EM TORRES, Sí“ NíO LÊ QUEM NíO QUER

1 de novembro de 2015

Além da tradicional Biblioteca Pública, estabelecimentos privados se diferenciam disponibilizando livros gratuitos para clientes

Por Fausto Jr
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A moda politicamente correta do racionalizar, socializar e não desperdiçar foi a geradora de uma nova (e boa) onda no mundo das artes. Visando evitar que livros lidos ou fora do gosto familiar ficassem parados em estantes dos lares brasileiros, cidadão privados começaram a criar várias iniciativas públicas para transformar este limão em uma boa ‘limonada social’. Livros começam a ser oferecidos de forma gratuita para leitura, como bibliotecas públicas fazem há séculos por todo o mundo.

Diferencial social de estabelecimentos comerciais
Em Torres, geralmente a nova atitude social privada é realizada dentro de estabelecimentos comerciais, em pontos de alto fluxo de pessoas a serem atendidas – como cafés, rodoviárias, bancos, clubes, restaurantes. A atitude começa a aparecer, e o sistema muda um pouco de ponto a ponto, mas na essência é o mesmo: Pessoas são convidadas a levarem e doarem livros que estão parados e juntando pó nas estantes de seus lares. Em troca, são convidadas e ler um livro que ainda não leram e que está disponí­veis nestes mesmos lugares.

Mas os verdadeiros beneficiados são í queles cidadãos que não têm o hábito de ler mas que, pela facilidade da oportunidade, podem adquirir o hábito ao usufruí­rem de um livro sem ter de pagar por isto. Alguns estabelecimentos forçam para que todos os livros retirados sejam devolvidos após serem lidos. Mas outros sequer salientam isto – embora fique explicito na proposta esta atitude autossustentável dos projetos. O serviço adicional acaba diferenciando os estabelecimentos comerciais, por terem uma atitude social e igualitária gratuita inserida num ambiente capitalista regular, de troca de serviços por dinheiro.

Carência de disciplina e alguns desajustes são fruto de falta de educação
Em Torres, num levantamento superficial, A FOLHA conseguiu elencar cinco lugares que praticam esta atitude social de troca de livros: O Doce Art Café foi o pioneiro e trabalha até hoje no projeto chamado ‘Cantinho de Leitura’. A SAPT possui o serviço também há anos. E nesta ano de 2015,  ao menos mais três lugares em Torres implantaram o sistema de socialização,   racionalização   e incentivo í  leitura de livros: a Estação Rodoviária da cidade, O Banrisul e o restaurante Mais Sabor.

Na reportagem feita na maioria dos locais, A FOLHA constatou que a falta de educação e espí­rito comunitário são as únicas mazelas do sistema. Os estabelecimentos reclamam das mesmas coisas: a não devolução de livros, o não registro de saí­da em alguns lugares que pedem esta formalização e (o mais triste) algumas pessoas que retiram mais de um livro cada vez e não devolvem, demonstrando a clara intenção de montar um canto de leitura privado,
 em suas casas, ‘furtando’ os livros de um local onde eles servem para outra coisa: serem socializados e devolvidos.

Participar é uma atitude social individual
Mas nenhum destes estabelecimentos desistiu. Ao contrário, todos pedem que as pessoas de Torres em geral participem, fazendo em seus lares justamente o âmago do projeto: retirando livros que não são nem serão mais utilizados e disponibilizando-os para que outros possam os ler – incentivando inclusive que algumas pessoas possam ter a chance de iniciar um hábito de leitura sem ter de gastar com isto. Ou seja: que pratiquem individualmente um ato social pela cultura. Pois são estes novos leitores que podem vir a ser consumidores de livros socializados também podem tornar-se consumidores de livros vendidos. Afinal, ler é um saudável ví­cio, que nos leva a entender o mundo e viajar na imaginação. Após, virá a vontade de querer comprar lançamentos, clássicos e outras literaturas para ter em casa guardado, sendo fonte de consulta em muitos casos ou sendo mais uma doação para que outras pessoas possam passar a ser adictos deste ví­cio do bem. Este ví­cio que ensina, que dá poder de saber, poder que não se compra em lugar algum, se conquista.

 

Ainda na vibração da leitura, dia 1 º de novembro ocorre a 1 ª ação de Leitura Livre, na Praça XV de Novembro , a partir das 16h. Realização da Prefeitura, por meio da Secretaria de Cultura e Esporte e Fecomércio/Sesc/Senac.

 


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