Bolsa famí­lia: Uma análise da situação pelo paí­s (e também em Torres)

4 de julho de 2016

TCU identifica pagamentos indevidos do Bolsa Famí­lia a 163 mil famí­lias no Brasil, benefí­cios que somam R$ 16 milhíµes em um mês

 

 

Por Maiara Raupp*
_________________

 O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou a concessão indevida de benefí­cios do programa Bolsa Famí­lia a 163.173 famí­lias, o que corresponde, segundo o tribunal, a 1,23% do total de 13.216.986 famí­lias do programa. O total do valor pago a esses beneficiários pode ter chegado a R$ 16 milhíµes em um mês (junho de 2015).
Os ministros do TCU decidiram determinar que a Secretaria Nacional de Renda de Cidadania do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate í  Fome, responsável pelo Cadastro íšnico, revise os controles internos adotados para a verificação da elegibilidade dos beneficiários do Programa Bolsa Famí­lia.
Na última quinta-feira (28), o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate í  Fome informou que, das 163.173 famí­lias identificadas pelo TCU, 75.477 famí­lias já haviam tido o benefí­cio cancelado até janeiro de 2016 e 38.483 já estavam em processo de averiguação. Sobre as demais famí­lias, o ministério informou que terão dois meses para comparecer aos Centros de Referência de Assistência Social nos municí­pios e comprovar as informaçíµes prestadas. Se estiverem fora do perfil de renda do programa ou não comparecerem, terão os benefí­cios cancelados.  

 

Cadastro único

O Cadastro íšnico é o instrumento de identificação das famí­lias de baixa renda para a seleção de beneficiários de programas sociais do governo federal, como Minha Casa Minha Vida, Tarifa Social de Energia Elétrica, e Bolsa Famí­lia.
Para chegar a esse resultado, os técnicos do tribunal compararam as informaçíµes do Cadastro íšnico com as da base de dados da Receita Federal. Dessa forma, o TCU conseguiu identificar famí­lias com renda per capita acima do limite superior do Bolsa Famí­lia.
Segundo o relatório do ministro Weder de Oliveira, no caso das mais de 163 mil famí­lias cujos indí­cios de erros ou fraudes foram identificados, a renda familiar é superior a quatro vezes o limite do programa, com benefí­cios potenciais de R$ 16 milhíµes em um mês.
De acordo com as regras do Bolsa Famí­lia, são elegí­veis para participar do programa as famí­lias com renda mensal per capita até R$ 77 e as com renda mensal per capita entre R$ 77,01 e R$ 154,00 que possuam pelo menos um membro na faixa etária de 0 a 17 anos.

 

No RS, Bolsa Famí­lia tem 11 mil beneficiários sob suspeita

 O Rio Grande do Sul é o quinto Estado em número de pagamentos sob suspeita do  Bolsa Famí­lia, atrás de outros quatro do Nordeste. O Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) apura eventuais irregularidades no cadastro de 11 mil beneficiários em território gaúcho. Há indí­cios de que estejam recebendo o auxí­lio pessoas que já morreram, servidores públicos, doadores de campanhas eleitorais e empresários.
A ação do MDS foi provocada por investigação do Ministério Público Federal (MPF) que havia encontrado inconsistências em 73 mil cadastros no Rio Grande do Sul. Foi feita rechecagem de todo o registro no Estado. Nessa atualização, os casos sob suspeita diminuí­ram bruscamente. Mais de 14 mil não constavam nos dados do MDS e outros 30,5 mil nem sequer recebiam mais o Bolsa Famí­lia.
Essa discrepância ocorreu porque o MPF concentrou sua apuração nos pagamentos feitos em 2013 e 2014, enquanto o MDS verificou a situação atual de todos os beneficiários supostamente ilegais. Nesse espaço de dois anos, a maior parte das irregularidades havia sido sanada.

