Eterno í­dolo gremista, Ancheta visita redação de A FOLHA

2 de fevereiro de 2016

 

Ex-zagueiro uruguaio, que defendeu as cores do Grêmio na década de 70, hoje é olheiro e também cantor


Por Teresa Cristina

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Os torcedores do Grêmio de todas as idades tem na ponta da lí­ngua os nomes de seus í­dolos, pessoas que honraram a camiseta tricolor. E nesta semana, um destes eternos í­dolos visitou a redação da FOLHA, em Torres – o zagueiro, Ancheta. Mesmo quem não lembra já deve ter ouvido falar do uruguaio Ancheta. E pelo visto ele continua muito lembrado,pois mal saiu da porta da redação e um carro com jovens dentro, passando pela Av.Beira Mar, o saudou: "Ai! Tricolor!!!"- gritaram,-saudação imediatamente retribuí­da pelo simpático atleta, hoje com 67 anos.

A trajetória de Ancheta no futebol começou muito cedo: com 15 anos já jogava na   categoria de base do San Lorenzo (de Flórida, no Uruguai). Na Copa do Mundo de 70, Ancheta foi eleito um dos melhores zagueiro do campeonato jogando com a seleção uruguaia. Nesta época, teve como adversário no campo nada mais nada menos que Pelé. No Nacional do Uruguai foi multicampeão, conquistando 3 tí­tulos uruguaios além da Libertadores e do Mundial de Clubes em 71. No mesmo ano veio para o Gremio,e ali ficou sendo zagueiro referencia até 1980.

 

Como o futebol mudou…

Foi uma tarde muito agradável de bate-papo descontraí­do na redação de A FOLHA. relembrando da época que jogava no Nacional do Uruguai, ele destacou que as coisas eram diferentes no futebol da época. "O jogador de futebol não tinha á sua disposição toda a infraestrutura de aparelhos e mega academias para treinar.O treino Era realizado no próprio gramados com uma grama dura e totalmente irregular, com ‘cucurutos’ que faziam a bola pular.E a bola,Ah esta era feita de couro,costurada á mão e pesada, sendo que ficava mais pesada ainda quando a chuva aparecia numa partida".

A FOLHA perguntou,quando exatamente os salários dos jogadores começou a ser tão alto. "Foi na década de 80,com a procura de clubes europeus pelo nossos jogadores. Mais ou menos o que está acontecendo hoje – só que os novos interessados são times do Oriente, da China por exemplo que acenam com cifras irrecusáveis" destacou Ancheta.

 

Olheiro e cantor

Hoje o atleta tem como uma dê suas atividades acompanhar os jogos de jovens, novos talentos,e fazer a captação para o Gremio. E foi com esta finalidade que Ancheta esteve aqui em   Torres, para prestigiar a   Copa Internacional Ecologica Solidária (voltada para jovens entre 11 e 18 anos). "Não se pode forjar um atleta,ele tem que ter um dom,e personalidade para tal – apesar de ser o sonho de muitos pais que seus filhos venham a ser um mega-í­dolo que ganhe salários estratosféricos", disse o ex-zagueiro.

No alto de seu 1,87 m de altura e um fí­sico impecável, esbanjando saúde com seus 67 anos, Ancheta diz temer pelo futuro do futebol. "Hoje em dia é difí­cil um jogador conseguir jogar individualmente,tem muita marcação em cima. Isto é ruim pois dificulta a evolução do jogo. O jogador quer jogar e o torcedor ver   gol. Ao meu ver deve haver algumas modificaçíµes,no aproveitamento da área,dando mais espaço para os jogadores se mexerem".

Mas o grande zagueiro continua garimpando futuros talentos pelos campos da vida, acreditando naquele que sem duvida é o nosso maior esporte. E além disso, Ancheta vem buscando se destacar em outro espaço – o dos palcos: ele é hoje cantor de tangos e boleros.

 

 


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