falta de comprometimento das gestíµes ambientais com as demandas de Torres, continuou o vereador. Por um lado vejo pessoas se aproveitando da falta de ação local e, por outro, ninguém sabe o que pode ou o que não pode fazer, encerrou Davino Lopes.

De novo com a palavra, o próprio Dê Goulart estampou um caso. Conforme disse, um amigo comprou um terreno por R$ 10 mil, mas já levou uma multa do Peva de R$ 15 mil. O cara está desesperado, doente, reclamou Deomar em seu espaço na Câmara. Estamos falando de um decreto de lei. E decreto de lei é uma lei imposta, deveria ser revisto, bravejou o vereador.

Fábio da Rosa (PP) também reclamou dos sistêmicos problemas causados pela implantação do Parque Itapeva na cidade. O Parque Itapeva já está se tornando antipático para a comunidade. Deve-se mudar o enfoque. Eu me criei brincando nas dunas no bairro da zona sul da cidade, mas agora é proibido, disse Fábio.

 

 Manifesto em Defesa do Parque de Itapeva é lançado

 

E diante da situação de ataques ao Parque de Itapeva, diversas pessoas, identificadas com a preservação do patrimí´nio ambiental de Torres, elaboraram um documento em defesa desta importante unidade de conservação, como forma de tornar pública tal situação, reiterando o papel estratégico que o Parque de Itapeva desempenha para o futuro de Torres e da região. O documento ressalta a urgência de proteger este patrimí´nio inserido no Bioma Mata Atlântica, Patrimí´nio da Humanidade, e aponta para o seu papel fundamental na manutenção da biodiversidade e na identidade cultural e paisagí­stica de Torres e região.

O  Manifesto em Defesa do Parque Estadual de Itapeva  é assinado por personalidades de Torres vinculadas a coletivos organizados da cidade, identificados com a luta pela cidadania e pela sustentabilidade: Coletivo Dimensão Ecológica, Centro Ecológico, ONG Onda Verde, Associação de Surfistas de Torres (AST), Cineclube Torres, Espaço Cultural Ten Caten, Pró-Squalus, Associação Torrense das Agências de Viagem (ATAV), Associação Defesa Civil do Patrimí´nio Histórico (DEFENDER), Ecotorres, Espaço Mar Jamboo, DCE UFRGS Campus Litoral Norte, Centro de Professores Municipais de Torres (CEPEMTO) entre outros signatários.

O Manifesto em Defesa do Parque de Itapeva foi protocolado junto aos poderes executivo, judiciário e legislativo Municipal, Estadual e Federal, a saber: Comissão de Meio Ambiente da Câmara de Vereadores de Torres, Prefeitura Municipal de Torres, Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo de Torres, Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Assembléia Legislativa do RS, Secretaria Estadual do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do RS, Ministério Público do Meio Ambiente da Comarca de Torres e Ministério Público Federal da Comarca de Capão da Canoa. Confira abaixo o documento na í­ntegra:

 

 

 

 Nós, representantes da sociedade civil e organizada de Torres, vimos a público manifestar nosso apoio í  equipe gestora do Parque Estadual de Itapeva. Consideramos que o desconhecimento a respeito da importância e dos mecanismos que regem esta e outras unidades de conservação, tem motivado algumas manifestaçíµes que atacam injustamente o Parque de Itapeva e seus gestores. Entendemos que o Parque de Itapeva, inserido no bioma Mata Atlântica, Patrimí´nio da Humanidade, é essencial para a manutenção da biodiversidade e a proteção í s espécies ameaçadas de extinção. Para a região de Torres, estes ambientes são vitais, pois também garantem a preservação de sua identidade ambiental, cultural e histórica, resguardando sí­tios arqueológicos protegidos por lei. Comparativamente aos demais municí­pios do Litoral Norte do RS, Torres possui uma situação privilegiada, pois mantém importantes parcelas da sua paisagem original ainda preservadas. A conurbação da malha urbana, que vem descaracterizando a paisagem de outros municí­pios litorâneos ao sul de Torres, é um alerta para os efeitos indesejados que a falta de limites para o crescimento pode acarretar.

 As alegaçíµes de que a malha urbana de Torres precisa se expandir em direção í s áreas de preservação tidas como desocupadas, demonstram insensibilidade e um profundo desconhecimento a respeito da riqueza em potencial que tais lugares guardam. Um dos benefí­cios das áreas destinadas í  preservação é o turismo ecológico, que por ser uma atividade econí´mica de baixo impacto sobre o ambiente, tornou-se uma das modalidades de turismo que mais cresce no mundo todo. Da mesma forma, a Educação Ambiental se beneficia com a manutenção destes ambientes ecologicamente sadios, pois permite uma relação qualificada da população com o seu meio. í‰ também importante salientar que a própria saúde social da cidade depende desta relação, pois ambientes urbanos degradados, que não possuem vestí­gios da paisagem original, estimulam comportamentos desajustados e violentos, devido ao seu caráter inóspito.  Reconhecemos que é necessário estabelecer bases concretas para o desenvolvimento, respeitando limites que possibilitem í s geraçíµes futuras, a fruição e o contato com a natureza, que hoje ainda temos o privilégio de desfrutar. Privar   nossos descendentes deste privilégio é um crime que lesa os princí­pios mais fundamentais da humanidade. O Parque de Itapeva representa o que os cientistas denominaram como O Portal de Torres, ou seja, a confluência de vários ecossistemas de extrema importância, dentre os quais se destacam a Mata Paludosa e o Cordão de Dunas Costeiras, vitais no equilí­brio hidrológico de nossa região. Por estas razíµes, defendemos o uso sustentável da área do Parque, de acordo com o zoneamento estabelecido pelo Plano de Manejo, bem como da faixa de praia defronte ao mesmo, e  posicionamo-nos a favor de estudos responsáveis, que apontem a melhor forma de efetivar este regramento.  Esta unidade de conservação abriga importantes remanescentes da Mata Atlântica que garantem um banco genético que no sentido simbólico, representa uma verdadeira arca de Noé, capaz de garantir í s geraçíµes futuras a segurança indispensável para uma vida fí­sica, mental e espiritualmente sadia.

 Por tudo o que está exposto acima, repudiamos os injustificados ataques efetuados contra o Parque Estadual de Itapeva e os seus gestores, pois os mesmos vêm atuando com ética, coerência e responsabilidade em defesa deste patrimí´nio público.

 

 

 


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