Argentinos e Uruguaios são a salvação da temporada de verão em Torres

1 de fevereiro de 2016

 

Diante da crise financeira que atinge os brasileiros, a vinda de turistas argentinos e uruguaios tem garantido o movimento do comércio torrense. Dentre os motivos para a crescente demanda está o câmbio favorável, além dos altos preços para viajar dentro de seus próprios paí­ses.

Por Maiara Raupp

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Desde setembro as pesquisas já previam que haveria um crescimento enorme no número de Argentinos e Uruguaios que viriam para o Brasil neste verão em virtude da desvalorização do real em relação ao peso e também ao dólar. De acordo com informaçíµes do site do Clarí­n, viriam quase 1,5 milhíµes de Argentinos, cerca de 300% a mais que ano passado. A economia Uruguaia não está tão favorável, fazendo com que o número de hermanos seja bem maior. Segundo o presidente do Sindicato Intermunicipal de Hotelaria do Rio Grande do Sul, Manuel Suarez, os argentinos são a maioria (70%), seguidos por uruguaios (20%) e paraguaios (10%).  

Além da desvalorização do real, o fim das restriçíµes sobre a compra de moeda estrangeira que vigorava no paí­s vizinho, o fim do imposto de 35% sobre a compra de pacotes turí­sticos pelos argentinos, fazendo com que seja possí­vel programar o pagamento em peso e parcelar a compra em até 18 meses, e os altos custos dos aluguéis e da alimentação, que subiu bastante ao longo do ano na costa argentina, contribuí­ram para essa crescente demanda.Os argentinos sempre gostaram do Brasil. Como agora ficou mais barato para eles, estão vindo em grande número, afirmou o presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav) no Rio Grande do Sul, João Machado. Os lugares mais procurados no litoral do Rio Grande do Sul são as praias de Capão da Canoa e Torres. Já em Santa Catarina, Florianópolis, Bombinhas, Itapema e Balneário Camboriú são as preferidas.

Garantia do setor hoteleiro e comercial
Eles são a nossa salvação, disse um dos ˜atacadores de carro™ “ homens que auxiliam os turistas na procura por uma casa para alugar e recebem do proprietário da residência uma porcentagem sobre o aluguel. Se não fossem eles estávamos morrendo de fome. Brasileiros são poucos os que chegam e quando vem querem casas grandes, í  beira-mar e por um preço baixí­ssimo. Os uruguaios também estão vindo em grande número, mas o argentinos superam as   expectativas. Se não fossem eles nosso veraneio seria uma porcaria, informou o ˜atacador™ que preferiu não se identificar.

Para o comerciante torrense, Vanderlei Teixeira Cardoso, essa é melhor temporada dos últimos tempos. Faz muitos anos que eu não vejo tanto Argentino e Uruguaio em Torres. Tanto no meu estabelecimento comercial, como nas casas que eu alugo, a procura é infinitamente superior de Argentinos e Uruguaios. Os brasileiros ocupam uma í­nfima parcela, afirmou Vanderlei. Segundo ele, a explicação além da economia favorável, está nas belezas naturais de nossas praias, no mar mais quente e no custo mais barato do nosso litoral do que o deles.

Nos hotéis a procura também é grande. Segundo informaçíµes do De Rose Palace Hotel, a lotação é quase que total dos turistas dos paí­ses vizinhos e as diárias variam entre 5 e 10 dias. Geralmente quando pretendem ficar perí­odos maiores, os visitantes procuram alugar casas de moradores de Torres.

Além do setor de hospedagem, o comércio também está se beneficiando dos turistas hermanos. De acordo com o proprietário da loja de Havaianas, Cristian Ilha, os Argentinos estão realmente garantindo e assegurando as vendas dos lojistas. O cenário é geral no comércio de Torres este ano. Os turistas dos paí­ses vizinhos têm equilibrado as vendas. Caso contrário estarí­amos enfrentando dificuldades de manter as atividades durante o ano todo, garantiu ele. Cristian informou ainda que eles geralmente compram produtos de promoçíµes, mas não pedem tanto desconto e usam na maioria das vezes cartão de débito. O câmbio favorável a eles trouxe para Torres um incremento muito bem vindo na economia da cidade, saindo do contexto geral que o Brasil no geral passa, em especial o RS, onde várias indústrias estão saindo para outros estados ou fechando as portas por definitivo, avaliou Cristian.


