Internet: como seria sua vida sem ela?

7 de junho de 2016

 

Hoje cerca de 3,2 bilhíµes de pessoas usam a internet em todo o mundo e dependem dela para viver. Ao mesmo tempo em que, em paí­ses subdesenvolvidos, mais de 4 bilhíµes estão totalmente desconectadas, o que representa cerca de 60% da população global.  

Por Maiara Raupp
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O número de internautas no mundo já é de 3,2 bilhíµes segundo dados divulgados pela União Internacional das Telecomunicaçíµes (UIT), órgão vinculado í  Organização das Naçíµes Unidas (
ONU). Em 2000, os usuários de internet eram apenas 400 milhíµes, em  torno de 6,5% da população mundial. Em 2015, esse í­ndice subiu para 43%. A proporção de casas com conexão í  rede chegou a 46% no ano, sendo essa porcentagem maior na Europa (82,1%) e menor na ífrica (10,7%). A entidade também informou dados referentes í  internet  móvel: Se em 2000 eram 738 milhíµes de assinaturas de conexão móvel em todo o mundo, passaram a ser 7 bilhíµes em 2015. Conforme a UIT, essa é a forma de acesso mais ampla e que atende a mais gente.
Mas conforme  a UIT, ainda que o acesso tenha avançado nesses 15 anos, há mais de 4 bilhíµes de pessoas desconectadas em todo o mundo, o que representa cerca de 60% da população global. O abismo é maior nos paí­ses menos desenvolvidos, onde apenas 89 milhíµes de pessoas possuem conexão de um total de 940 milhíµes.  
De acordo com o Estado da Conectividade 2015, relatório global do acesso í  Internet feito pelo Facebook, há quatro fatores que se colocam como barreiras para aumentar o acesso global da rede: falta de infraestrutura em áreas remotas e pobres do mundo; o custo do acesso e as habilidades e aceitação cultural necessárias para acessar o serviço.  Com o objetivo de resolver as barreiras da conectividade, corporaçíµes, governos e entidades não governamentais precisam trabalhar juntas para continuar a reunir dados mais apurados do estado da conectividade global e desenvolver padríµes globais para coletar, relatar e distribuir esses dados, apontou o relatório.

O cenário da internet no Brasil

Mais da metade dos domicí­lios brasileiros passou a ter acesso í  internet em 2014, de acordo com a Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicí­lios (Pnad), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatí­stica (IBGE) no iní­cio deste ano. Os dados referentes a 2014 mostram que 36,8 milhíµes de casas estavam conectadas, o que representa 54,9% do total. Em 2013, esse í­ndice era de 48%.O IBGE indicou ainda que a quantidade de internautas chegou a 54,4% das pessoas com mais de 10 anos em 2014. São 95,4 milhíµes de brasileiros com acesso í  internet.
Essa dupla ultrapassagem vem de uma mudança de metodologia do IBGE. Apenas as conexíµes feitas com computador eram registradas até a Pnad de 2013, quando o instituto passou a contabilizar acessos com smartphones, tablets, TVs e outros dispositivos com acesso a internet.
No entanto, conforme um estudo do Banco Mundial, ainda há 98 milhíµes de brasileiros que não têm acesso í  internet. O  Relatório sobre o Desenvolvimento Mundial 2016: Dividendos Digitais, coloca o Brasil em quinto lugar em número de usuários de internet, atrás da China, dos Estados Unidos, da índia e do Japão.

 

 

Torrenses e a importância da internet na vida profissional


Para alguns a internet não faz diferença na vida, ou quem sabe seja porque nunca teve acesso a ela. Não é por acaso que cerca de 60% da população mundial não usa a internet, já que para outros ela é imprescindí­vel como é o caso da milliner (criadora de chapéus) torrense Tainá Matos. Como trabalho com acessórios personalizados, e como são peças usadas em datas e acontecimentos importantes, o contato com o cliente é fundamental. As noivas geralmente ficam ansiosas pelo grande dia e a disponibilidade de atendimento em horários considerados ˜fora do comercial™ que a internet lhe proporciona, possibilita que essa relação fique mais próxima e confiável, disse ela, acrescentando ainda que seu público de vendas é cerca de 90% de fora da cidade e até do estado, o que não seria se não fosse a internet. Sem o uso das tecnologias digitais seria praticamente impossí­vel atingir essas pessoas, completou ela.
Tainá Matos explicou ainda que quando a cliente é de outro lugar o atendimento é feito todo via internet. Desde o primeiro contato, o envio de orçamentos, a amostra de peças, as adaptaçíµes de cores, modelos, tamanhos, enfim, tudo é feito através desse contato virtual. Sem falar do poder de divulgação e alcance de pessoas que a internet te proporciona, te conectando com o mundo inteiro, ajudando tanto na busca de clientes em potencial, como de capacitação profissional também, se tornando uma rede profissional completa. Tenho absoluta certeza que, sem o poder da internet, minha empresa e a realização de trabalhar com o que eu amo não seria mais possí­vel, concluiu a milliner.
Assim como Tainá, o diagramador Murilo Botega assegurou que a internet é a base de sua vida profissional, assim como da vida como um todo. A internet hoje é uma ferramenta fundamental na vida de grande parte da população, inclusive da minha. Uso internet basicamente o tempo todo, tanto para trabalho, quanto para informação e lazer. Além de ser uma peça imprescindí­vel no meu trabalho, a internet serve como um facilitador no dia a dia, tudo fica mais fácil e rápido. Arrisco dizer que não saberia mais viver ˜offline™, tendo que ficar na frente da televisão no horário da previsão do tempo para saber se vai dar sol no final de semana, ou ter que consultar a Barsa na biblioteca para fazer um trabalho escolar. Pra mim, hoje, a internet é tão fundamental quanto í  luz elétrica. Se a conexão cair, me sinto no escuro!, comparou ele.
Para o gerente comercial Natã Navarrina, a internet é o principal meio de comunicação utilizado na atualidade – seja para pesquisas, trabalho, divulgação, informação e contatos – mas ainda é preciso uma maturidade maior das pessoas em saber usá-la corretamente. Devido í s inúmeras redes sociais, a internet ao invés de trazer somente benefí­cios, traz também consequências maléficas que atrapalham um pouco a relação social, principalmente no ambiente corporativo. O uso indevido de redes sociais em horário de serviço é a pior delas, sem falar nos encontros pessoais que você deixa de realizar. Na minha opinião, as pessoas deveriam utilizar a internet de forma mais correta e consciente e dar mais valor aos velhos hábitos de encontrar amigos em bares, restaurantes e práticas esportivas ao invés de grupos em redes sociais, garantiu Natã.


