Projeto do calçadão da avenida JoséBonifácio divide opiniões

18 de abril de 2016


FOTO: írea da av. José Bonifácio, na esquina com a Av. Barão do Rio Branco

 

Audiência pública sobre o assunto foi realizada Na noite desta última quarta-feira, a pedido do vereador do PMDB, Gibraltar Pedro Cipriano Vidal.  

 

Por Maiara Raupp

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Na noite desta quarta-feira, dia 13 de abril, foi realizada na Câmara de Vereadores de Torres uma audiência pública para discutir o projeto de lei n ° 06/2016, que Desafeta bem público de uso comum e autoriza a concessão de uso ( trecho Av. José Bonifácio). A audiência foi uma solicitação do vereador do PMDB, Gilbraltar Pedro Cipriano Vidal, após perceber vários agravantes no projeto, principalmente com relação aos pontos comerciais. O motivo do requerimento dá ouvidos para instalação de pontos comerciais: desafetar espaço público. Mas têm também outros problemas como a perda de valorização dos imóveis ali localizados, a quantidade dos pontos comerciais, o formato que será instalado, quais são eles, o orçamento para a construção desse calçadão, o tempo hábil para a realização do projeto, já que estamos diante das eleiçíµes, o trânsito no centro da cidade, dentre outros. Tem que decidir bem antes de aprovar para que não haja arrependimento – como o projeto do estacionamento rotativo, afirmou o vereador, acrescentando ainda que, se não tiver o parecer favorável das pessoas que estão ali há anos com seu comércio e estabelecimentos, ele não tem como levar adiante o projeto e votar a favor.  

O presidente da Comissão de Infraestrutura, Meio Ambiente e Agricultura, o vereador Fábio da Rosa (PP),  que presidiu a audiência, deixou claro que a audiência era sobre a desafetação do bem público e não a construção do calçadão. Se a Câmara não aprovar o projeto, nada impede que o calçadão seja construí­do. Por isso é importante a união dos interessados sobre o assunto, explicou Fábio. O vereador falou ainda sobre a importância das audiências públicas para se ouvir os contribuintes, e chamou atenção para que o povo torrense acompanhe os projetos e trabalhos tramitados na Câmara de Vereadores.

Representando o executivo, estava a arquiteta da Prefeitura Municipal e responsável pelo projeto, Vanessa Cravo, que apresentou o projeto aos muní­cipes. Além do calçadão, seriam duas construçíµes de pontos de bar/café, e contemplaria um acesso local, de carga e descarga. Não tem estacionamento previsto no projeto, disse ela. Vanessa falou ainda que o projeto prevê drenagem, pavimentação, aterros, totalizando um custo de R$ 295 mil reais. Esse valor é sem os custos de construção dos pontos comerciais. Para execução deles, foi levantada uma hipótese de parceria público-privada, mas nada confirmado, completou a arquiteta.

Empresários torrenses apontam pontos negativos do projeto
O ex-vereador de Torres, Zé Ivan Pereira – que atualmente é gerente da Padaria Vosso Pão – mostrou na Câmara diversos pontos para a não aprovação do projeto de desafetação de parte da Av. José Bonifácio. Volto ao microfone depois de muito tempo em defesa da empresa a qual pertenço, instalada na cidade há mais de 20 anos – empregando mais de 80 funcionários – e que hoje está ameaçada por esse projeto, garantiu Zé Ivan, dizendo ainda Perguntem para os comerciantes de quanto foi a queda depois dessa infeliz intervenção? Estou aqui defendendo a padaria, mas como legislador eu também teria vários pontos a apontar contra esse projeto. Não há mais circulação na cidade. O trânsito está horrí­vel. Fecharam a avenida em ponto arterial da cidade, que liga pontos comerciais importantes, como a rodoviária e o supermercado. Queremos o tráfego livre na José Bonifácio outra vez, disse Zé Ivan. O ex-legislador pediu (muito) que os vereadores pensem com carinho antes de dar sequência ao projeto e assegurou que se ele for aprovado na Câmara, duvida que seja feito com esse orçamento. Só se for para enganar o povo com mais um projeto, completou.
Dona de algumas salas comerciais na Avenida, Agostina Baltazar também é da mesma opinião e faz um desabafo na tribuna. Quando é para pedir voto e cobrar impostos temos nome e endereço. Mas para a implantação desse projeto não tivemos nem nome nem endereço. Não fomos consultados e não tivemos acesso ao projeto em nenhum momento. A gente tem que ser respeitado. Trabalhamos muito para conquistar empreendimentos e hoje não se consegue nem viver dele. Tem lojas fechadas, tem pessoas prejudicadas. Peço que levem a sério isso. Nossos governantes estão nos desprezando. Cadê eles aqui hoje?, desabafou dona Agostina, questionando ainda a implantação de comércios no calçadão. Mais comércio? Vamos é abrir os que têm ali e estão fechados. Vamos liberar a circulação da rua, para novamente termos movimento, concluiu ela, indignada.
O ex proprietário das confecçíµes Leeders, senhor Silval, que tem imóveis alugados na Avenida José Bonifácio, está sentindo na carne o prejuí­zo do fechamento da rua. Meu inquilino da loja Comoditá se mudou dali porque viu seu movimento cair drasticamente. Outras lojas também estão fechando. Mas o valor do IPTU não baixou, mesmo nossas lojas sendo desvalorizadas. São mais de R$ 120 mil (meus) de IPTU. Quem pagará essa conta?, questionou Sinval.
Há 40 anos corretor de imóveis na cidade, Osmar Pinto, que também tem salas comerciais alugadas, falou da sua insatisfação com o projeto. A construção do calçadão é um projeto antigo do CDL com a ideia de melhorar a estrutura do local. Hoje ficou provado que foi uma péssima ideia, porque é ní­tido que diminuiu a visitação da rua, o movimento e consequentemente as vendas, ocasionando o fechamento de lojas. Além da Comoditá, a Casa São Paulo também fechou e na última semana o outlet De Lucca, contou Osmar.
De acordo com o corretor, é impossí­vel fazer uma obra dessas pelo valor apontado.   Se gasta no mí­nimo três vezes mais que isso. E se depender de parcerias público-privada não vai acontecer porque os comerciantes são contra. Tirar coisas que são do povo para conceder a interesses privados. Que isso? Vão comprar terreno, acordar cedo para trabalhar, porque concedem hoje a um café, depois repassam a uma revistaria, loteria e por aí­ vai, garantiu ele.
A proprietária da loja Pré-Requisito, Glauci Lumertz, disse que ela é a próxima a fechar as portas se a situação continuar assim. Estamos sendo prejudicados e isso é notório. Estou há 16 anos ali e sou a próxima a fechar se isso continuar assim. Está horrí­vel, desabafou ela.  


