TODOS no combate ao Aedes Aegypti

14 de dezembro de 2015



Com a chegada do verão, mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika tende a se reproduzir mais facilmente. í‰ preciso cuidado e colaboração de todos!


Por Maiara Raupp
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Combatido todo ano, o mosquito transmissor da dengue  será alvo de uma campanha maior de prevenção no Rio Grande do Sul neste verão. O Aedes Aegypti é também responsável por espalhar a febre chikungunya e o zika ví­rus, identificado pela primeira vez no Brasil em abril deste ano e que tem causado preocupação entre as autoridades da saúde.
Apesar de menos agressivo que a dengue, o zika ví­rus pode estar relacionado a um aumento expressivo no número de bebês nascidos com microcefalia ” má-formação que faz com que o cérebro do bebê não se desenvolva corretamente.   Esse fení´meno foi registrado principalmente no Norte e no Nordeste, mas também observado em São Paulo, Rio de Janeiro e no Paraná. O Rio Grande do Sul não tem casos notificados até o momento. A doença ainda não chegou ao Estado, mas temos certeza de que vai se espalhar. Vamos fazer uma operação de guerra para combater sua transmissão, afirmou o secretário estadual da Saúde, João Gabbardo dos Reis.

Clima contribui para proliferação do mosquito

Não bastasse 2015 registrar o recorde no número de mortes causadas pela dengue no paí­s ” 693 apenas nos oito primeiros meses do ano ”, há evidências de que o próximo verão será o cenário perfeito para a multiplicação dos criadouros de  Aedes Aegypti. Isso porque a previsão é de que enfrentemos o El Nií±o mais forte das últimas duas décadas. O fení´meno, que aquece as águas do Pací­fico, promete trazer ao continente uma estação mais quente e chuvosa do que o normal. Cenário ideal para o mosquito, que se prolifera com o calor e a umidade. Por conta disso, especialistas e autoridades sanitárias temem uma elevação dos casos de dengue, se não houver prevenção eficaz, e agora do zika ví­rus.
O ví­rus da dengue provoca no mundo uma média de 390 milhíµes de infecçíµes a cada ano. No Brasil, foram registrados, somente até agosto, 1.416.179 casos prováveis de dengue. Esse número quase ultrapassou a quantidade de todo o ano de 2013, quando houve o recorde de 1.452.489 ocorrências.
Já em relação a mortes provocadas pela doença, o maior í­ndice anual foi alcançado agora. Foram 693 até agosto, cerca de 40% a mais do que no ano passado, quando houve 407 mortes. Este é o recorde desde que a doença começou a ser monitorada em detalhes, em 1990.
Infectologista do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ, Celso Ramos, destacou a grande influência do clima sobre a taxa de incidência de qualquer doença transmitida por mosquitos. Esse é o caso não só da dengue, mas da febre chikungunya e do zika. O médico explica que o mosquito não controla a temperatura do próprio corpo, então esta sempre depende da temperatura do ambiente. E, quanto mais quente o inseto fica, mais o ví­rus se multiplica dentro dele, tornando-o mais apto a fazer a transmissão.
O clima é um fator importante, embora não seja determinante. í‰ preciso também muita chuva e umidade no ar. Se estiver muito quente, mas a chuva não vier como o esperado, pode ser que os casos de dengue não aumentem. Mas, como há possibilidade de que isso aconteça, devemos nos preparar para esse cenário pior, disse Ramos.
Para reduzir riscos e protelar a chegada do zika ví­rus no RS, o governo coloca todas as suas forças no combate ao mosquito transmissor das doenças, que hoje já está presente em 168 municí­pios gaúchos. Lembrando que o Rio Grande do Sul ainda não registrou nenhum caso autóctone (contraí­do dentro do Estado) de zika e nem de microcefalia relacionada í  contaminação.

Zika ví­rus e a microcefalia
 
í‰ uma questão de tempo para que o zika ví­rus tenha casos registrados em todo o paí­s, garantiu o ministro da Saúde, Marcelo Castro, horas depois de ter divulgado um novo boletim de casos suspeitos de microcefalia. Castro mostrou que o Brasil já soma 1.761 registros de bebês nascidos em 2015 com a má-formação em 14 Estados, que pode estar relacionada í  infecção das mães, durante a gravidez, por zika.
O ministério investiga 739 casos suspeitos de microcefalia no Brasil. Pernambuco tem o maior í­ndice, com 487 ocorrências. Ainda sem dar respostas sobre o aumento no número de registros da condição, a pasta diz que está atuando de forma integrada com secretarias estaduais e municipais de saúde para investigar as ocorrências. No entanto, o ministro afirmou que há 90% de chances de os casos estarem relacionados ao zika ví­rus.
Nas últimas semanas, o Laboratório de Flaviví­rus do Instituto Oswaldo Cruz da Fiocruz/RJ constatou a primeira evidência para relacionar os casos. Foi encontrado o genoma do zika em amostras de duas gestantes da Paraí­ba que tiveram a confirmação de microcefalia em seus bebês.
A possibilidade de que a infecção pelo zika ví­rus durante os primeiros meses de gestação seja a causa do aumento no número de bebês com microcefalia no paí­s levou o Ministério da Saúde a declarar estado de emergência sanitária nacional.
O zika ví­rus infectou ao menos meio milhão de brasileiros neste ano, de acordo com a estimativa mais otimista do Ministério da Saúde. Já segundo a previsão mais pessimista, 1,4 milhão de pessoas foram contaminadas, conforme o Protocolo de Vigilância e Resposta í  Microcefalia e ao Zika.