 
 

FOTO: Cerca de 90% das vendas da milliner torrense Tainá Matos são feitas pela internet

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CRIMES CIBERNí‰TICOS E CONSEQUíŠNCIAS JURíDICAS

 

Baixar uma música ilegalmente, constranger um usuário de opinião divergente em algum fórum de discussão ou usar a senha do colega de trabalho podem parecer atos inofensivos, sem muitas implicaçíµes reais, mas isso pode estar prestes a mudar no Brasil. A Câmara dos Deputados deve começar em breve a discutir uma série de propostas e de projetos de lei ” que tramitarão com prioridade ” capazes de mudar a forma como muitos utilizam a internet.

Mas nem só de pequenos delitos do dia a dia trata o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Crimes Cibernéticos, aprovado no iní­cio de maio. Crimes de injúria, calúnia e difamação ou o acesso indevido a informaçíµes confidenciais, de órgãos de segurança ou jurí­dicos, por exemplo, podem passar a ficar sob responsabilidade da Polí­cia Federal (PF) e ter puniçíµes mais severas, céleres e frequentes. Seria o fim da impunidade no mundo virtual.

Pela proposta, quem descumprir regras deverá receber penas diferentes: acessar o e-mail que alguém deixou aberto pode levar ao pagamento de cesta básica ou prestação de serviço comunitário. Já quem causar prejuí­zo a pessoas, empresas ou ao poder público-  adulterando dados – pode ser detido por até quatro anos.

De acordo com o advogado torrense, Nicolas Machado, existe atualmente uma lei que tipifica algumas condutas como crimes cibernéticos. Nosso paí­s conta com uma regulamentação no âmbito da internet, a qual é chamada de Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014). Quem publica algo na rede deve ter certeza do conteúdo publicado ou dá responsabilidade que tem sobre as informaçíµes prestadas, destacou Nicolas.

Para ele, o uso da internet no Brasil ainda é muito recente, tendo como fato de impulsão o desenvolvimento de redes sociais e smartphones, que possibilitam o acesso em tempo real a informaçíµes e pessoas. Por vezes, não se tem um cuidado em averiguar a verdade de fatos compartilhados ou não, sem ter a noção de que o conteúdo divulgado pode prejudicar de alguma forma a pessoa envolvida. Algo que é muito comum hoje em dia é a divulgação de ví­deos eróticos e fotos por vezes obtidas através de invasão a aparelhos eletrí´nicos das ví­timas, que por sua vez tem sua privacidade exposta para uma quantidade de pessoas incalculável, o que não há medidas que possam reparar a situação vexatória a que a ví­tima foi submetida. O bem da verdade, quem compartilha informaçíµes pode ser responsabilizado por não observar a intimidade e da vida privada, o que pode acarretar o direito da ví­tima de perceber indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação, informou Nicolas.

Conforme orientou Nicolas, a privacidade deve ser resguardada no âmbito da internet.   Hoje surge a necessidade de uma legislação transnacional balizadora dos meios de pesquisa e controle sobre dados de usuários, e o fiel cumprimento da referida lei. Estamos diante da internet, criada pelo homem, que cresce a cada dia e é a principal responsável pela criação de uma sociedade globalizada, e que se não for utilizada da forma correta acarretará muitos problemas de ordem mundial, concluiu o advogado.  

 


Sobre as origens da internet
 

 

Originalmente foi concebida como uma ferramenta bélica, que permitia a comunicação entre as bases militares americanas durante a guerra fria. Logo após, foi incorporada por universidades norte-americanas, com o fito de formar um banco de informaçíµes passí­veis de compartilhamento na universidade, denominada ARPANET. O sucesso da rede foi inesperado, sendo assim várias outras universidades também conectaram seus computadores a rede. Em curto espaço de tempo já havia sido apresentada para a sociedade, e virou uma febre. O mais importante elemento detonador desta explosão que permitiu í  Internet se transformar num instrumento de comunicação de ˜massa™ foi o world wide web (ou WWW, ou ainda W3, ou simplesmente WEB) a rede mundial. Adicionamos a este conceito a fabricação de computadores pessoais, possibilitando a todos o acesso, não sendo mais restrito as universidades. A sua grande vantagem é a plataforma em que foi concebida (auto-regulativa), que possibilita a construção de dados/informaçíµes, que podem ser editadas/compartilhadas de forma mais célere e com um ní­vel de acesso pelos usuários irrestrito e ilimitado.

Chegou ao Brasil no ano de 1988, mas por volta do ano de 1993 começou a sua exploração comercial, sendo de fato utilizado por um público significativo em 1995. Assim, a ˜revolução tecnológica™ causou diversas mudanças na vida em sociedade.

 

   


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