O adeus ao criador da primeira prancha de surf do RS

16 de janeiro de 2016

 

Oscar de Lima Martins – durante entrevista concedida para a RBS TV em 2013

 

Faleceu nesta sexta-feira (15/01)  uma figura importante da história recente de Torres:   Oscar Martins de Lima. Vitimado por um câncer, o engenheiro mecânico de 79 anos era morador da cidade há décadas. E era veranista de Torres desde a infância (nos anos 40), quando vinha de Porto Alegre para cá com a famí­lia: "Só chegar até Torres já era uma aventura naquele tempo, cerca de 100 quilí´metros tí­nhamos que vir pela praia, e somente quando o mar estava baixo. Na época, a cidade devia ter entre 300 e 400 habitantes (fixos)" – disse certa feita o próprio Oscar para o jornal A FOLHA.

E, em Torres (e depois em Porto Alegre), dezenas de pessoas da comunidade presenciaram o velório para se despedir de Oscar, que além de cidadão ativo e participante da rotina de nossa cidade, também teve uma ação  mais que especial na história do surf no RS.

 

‘INVENí‡íƒO’ SURGIDA EM TORRES

 

Oscar é considerado o criador da primeira prancha de surf que se tem notí­cia no estado.   "No ano de 5,   í­amos para o mar e fazí­amos jacaré numa tábua de pinho, era nosso jeito de pegar as ondas. A palavra surf – que significa escorregar – ainda não era nem utilizada por aqui, mas ouvimos alguma coisa que no Havaí­ praticavam jacaré em pé, numa prancha grande.Começamos a fuçar isso e, numa revista argentina, vimos uma reportagem sobre estas pranchas. Dai (em 1955) decidimos fazer uma para nos divertir no mar torrense. ", falou o próprio Oscar em fevereiro do ano passado, durante palestra no Conversando com a História (ação cultural promovida pela prefeitura de Torres). "Tí­nhamos uma noção das dimensíµes e espessura que a prancha devia ter – pelo que era passado na revista – mas no geral fizemos do nosso jeito, com madeira compensada e apenas uma leve inclinação por baixo(ao invés de quilha). Era uma prancha grande, feita para duas pessoas carregarem. Ao entrar na água, porém, a dificuldade era manobrar a prancha (pois a inclinação – que servia de quilha – era muito leve)", havia dito Oscar.

 Mas engana-se quem pensa que Oscar criou a prancha com qualquer intenção de obter prestí­gio ou fama. Na época, ele queria apenas se divertir sobre as ondas do mar, como os havaianos faziam. "Depois, fui morar no Rio de Janeiro e, no começo dos anos 60, começavam a aparecer as primeiras pranchas oficiais, e a partir dai o surf começou a ficar mais popular". Apesar de sua relação histórica com o surf, o engenheiro não seguiu praticando o esporte. Entretanto,   ele valorizava muito a cultura por trás do esporte.


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