MUITOS CARROS (E PROBLEMAS) NO TRí‚NSITO DE TORRES

11 de janeiro de 2016


Foto que viralizou nas redes sociais,  flagrando invasão da faixa dedicada as bikes em Torres

 

 


Entre os últimos dias de 2015 e o começo de 2016, se proliferaram reclamaçíµes de moradores e veranistas em relação ao trânsito torrense. As principais reclamaçíµes eram 1) relativas aos exagerados congestionamentos – principalmente em alguns pontos estratégicos de aglomeração de veí­culos;  2) relativas ao estacionamento de carros em locais irregulares (sem grande fiscalização).

 


Por Guile Rocha

 

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No dia 02 de janeiro, uma foto de carros estacionados sobre a ciclovia da Prainha indignou e  viralizou, após ter sido compartilhada dezenas de milhares de vezes nas redes sociais. A foto foi tão replicada que, após, serviu de pano de fundo para matéria do jornal estadual  Zero Hora (no dia 4 de janeiro) e para uma charge do renomado Iotti, ironizando o motorista que estaciona "feito um idiota". O registro retrata a frustração da ciclista Martina Karpowicz frente a impossibilidade de transitar com sua bike pelo espaço destinado para ela. "Estávamos tentando passear pela ciclovia – já haví­amos passado pelo problema dos carros estacionados sobre ela na Praia Grande. Na Prainha, ficamos indignados com a falta de respeito (ao ver tantos carros obstruindo a ciclovia) e a foto foi tirada (o autor da foto pediu para não publicar seu nome) . Não imaginava que fosse ter a repercussão que teve". indicou Martina para o jornal A FOLHA. Ela continua: "Um registro da falta de respeito com as leis de trânsito e da falta de fiscalização por parte da Brigada Militar, também. A impressão que se tinha é que (durante o feriado de Réveillon) as pessoas estavam praticamente livres para fazerem o que quisessem: pessoas em seus carros,   irritadas com o trânsito e   esquecendo da gentileza, da educação. Um egoí­smo muito triste. Há quase 5 anos que moro em Torres e nunca tinha visto o trânsito dessa forma" finalizou a ciclista.
Mas a foto da ciclovia invadida pelos carros era apenas a ‘ponta do iceberg’ do desrespeito ao trânsito incorporado pelos motoristas: tornou-se cena corriqueira avistar os veí­culos estacionados irregularmente em canteiros públicos, ou até mesmo no meio de algumas ruas mais largas. No Facebook, usuários da rede social diziam que recorreram a Brigada Militar quanto a situação, sabe-se que alguns veí­culos até foram multados. Mas muito mais reclamou-se que a fiscalização de trânsito (responsabilidade da Brigada Militar) era precária ou ineficiente.
Em depoimento para a ZH, a secretária do Turismo de Torres, Vivian Rocha, indicou que a cidade não tem estrutura suficiente para a grande demanda de pessoas (entre 350 mil e 400 mil) que se aglomeraram na cidade durante o feriadão de Réveillon. Além disso, Vivian disse que, (durante o Reveillon) "não adianta contar com o respeito das pessoas, elas ficam muito enlouquecidas querendo estacionar os seus veí­culos".


MUDANí‡AS DE TRí‚NSITO PREVISTAS EM 2014 (MAS QUE NUNCA OCORRERAM)

Nos últimos meses de 2014, a cidade de Torres passou por uma verdadeira revolução em seu sistema viário, articulada pela prefeitura.   1) Novas rótulas foram instaladas, 2) o sentido de algumas vias mudou de mão dupla para mão única, 3) acessos laterais na Av. Barão do Rio Branco foram fechados; 4) a ‘quadra alta’ que dá acesso a Prainha passou a ser toda de mão dupla; 4) A Av. General Osório foi ‘unificada’ com a Av. José Bonifácio – que teve seu cruzamento com a Av. Barão do Rio Branco ‘bloqueado’ para carros (pois um trecho da via iria tornar-se num calçadão,  que ainda não aconteceu).
Essas mudanças foram polêmicas e, em meio aos engarrafamentos recordes do verão 2014- 2015, geraram muitas reclamaçíµes – e alguns elogios. Conforme Carlos Cechin – secretário municipal de Planejamento í  época – todas as alteraçíµes no trânsito realizadas em Torres "foram decididas após estudo criterioso da equipe técnica da prefeitura, em reuniíµes conjuntas com a participação de diversas entidades civis da cidade".
Mas intriga também   que algumas das outras mudança para o trânsito torrense – que estavam no cronograma de 2014 – nunca tenham sido efetuadas pela prefeitura.Alguns exemplos de mudanças de trânsito que nunca ocorreram, apesar de previstas no plano viário:

1) A Av. Barão do Rio Branco, principal via da cidade,   viraria mão única em um bom trecho – a partir da rótula junto a Av. General Osório em direção ao mar).

