EDITORIAL – VIOLENCIA URBANA EM TORRES NíO í‰ PROBLEMA Sí“ DA POLíCIA

16 de outubro de 2015

 

Por Fausto Junior

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Nos últimos meses, a cidade de Torres tem sido protagonista de vários assassinatos violentos. Em 2015, já foram 15 homicí­dios no municí­pio, um dado que preocupa. Por trás disso, há duas causas diferentes. Uma é o aumento da violência em toda a sociedade brasileira – numa chaga que migra dos centros urbanos para o interior e vice-versa. Outra é a realidade da guerra entre as chamadas gangues, que dominam o tráfico de drogas na cidade junto com outras demonstraçíµes de violência destes grupos – geralmente formado por jovens vindos de famí­lias desestruturadas – que culminam em queima de arquivo por vingança ou motivos fúteis (como se a nossa vida neste mundo pouco valesse).

Ao mesmo tempo, uma pesquisa realizada no Brasil apontou que metade da população é favorável ao extermí­nio de bandidos. Este dado é preocupante. Mostra que a segurança pública tem que ser vista pelas autoridades governamentais não só como um problema de polí­cia; mas como um problema de violência urbana, causada por outras mazelas sociais, que envolvem Saúde, segurança psicológica e, acima de tudo, falta de Educação e Informação.

Muito mais do que um atestado de crueldade, o fato de que 50% dos brasileiros são favoráveis ao extermí­nio de bandidos reflete o estado de insegurança do paí­s. O dado, que não chega a surpreender, é a revelação mais impactante de pesquisa do Instituto Datafolha, realizada para o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, entidade que congrega profissionais especialistas em violência urbana. A primeira conclusão dos avaliadores da amostragem é a de que o medo da violência leva as pessoas a concordarem com a absurda expressão de que "bandido bom é bandido morto". Este último parágrafo foi posição editorial do jornal Zero Hora do dia 8 de outubro passado, o que mostra a preocupação de muitas entidades envolvidas no dia-a-dia da sociedade, como a imprensa.

Trata-se, portanto, de um grito de legí­tima defesa e de protesto contra um Estado inoperante, que não assegura condiçíµes mí­nimas de proteção e segurança í  população. Desejar a morte do agressor é um anseio presente em sociedades marcadas pelo crescimento da delinquência e pelas omissíµes do setor público. Por isso, é um equí­voco achar que os usuários da infeliz frase "sairão por aí­ matando negros e pobres", como alegam simploriamente alguns analistas apressados. A realidade é que os brasileiros não suportam mais o cotidiano de roubos, assaltos, homicí­dios e violências da qual são ví­timas ” nem sempre explicado pela condição de pobreza ou miséria de seus praticantes. |(Zero Hora)

Aqui na cidade de Torres, o Conselho de Segurança Pública (Consepro) e outras autoridades municipais deveriam se reunir com a BM e com a Polí­cia Civil para tentar traçar um Plano Municipal de Segurança Urbana. A situação de aumentos de morte de jovens nos últimos meses chama a atenção.   E nossa sociedade não pode comemorar as mortes quando constata que é criminoso se atacando, que vêm sendo a causa da maioria desta violência. Se acalmar com isto pode fazer com que a justiça feita pelas próprias mãos possa virar cultura na sociedade, o que é muito perigoso.


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