Por Karin Hamerski Madeira Schaefer (Mestre em Saúde e Gestão do Trabalho)e Leandra Carlos da Rosa (Acadêmica do 9 º semestre do Curso de Enfermagem, ULBRA/Torres).
O exame citopatológico ou papanicolau, popularmente conhecido como preventivo do câncer de colo de útero é um dos mais importantes exames para a saúde da mulher. Este exame é simples e tem reduzido as mortes por câncer de colo de útero em 70%, desde sua criação pelo Dr. George Papanicolau em 1940. O sucesso do exame se deve í detecção segura e rápida de células que predispíµem o câncer de colo uterino, além de algumas doenças sexualmente transmissíveis (DST).
O Ministério da Saúde, por meio do Instituto Nacional de Câncer (INCA), definiu que, no Brasil, o exame colpocitológico deve ser realizado em mulheres de 25 a 60 anos de idade ou em mulheres com idade inferior a 25 anos, que iniciaram a atividade sexual antes desta faixa etária.
Os principais fatores de risco identificados para este tipo de câncer estão associados í s baixas condiçíµes socioeconí´micas, ao início da atividade sexual, í multiplicidade de parceiros, ao tabagismo (diretamente relacionados í quantidade de cigarros fumados), í higiene íntima inadequada e ao uso prolongado de contraceptivos orais.
Estudos recentes apontam que o vírus papiloma humano (HPV) tem papel importante no desenvolvimento da neoplasia das células cervicais e na sua transformação em células cancerosas. Este vírus está presente em mais de 90% dos casos de cânceres do colo do útero. A transmissão da infecção pelo HPV ocorre por via sexual, presumidamente por meio de abrasíµes microscópicas na mucosa ou na pele da região anogenital. Consequentemente, o uso de preservativos (camisinha) durante a relação sexual com penetração protege parcialmente do contágio pelo HPV, que também pode ocorrer por intermédio do contato com a pele da vulva, a região perineal, a perianal e a bolsa escrotal.
A infecção pelo HPV apresenta-se na maioria das vezes de forma assintomática, com lesíµes subclínicas (inaparentes), já as lesíµes clínicas podem ser únicas ou múltiplas, restritas ou difusas, de tamanho variável,planas ou exofíticas, sendo também conhecidas como condiloma acuminado, verruga genital ou crista de galo. As lesíµes aparecem com maior frequência na vulva, no períneo, na região perianal, na vagina e no colo do útero. Menos comumente podem estar presentes em áreas extragenitais como conjuntiva, mucosa nasal, oral e laríngea. Dependendo do tamanho e localização anatí´mica, as lesíµes podem ser dolorosas, friáveis e/ou pruriginosas.
As lesíµes precursoras do câncer do colo do útero são assintomáticas, podendo ser detectadas por meio da realização periódica do exame citopatológico e confirmadas pela colposcopia e exame histopatológico. No estágio invasor da doença os principais sintomas são sangramento vaginal (espontâneo, após relação sexual ou esforço), corrimento e dor pélvica, que podem estar associados com queixas urinárias ou intestinais nos casos mais avançados.
Para prevenir a doença já existem duas vacinas aprovadas e comercialmente disponíveis no Brasil: a bivalente, que protege contra os tipos oncogênicos 16 e 18, e a quadrivalente, que protege contra os tipos não oncogênicos 6 e 11 e os tipos oncogênicos 16 e 18.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (WHO, 2007), uma das estratégias para a detecção precoce é o rastreamento, que é realizado através do exame citopatológico em mulheres assintomáticas, aparentemente saudáveis, com objetivo de identificar lesíµes precursoras ou sugestivas de câncer e encaminhá-las para investigação e tratamento.
As recomendaçíµes prévias para a coleta do exame citopatológico são:
Não utilizar lubrificantes, espermicidas ou medicamentos vaginais 48 horas antes da coleta, pois essas substâncias recobrem os elementos celulares dificultando a avaliação microscópica, prejudicando a qualidade da amostra.
Evitar a realização de exames intravaginais, como a ultrassonografia, 48 horas anteriores í coleta, pois é utilizado gel para a introdução do transdutor.
Não realizar o exame no período menstrual, pois a presença de sangue pode prejudicar o diagnóstico citopatológico. Deve-se aguardar o quinto dia após o término da menstruação.
Embora usual, a recomendação de abstinência sexual prévia ao exame só é justificada quando são utilizados preservativos com lubrificante ou espermicidas. Na prática a presença de espermatozoides não compromete a avaliação microscópica.