2) Outras ruas de trânsito rápido na cidade teriam sentido único – caso da Firmí­nio Paim (saindo da Praia Grande em direção aos bairros), da Caxias do Sul (indo do bairro em direção ao Parque da Guarita), José Osório Cabral e Pedro Cincinato Borges (ambas cruzando a Barão do Rio Branco em direção a Av. do Riacho).

3) Uma sinaleira seria colocada no movimentado cruzamento da Av. do Riacho com a Av. José Bonifácio

Tentamos então contatar a prefeitura de Torres para saber porque algumas das medidas do Plano Viário haviam sido interrompidas. Entre terça (05) e quinta-feira (07), no telefone oficial da prefeitura (3626-9150), ninguém atendia. Ao puxarmos para os ramais, o telefone esteve mudo durante os 3 dias. Então, buscamos contato diretamente pelo celular com alguma das autoridades responsáveis.
Marcone Minotto, responsável pelo departamento de Trânsito da cidade, indicou que as mudanças no sentido de algumas ruas (de mão única para mão dupla) não foram colocadas em prática no trânsito torrense em 2015 porque parte do plano viário está sendo reavaliado pelo conselho do Plano Diretor – reunião entre técnicos da prefeitura e entidades civis da cidade, que ajudará também a operar o Plano Viário.  "O estacionamento rotativo pago (abortado por pressão popular)   não interferiu em nada o Plano Viário, estamos   apenas estudando a questão com calma para fazer as melhores mudanças para a população".
Quanto a sinaleira no cruzamento entre a Av. do Riacho e Av. José Bonifácio, Marcone afirma que – apesar de não ter sido instalada em 2015 – será implementada neste ano que começa (provavelmente após a temporada de veraneio). " Estamos fazendo tudo com cautela para preservar a circulação e a segurança dos pedestres.  Em 2015 tivemos trocas de secretários, cortes de recursos federais, razíµes que brecaram um pouco a efetivação das medidas.. Mas o Plano Viário segue vigente".

IMPROVISO EM MEIO AO CAOS

No mesmo dia 02 de janeiro, confusão em um dos pontos onde há maior concentração de veí­culos (e engarrafamentos) no centro da cidade: o cruzamento entre a Av. Benjamin Constant e a Av. Barão do Rio Branco. Pouco antes disso, o motorista que, desavisado (ou sem escapatória), chegava pelo trecho de mão única da rua Joaquim Porto (buscando alcançar/cruzar a avenida principal de Torres)   podia se preparar para longos minutos de espera para vencer um trecho de poucos metros em meio ao afunilamento. Ao entrarem na Benjamin Contant no trânsito quase parado, chegariam próximos ao seu objetivo… E é quase compreensí­vel que fizessem de tudo para, na guerra dos carros, cruzarem/alcançarem a avenida principal de Torres. Um ví­deo, que viralizou na rede social Facebook mostrou o momento em que alguns cidadãos decidiram, por conta própria, fazer as vezes de uma sinaleira – interrompendo o fluxo da Barão do Rio Branco, para que alguns carros na Benjamin Constant pudessem cruzar a via lotada, algo que parecia ser uma missão impossí­vel . Uma situação como essa deixa claro que colocar uma sinaleira neste cruzamento – venal para o trânsito torrense – seria não apenas uma boa alternativa, mas medida urgente para desafogar o intenso tráfego de veí­culos no local.