 

 


O QUE í‰ DENGUE?
São doenças virais transmitidas exclusivamente pela picada do mosquito Aedes Aegypti. Não há transmissão entre pessoas.

ONDE PROCURAR AJUDA?
A orientação é se deslocar até uma unidade de saúde assim que uma pessoa apresentar sintomas de qualquer uma das doenças.

COMO COMBATER AS DOENí‡AS?
O controle é feito com o extermí­nio do mosquito Aedes aegypti. Ele se desenvolve em locais com água parada. í‰ fundamental o envolvimento da população para evitar sua proliferação. Para isso, recipientes que acumulam água devem permanecer fechados ou com a boca virada para baixo. Também é imprescindí­vel autorizar a entrada dos agentes de combate í  dengue em casa. Eles usam uniforme e são devidamente identificados.

COMO OCORRE A CONTAMINAí‡íƒO?
O mosquito pica uma pessoa com um dos ví­rus e é infectado. Ao picar outra pessoa, transmite a doença, que não é passada de uma pessoa para a outra. O mosquito costuma atacar no iní­cio da manhã e no final da tarde.

   

 


A campanha contra o mosquito também em Torres

FOTO: Equipe da vigilância ambiental em saúde de Torres no combate ao mosquito Aedes Aegypti


Em Torres os agentes de endemia estão realizando visitas domiciliares fazendo vistorias para combater a proliferação do mosquito Aedes Aegypti. De acordo com o coordenador da vigilância ambiental em saúde, Lasier França, o principal cuidado é a prevenção.
  O brasileiro é um povo que espera o mal acontecer para depois tomar uma providência. Não podemos fazer isso, temos que prevenir. E a melhor forma de prevenção é não deixar água parada, porque o mosquito não consegue se reproduzir, garantiu Lasier.
O coordenador pede que a população ajude a não deixar água parada no seu pátio. Se cada um fizer a sua parte já é um grande passo. A população não pode esperar só do poder público, a população tem que ser parceira, porque ela também é responsável por esse problema, assegurou o coordenador.
Lasier informou ainda que o Ministério da Saúde lançou a campanha ˜Sábado da faxina™na qual você reserva 15 minutos do seu sábado e faz uma limpeza no seu terreno. Uma vistoria naqueles baldinhos, na água do cachorro, faz uma limpeza na calha, vê como está a caixa de água, se está bem tapada, os ralos, aquele banheiro que não está sendo ocupado, os vasinhos de plantas. São essas pequenas açíµes que vão realmente nos ajudar muito, afirmou Lasier, pedindo ainda que os moradores recebam bem os agentes de endemia em sua casa. Muitas pessoas acabam não nos recebendo, dizendo que não tem nada, que cuidam do pátio. Mas muitas vezes conseguimos entrar nessas casas e coletamos muitas coisas, completou ele.

 


Apenas um caso de dengue registrado na cidade

 
Em Torres somente um caso de dengue foi identificado em abril, que foi contraí­do no próprio municí­pio. Foi o primeiro da história de Torres. Do zika ví­rus não teve nenhum – e no Estado há dois casos suspeitos, mas os resultados serão divulgados só a partir de 2016.
Para informar possí­veis lugares com água parada a população pode ligar para a vigilância ambiental, 3626-9150 ramal 420 ou 3626-1644 ou ainda entra em contato pelo email vigilanciaambiental@torres.rs.gov.br í‰ importante informar detalhes na hora da reclamação, como o local, ponto de referência, número da casa, para que se possa ter sucesso na hora de atender a denúncia.

Verão exige também cuidados com animais peçonhentos

 
Agora com o verão e o aumento das temperaturas, alguns animais tendem a sair de seus ambientes naturais. Com isso aumenta os incidentes com cobras, aranhas, escorpião, lagartas, desta forma o cuidado tem que ser redobrado. Conforme explicou Lasier, nenhum desses animais vai atacar se não se sentir ameaçado. O que acontece hoje é que nós estamos invadindo o espaço deles. Então muitas vezes eles se sentem acoados e acabam os atacando. Ou í s vezes a pessoa não vê o animal e acaba por ser atacado. Por isso temos que ter muita atenção, alertou o coordenador, informando ainda que no caso de qualquer acidente deste tipo os hospitais da região estão preparados para atender, pois todos possuem o soro antiofí­dico.

 

 

 


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