Vereadores defendem os comerciantes
O vereador do PMDB, Marcos Paulo Klassen, falou que na maquete é tudo muito bonito, mas tem que ver a realidade. Solicitamos para a Prefeitura uma lombada na frente da escola zona sul e recebemos a notí­cia que não tem dotação. Então como que vamos aprovar esse projeto se não tem recurso? Não tem como votar a favor. Estaremos sempre a favor da comunidade torrense, afirmou Marcos.
O vereador Alessandro Bauer Pereira, também do PMDB, também está preocupado com a aprovação desse projeto. Temos sim que colocar um ponto turí­stico na cidade, mas em partes ociosas, não onde já estava dando certo. Outra coisa que me preocupa é o histórico de obras desse governo, que só tem iní­cio e não tem previsão para terminar. Temos os exemplos do Posto da Saúde, praça Pinheiro Machado, da Lagoa, que está bem atrasada. Daí­ sim o comércio daquela área irá virar um caos com uma obra na frente sem previsão de término. E principalmente com um recurso que não se sabe da onde vem nem para onde vai, concluiu ele.
O vereador Carlos Roberto Monteiro, o Tubarão, do PMDB, apontou o pedido de pessoas de grande exemplo para a cidade como um ponto muito importante a ser considerado. Chamo atenção para o seu Fernando Nandi, dona Agostina, Silval, Osmar Pinto. São pessoas de vasta experiência e que precisam ser respeitadas. Porque a prefeita não fez uma audiência pública antes de encaminhar esse projeto para a Câmara?, indagou ele.

Favoráveis ao projeto
O proprietário da Atlântico Sul FM, Dirlenes, afirmou que Araranguá super valorizou o comércio após a construção do calçadão. Na época do prefeito Milanez já havia sido pensado em fazer um calçadão. Não sou contra o calçadão, mas questiono a forma com que está sendo conduzida e tenho preocupação quanto a circulação, trânsito, orçamento, tempo, estrutura. Os comerciantes precisam ser respeitados.  Lamento a não presença das autoridades aqui hoje, disse.
Representando o Sindicato de hotéis, restaurantes, bares e similiares de Torres, Carlos Lange garantiu que esse projeto tem que ser muito bem pensado pela Câmara. Vai mudar muito a nossa cidade. Se for aprovado tem que impor limites. Os camelí´s eram 46, hoje são 80. Se for dois cafés, é dois cafés e ponto. O formato que se está hoje não se consegue chegar a cases de sucesso como Gramado, Nova Petrópolis. Temos que dar algum tipo de incentivo ao comerciante. Incentivos fiscais, uso da calçada, possibilidade de eventos, de uso fruto do local para promoção do turismo, assegurou.
O vereador do PCDOB, Jailton da Silva Miguel, o Nego, não vê que esse projeto magní­fico vá prejudicar os comerciantes. Acredito que só valorizará essa área. Essa verba sairá desses dois quiosques. Não será doado nada. Será vendido. Tenho certeza absoluta que aumentará o movimento. Acho tudo ao contrário do que foi falado aqui. Futuramente vocês me darão razão. Aquilo ali só tem a favorecer vocês. í‰ o que eu penso, concluiu.

Opiniíµes divididas
 
O presidente da Câmara Municipal de Torres, o vereador Davino Bernardo Lopes, do PT, mesmo sendo vereador da base de governo disse que, depois dos depoimentos ouvidos, pensará muito sobre o projeto e seu voto. Eu penso no bem comum e tenho criticado o governo porque tem errado igual í s gestíµes anteriores. Falta fiscalização e organização. Votarei pela opinião popular, assegurou.
O vereador Jeferson Jesus Santos, do PTB, é simpatizante pelo projeto, mas ficou em dúvida após ouvir as explanaçíµes.   Acredito que o projeto fomentaria o turismo da cidade. Mas foi muito importante ouvir isso de vocês hoje. Pensarei com mais carinho. Meu voto não deixará de ser favorável, mas gostaria de ouvir outras opiniíµes. Hoje balanço, ouvindo esses depoimentos. Não por pressão, mas por ver a realidade. Peço mais uma audiência para que possamos ouvir outras entidades e poder votar com mais tranquilidade, concluiu.

   


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