Cruzamento entre as avenidas Benjamin Constant e   Barão do Rio Branco é um dos pontos de maior confusão no trânsito torrense (foto: divulgação Facebook)  

 

 
DE BIKE (NA BOA) ENTRE CARROS PARADOS

Em meio a cidade lotada, no dia 02 de janeiro, eu estava com minha namorada e uma amiga fazendo uma ronda de bicicleta – para passear e contemplar o movimento por alguns trechos de Torres. Na lagoa do Violão, um longo congestionamento e carros andando muito vagarosamente na via. O entorno da lagoa, que antes era de mão dupla para carros, tornou-se no final de 2014 em mão única – em decorrência da implantação de uma ‘ciclovia improvisada’ ao redor do ponto turí­stico. Assim, o trânsito para carros era lento. Para as bicicletas, em contrapartida,   trafegar estava bem tranquilo.
Na esquina entre a Avenida do Riacho e a José Bonifácio – em trecho onde uma sinaleira estava prevista (mas que nunca foi implantada) – o trânsito também estava congestionado. A situação neste trecho tornou-se ainda mais complicada em função de um acidente automobilí­stico (mas apenas com danos materiais). Cena de cidade grande na hora do rush – toda a Av. do Riacho parada, esperando um guincho lentamente fazer seu trabalho, enquanto na Av. José Bonifácio os carros vinham sem parar,  a uma velocidade perigosamente rápida para a cena preocupante do trânsito no momento. Para nossas bikes, ficou complicado de atravessar a rua.
Seguindo pela Av. do Riacho, um longo engarrafamento, dezenas de carros parados, esperando o abre e fecha da sinaleira para chegar até a Av. Barão do Rio Branco – principal via da cidade. A frustração no rosto dos motoristas – ao perceberem que ficariam uns bons 15 minutos quase estáticos no trânsito – era visí­vel em alguns casos. Não pude deixar de sorrir de satisfação perceber que minha bicicleta naquele momento não precisava ficar parada naquela ‘engronha’.
Depois, fico pensando: porque não há mais pessoas optando pelas pedaladas? Principalmente nos dias de maior movimento, andar de bicicleta é tão revigorante se comparado ao stress de ficar preso em engarrafamentos. Fico também pensando: que fim levou o Plano Cicloviário previsto pela prefeitura de Torres para ocorrer em boa parte da cidade? í‰ verdade que algumas ciclovias foram instaladas, mas ainda falta muito para chegarmos numa malha cicloviária que realmente coloque Torres num patamar de cidade preparada para as bikes.  
 


Depoimentos

 

"O verão está nos mostrando a necessidade de executar o projeto do acesso sul (que uniria a Av. Independência até a Estrada do Mar), dividindo o fluxo de veí­culos com a Castelo Branco, diminuindo assim os congestionamentos e o perigo de acidentes nesta via de acesso a nossa cidade"
Jair Paulo Machado Cardoso, ex-secretário de Obras
 

"Numa cidade como Torres, as distâncias são pí­fias se comparadas as grandes cidades ou mesmo a cidades vizinhas a Torres. Usar mais a bicicleta para ir e vir para ao trabalho,  praticar lazer ou mesmo pelo mero acaso de viver o espaço urbano é uma ótima solução frente aos exageros da cultura do carro. Neste curto espaço de tempo que a cidade passa, com a visita de Turistas e veranistas, dividir/compartihar um espaço de uma forma sustentável, benéfica para a saúde é um grande Gol a Favor. Ir e vir de Bicicleta na cidade é uma maneira de ser sustentável e humano. Neste verão de muitos carros e poucos lugares, seja cidadão. Seja pela mobilidade. #Vem de Bici.
Ronaldo Torre, da ONG Cavalo Marinho

"Como comerciante estabelecido í  10 anos em Torres, não vejo o Poder Público estimulando o uso de bicicletas na cidade e expandindo ciclovias nas ruas principais que ligam bairro-centro, por exemplo. Torres é uma cidade voltada ao ciclista, por ser praticamente toda plana! Isso deveria ser valorizado! Lamento esse ponto não ter sido reconhecido nestas ultimas mudanças que ocorreram no trânsito de Torres. Em especial sobre o trânsito de veí­culos na Rua Joaquim Porto, as trocas de mão a tornaram confusa e recebemos muitas reclamaçíµes de veranistas e turistas sobre essas alteraçíµes. Por fim, como comerciante, em especial na alta temporada, prefiro utilizar pouco o carro, prestigiando veranistas e turistas q procuram vagas de estacionamento, principalmente no Centro."
Alexis Sanson, da loja Hip Chick

 

 


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