Torres e o arrastão da tocha olí­mpica

12 de agosto de 2016

 

 

 

Por Roni Dalpiaz

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Queria ter escrito esta coluna quando da passagem da tocha olí­mpica pela cidade de Torres. Porém, esperei até o momento em que os jogos olí­mpicos estivessem em pleno andamento para escrever sobre este tema.

Antes de mais nada, os jogos olí­mpicos certamente têm o poder de levar a imagem do nosso paí­s para todos os cantos do mundo, e isso é muito bom! Uma divulgação grandiosa, tanto da cidade maravilhosa (Rio de Janeiro), quanto de diversos outros estados com potencial turí­stico (pois o futebol foi distribuí­do por algumas capitais).

Mas, (sempre tem o mas) será que compensa o investimento? Essa pergunta depende de vários fatores para ser respondida. E esses fatores não estão í  disposição, e os que estão, sempre podem ser questionados. Então, provavelmente nunca saberemos.

O que estão visí­veis são os aeroportos cheios de atletas e as arenas e estádios quase sempre lotados. Jornais, sites e mí­dias sociais repercutindo bem os jogos e o paí­s mundo afora. Mas, estádios com capacidade para 40 mil pessoas aqui no Brasil são facilmente lotados com a população local assim como as pequenas arenas com capacidade para 9 mil pessoas, deixando de ser um parâmetro confiável.

O que sempre é falado e ressaltado como justificativa (ou pretexto) são os legados. A cidade do Rio de Janeiro herdará diversas melhorias, com destaque para a antiga região portuária. Porém, uma das principais benfeitorias não aconteceu: a despoluição da baí­a da Guanabara. Isto inclusive foi destaque nos jornais do mundo inteiro, gerando uma repercussão negativa para o Brasil, contrastando com o discurso ambientalista da festa de abertura.

Voltando o olhar para a nossa aldeia, a passagem da tocha por aqui também deixou rastros de indagaçíµes. Vários condutores representaram nossa cidade, e assim como em todo o paí­s, alguns não tinham razão alguma para conduzir a tocha. Pessoas totalmente desconhecidas e não residentes na cidade estavam entre estes condutores. Não entendi e não me pareceu claro a escolha dos condutores, e pelo que sei houve critério de escolha de cada patrocinador, alguns claros, mas a maioria obscuro. Pessoas que fazem a diferença, este foi um dos critérios utilizados na maioria das cidades, inclusive aqui. Totalmente subjetivo, embora no regulamento da escolha tivessem alguns requisitos (também bem vagos).

De acordo com o Comitê Organizador, a seleção dos nomes foi dividida em cinco partes: a primeira vem do governo municipal, a segunda do próprio Comitê Organizador e as outras de três de empresas patrocinadoras dos jogos olí­mpicos, por meio de campanhas na internet e indicaçíµes. Segundo a assessoria da organização dos jogos, a escolha é aberta para todos os campos não apenas o esportivo, mas o cultural, da educação e da informação, entre outros.

Apesar destas regras discutí­veis, os nossos condutores locais foram bem escolhidos.

Outro mas que entra em questão é o seguinte: Houve pagamento para ocorrer este evento aqui na cidade? Quem pagou? A prefeitura? As empresas locais? Os patrocinadores oficiais? Alguns destes ou todos?

De acordo com dados apurados em sites pela internet, os valores variaram conforme a cidade. Os valores pagos por cada prefeitura girou entre 40 a 180 mil reais na média, e teve cidade, como Brasí­lia, que chegou a gastar cerca de R$ 4,3 milhíµes, sendo R$ 3,8 milhíµes desembolsados pelo governo do Distrito Federal e o restante pago pelo Governo Federal. As cidades também informaram que alguns custos foram compartilhados com os organizadores e patrocinadores do evento. O valor aproximado da tocha para cada condutor foi de R$ 1.985,00. A princí­pio, esse custo deveria ser arcado pelos próprios condutores convidados pelos patrocinadores da passagem da tocha pelas cidades brasileiras. Ao final do percurso, cada condutor teve a opção de comprar a tocha para levar para casa. Ao todo, 12 mil pessoas conduziram a chama olí­mpica pelo Brasil em 95 dias, o que representou um valor total de R$ 23,8 milhíµes.

Voltamos a pergunta inicial. Vale a pena o investimento? Assim como no Brasil, aqui em Torres, não temos como responder esta pergunta. O que se pode dizer é que na RBS foram segundos de divulgação e na Globo, bem menos que isso. Só não foi mais rápida do que aquele condutor desconhecido que fez 100 metros rasos na frente do Banrisul.

(Não dá para perder o ví­deo do arrastão da tocha olí­mpica em Torres, que inspirou o nome desta crí´nica, o link do youtube é este: https://www.youtube.com/watch?v=Qzp-Q9JN8Vg, a foto está um pouco ruim porque não conseguimos acompanhar a velocidade do condutor).

 

FONTES: Gazeta online; Estadão; UOL; Regulamento da campanha de condutores da tocha olí­mpica.


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