 

Ajustes no programa

Um mês e meio após a posse no Ministério do Desenvolvimento Social, Osmar Terra começa a estruturar as mudanças que pretende fazer no Bolsa Famí­lia. A principal é aprimorar o sistema de ingresso de integrantes. Montamos um grupo com os ministérios do Planejamento, da Transparência, o INSS, e ampliamos os cruzamentos de dados. Um dos problemas do programa é que ele é autodeclaratório. Basta a pessoa dizer que é pobre. Queremos que, quando a pessoa apresentar o CPF para o funcionário da prefeitura, já apareça se ela está ou não apta a receber o benefí­cio, informou Terra.
Nesta terça-feira (27) o presidente em exercí­cio,  Michel Temer, anunciou um reajuste médio na casa dos 12,5% do benefí­cio do Bolsa Famí­lia. í‰ uma tentativa do peemedebista de se aproximar da base ligada historicamente aos governos do PT.  
O aumento foi acertado depois de semanas de tratativas entre a equipe econí´mica e a área social do governo Temer. Ontem, o presidente interino bateu o martelo no percentual em uma reunião com os ministros  Osmar Terra (Desenvolvimento Social) e  Henrique Meirelles  (Fazenda).
O reajuste médio fica acima dos 9% anunciados pela presidente afastada  Dilma Rousseff, antes da abertura do processo de impeachment pelo Senado. O reajuste prometido pela petista não chegou a ser pago. O novo aumento já será concedido no benefí­cio da folha de julho, que começa a ser pago no dia 18.

 

 

Bolsa famí­lia em Torres

 

Foto mostra reunião de 2014, com beneficiados pelo Bolsa Famí­lia em Torres

 

O Bolsa Famí­lia em Torres funciona como em todo o paí­s, a partir do Cadastro íšnico. Atualmente (junho 2016) 1059 famí­lias recebem o benefí­cio, o que equivale a cerca de R$ 141 mil reais aos cofres públicos.   No mesmo perí­odo do ano passado (junho 2015), o número de famí­lias beneficiadas era de 1109, o que mostra uma redução de um ano para o outro. A explicação para a redução é que muitas pessoas podem ir embora da cidade e transferem a Bolsa junto. Ou ainda a descoberta de irregularidades, o que resulta no cancelamento da Bolsa pelo governo federal, explicou o coordenador do Cadastro íšnico de Torres, Rodrigo Gonçalves.

O coordenador afirmou ainda que Torres está com um número menor de Bolsas do que o estimado pelo IBGE no último censo (2010). De acordo com a pesquisa, o perfil de pessoas que se enquadram no Bolsa Famí­lia em Torres é maior do que os que estão recebendo o benefí­cio.  

Sobre a possibilidade de haver irregularidades em Torres, já que o Rio Grande do Sul é o quinto estado com mais beneficiários sob suspeita, Rodrigo disse que não há nada concreto, mas quando há denúncias aní´nimas, as assistentes sociais fazem a visita e caso haja irregularidades é repassado ao governo federal, que por sua vez cancela a Bolsa.

Hoje temos uma equipe muito enxuta para fazer visitas regulares í s famí­lias que recebem os benefí­cios dos programas sociais. E como o cadastro único é autodeclaratório, apenas com poucos documentos que comprovem, então não temos como controlar precisamente. Mas quando há denúncia, sempre vamos verificar, garantiu ele.

O pagamento do benefí­cio é diretamente feito pela Caixa Econí´mica Federal, com recursos Federais e que não passam pelo Fundo Municipal de Assistência Social. Os valores recebidos mensalmente pelos beneficiários em Torres variam de R$ 35,00 até R$ 540,00. O que determina esse valor é a situação socioeconí´mica de cada famí­lia, o número de filhos, dentre outras regras do programa.  

Quando indagado sobre o programa do governo do estado RS Mais Igual “ que complementa o Bolsa Famí­lia para possibilitar que muitas pessoas saiam da situação de extrema pobreza – Rodrigo informou que não sabe em que pé está. Não temos acesso direto. í‰ tudo pelo feito pelo estado. A última notí­cia que soube é que os repasses estavam em atraso, disse ele.

 

   

*com informaçíµes Zero Hora


Publicado em:







Veja Também





Links Patrocinados