TURISMO DE CONCURSO” E O SONHO DE MORAR EM TORRES

16 de agosto de 2016

 

Leandro e sua esposa, Amanda, estavam hospedados na praia Grande. Preferem morar aqui, em Torres, e pra isto ele concorre ao cargo de advogado da prefeitura

 

Provas de certame para cargos na prefeitura de Torres movimentaram o trade do turismo local

 

 Por Fausto Júnior
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No final de semana passado, nos dias 6 e 7 de agosto, a cidade de Torres foi palco de um Concurso Público realizado pela prefeitura local para selecionar pessoas de várias áreas profissionais. Foi 12 mil inscritos no certame, o que obrigou a Fundatec (entidade que foi contratada para coordenar o concurso) de ter de contratar, além de escolas locais da cidade, até salas de aula na cidade vizinha do Passo de Torres para abrigar os candidatos, que vieram de varias cidades gaúchas, assim como de outros locais de todo o Brasil.
Este movimento acima da média acabou gerando movimento intenso no trade de turismo de Torres. Como a cidade possui hotéis de vários formatos e preços, muitas pessoas e até famí­lias optaram por passar o final de semana na cidade, algumas por opção e outras até por obrigação, pois moram em locais distantes de Torres e não tinham condição de vir e voltar no mesmo dia para realizar as provas.
A FOLHA checou hotéis em toda a cidade para medir a ocupação. E a notí­cia boa é que os estabelecimentos (pousadas e hotéis) que estavam abertos no inverno ficaram praticamente lotados. O pessoal aproveitou os preços de inverno, que são promocionais, o que acabou fazendo movimento de verão, afirmou Kidinho, dono de um dos estabelecimentos na beira da Praia Grande na cidade. O perfil era variado. Na beira da praia se constatou mais gente moradora de Porto Alegre ou da região de Caxias do Sul, mas em outros hotéis havia moradores de várias cidades, gaúchas e de outros estados.

 

QUALIDADE DE VIDA DE TORRES CONTOU PONTOS

 

A FOLHA esteve em algumas escolas e hotéis também entrevistando os concurseiros. São pessoas (a maioria jovens) que buscam estabilidade de emprego e realização profissional (muitos na área da saúde pública). Mas a grande maioria buscou no concurso de Torres a possibilidade adicional de viver numa cidade mais calma, na beira do oceano. Criar filhos ou simplesmente ter qualidade de vida são os diagnósticos das escolhas constatados nas abordagens do jornal com muitos candidatos no domingo, dia 7 de agosto.
Sula mora em Caxias e fez a prova do concurso para enfermeira. Para a competidora do certame, o salário oferecido no concurso de Torres é similar aos outros, mas para ela, a vantagem daqui é que,com o mesmo salário,ela teria mais qualidade de vida. Viver numa cidade turí­stica litorânea para criar a famí­lia, afirma Sula como objetivo geral de vida.
Os amigos de concurso Bruno e Camile estavam em frente í  escola Marcí­lio Dias esperando a carona após terem feito a prova. Eles são de Porto Alegre e também participam do certame para Enfermagem, prova realizada no domingo. Porto Alegre está muito violenta. Este concurso nos propicia condiçíµes profissionais e possibilidade de uma vida mais pacata, dizem.
O jovem casal Leandro e sua esposa, Amanda, estavam hospedados na Pousada Dom Kido. Leandro fez o concurso para advogado da prefeitura de Torres. Ele mora em Porto Alegre e atua como advogado tributarista.
Ele está fazendo outros concursos, como no MP, dentre outros. Mas prefere morar em Torres.
Ele sempre quis morar na praia, afirma a esposa. Porto Alegre é considerada uma das 50 cidades mais violentas do mundo. Busco um lugar mais seguro e pacato, garante Leandro.
Leandro vê também uma possibilidade de turismo nestas horas. Não sei qual é a abordagem do jornal, mas eu e minha esposa gastamos mais de R$ 500 em um dia, com almoço, jantar e hospedagem durante a estada de um dia na cidade. Isto é bom para o turismo, brinca o concorrente do concurso para advogado da prefeitura.

Sula: salário igual; cidade muito melhor para morar  

 

 

REPETECO NOS PRí“XIMOS DIAS  

Problemas nos ritos legais das provas do concurso de Torres obrigam que em torno de 3 mil pessoas tenham de voltar í  cidade para fazer novamente parte da prova anulada pelas irregularidades encontradas. Os concurseiros não vão ficar muito felizes por ter de gastar mais uma vez na locomoção e, em alguns casos, em hospedagem. Mas, por outro lado, numa visão mais otimista, podem ficar felizes por ter a oportunidade de passar mais um dia em Torres.
No entanto, para os donos de hotéis e restaurantes na cidade, trata-se de mais uma oportunidade de faturar na baixa temporada, como aconteceu na semana passada, onde os estabelecimentos tiveram movimentos diferenciados, mesmo em pleno inverno no litoral gaúcho.

 

 

   

 

 


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