Bom para os restaurantes
No setor de restaurantes o mesmo cenário se repete. Conforme assegurou um dos proprietários do Schatel Praia Lanches, Telmo Sant™Ana, o movimento de Argentinos e Uruguaios é bem maior que no ano passado. Cerca de 70% do nosso público hoje são Argentinos e Uruguaios. E uma coisa que tem chamado a atenção é a mudança no público. Antes vinham mais jovens, agora são mais famí­lias e idosos. São um povo muito bom de atender. Eles não pedem descontos. São super educados. Geralmente deixam gorjetas nas mesas para os garçons. Raramente pedem para fazer câmbio de dólar no restaurante. A maioria faz o câmbio da moeda nas casas especializadas. Ultimamente estão usando muito o cartão e 90% no débito, informou Telmo. Para ele, o aumento no número de visitantes Argentinos se deve, sem dúvida, ao câmbio. O dólar está muito favorável para eles virem para cá. E eles sempre tiveram dólar guardado. Só não usavam porque era muito descompensador para eles, mas hoje está valendo muito í  pena. Além disso, acredito que a cultura que eles tem de viajar, de sair a passeio, de tirar férias, também contribuiu, completou Telmo.

O empresário disse ainda que há um número muito grande de Argentinos vindo para o Brasil pela primeira vez. Geralmente o Argentino e Uruguaio que vem para Torres pela primeira vez, se ele for bem tratado ele volta sempre. Então vamos valorizá-los, concluiu.
 

Carros Argentinos são facilmente  encontrados nas ruas de Torres

Primeira vez no Brasil
Assim como muitas famí­lias que se aventuraram a conhecer o Brasil, a famí­lia Nardoni, de São José de Lá Esquina, pequeno vilarejo de Santa Fé, com cerca de 8 mil habitantes, resolveu enfrentar cerca de 1600km em direção í s praias brasileiras. Após dois dias de viagem, chegaram em Torres. A ideia era seguir para Santa Catarina, muito comentada pelo seu povo. No entanto o cansaço os fez entrar em Torres, cidade que também muito ouviram falar por suas belezas naturais e tranquilidade.

Chegamos aqui hoje e fomos recebidos por uns homens de bicicleta que nos indicaram casas para alugar. Escolhemos e aqui estamos. Um lugar lindo, tranquilo, com um povo muito receptivo e que faz de tudo para se comunicar com a gente, contou a matriarca da famí­lia, Alejandra Atias.

Juntamente com seu esposo, Sérgio Nardoni, e seus filhos David, Sérgio e Tiara, Alejandra permanecerá em Torres durante cinco dias. Após esse perí­odo vão avaliar as condiçíµes financeiras e ver se é possí­vel ficar mais tempo. Estamos muito inseguros. Não sabemos quanto vamos gastar. í‰ a primeira vez fora do paí­s, explicou ela, muito simpática e receptiva.

A pequena Tiara, de 4 anos, verá o mar pela primeira vez. Ela está louca para tomar banho de mar, mas esperamos que o tempo melhore, porque está frio e chuvoso e ela pode ficar doente, falou a mãe preocupada.

Sérgio contou que o câmbio favorável facilitou a vinda deles para cá, mas o que mais motivou foi comparar custos para se viajar de férias na Argentina e no Brasil. Lá na Argentina, tanto no litoral quanto nas montanhas é inviável. Os preços são absurdos por serem lugares muito visitados. Então avaliamos a vinda ao Brasil e nos aventuramos, falou ele sorridente, após repousar da longa viagem.
 

A famí­lia ainda está descobrindo o Brasil e a mais bela praia gaúcha. Não sabem o que comprar, onde passear, o que comer, mas estão dispostos a conhecer. A gente gosta de sossego e tranquilidade. Onde moramos é assim. Mas queremos conhecer aqui, já que não sabemos quanto tempo vamos ficar e se algum dia vamos voltar, concluiu Alejandra contente.
 
 
A pequena Tiara:  ansiosa para entrar no mar

 

 

 

 

 

 

   


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