PATRIMí”NIO HISTí“RICO DE TORRES: Bens preciosos que clamam por cuidado

5 de setembro de 2016

Igreja São Domingos é o único bem tombado (Foto de arquivo)

 

 

Municí­pio não tem nenhuma legislação especí­fica para a efetiva proteção do patrimí´nio histórico

 

               

 

Por Maiara Raupp
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Torres é depositário de parte importante da história do Estado. Possui ainda riquezas naturais únicas em todo o litoral gaúcho e um enorme acervo de bens imóveis com relevante valor arquitetí´nico, histórico e afetivo como resultado da sua condição de balneário através dos anos. O saudável desenvolvimento da área urbana e periférica do municí­pio requer um planejamento que garanta a sustentabilidade e a necessária qualidade de vida de seus moradores e veranistas. No entanto, a falta de ordenamento e proteção legal coloca suas riquezas naturais e históricas em iminente situação de risco com possí­veis danos e perdas irreversí­veis, afirmou um ofí­cio da Defesa Civil do Patrimí´nio Histórico (Defender RS) encaminhado í  prefeita de Torres, Ní­lvia Pereira, solicitando a criação e regulamentação de uma legislação de proteção de bens materiais e naturais que integram a história, a memória e a identidade do municí­pio conforme estabelece a constituição federal brasileira. O documento é resultado de inúmeros pedidos e manifestaçíµes de pessoas da comunidade de Torres e do Rio Grande do Sul.

De acordo com o historiador torrense e presidente do Conselho Municipal de Preservação do Patrimí´nio Histórico, Cultural e Artí­stico de Torres (COMPHAC), Leonardo Gedeon, o nosso municí­pio não tem uma legislação especí­fica para a efetiva proteção do patrimí´nio. Existe somente a lei Lei Ruschel de 1989, que prevê a preservação do patrimí´nio edificado. Entretanto, tornou-se ineficaz e produziu ao longo dos anos verdadeiras aberraçíµes no Centro Histórico, com fachadas descontextualizadas e edificaçíµes deturpadas do seu sentido original, estético e histórico. Precisamos avançar para um inventário dos bens culturais do municí­pio, o registro da cultura imaterial e o tombamento dos imóveis de relevância histórica. Zelar pelo patrimí´nio é um dever constitucional e oferece o direito í  memória para os grupos formadores da nossa sociedade, disse Leonardo.

 

Conselho Municipal trabalha para reverter a situação  

No Brasil existem inúmeras leis e tratados nacionais e internacionais que visam a proteção, tutela, registro  e preservação do patrimí´nio cultural e seus bens tangí­veis (materiais) e intangí­veis (imateriais). Perdemos todo dia um elemento do nosso patrimí´nio por falta de fiscalização. Durante esse ano o COMPHAC está trabalhando na elaboração do projeto de lei para aperfeiçoar o aparato legislativo vigente no sentido de valorizar as referências da cultura material e imaterial do municí­pio de Torres. Atualmente, o Conselho delibera sobre projetos arquitetí´nicos em áreas históricas e procura alternativas que revitalizem o entorno dos locais. O único bem tombado que temos é a Igreja São Domingos, que participou de um processo de restauração –  o projeto  Pró Memória,  em 1983, do Instituto do Patrimí´nio Histórico e Artí­stico do Estado (IPHAE). O mesmo Instituto nos auxilia na delimitação do Centro Histórico e no mapeamento dos casarios remanescentes. Este trabalho está em sua fase final e logo será publicado no Diário Oficial, explicou Leonardo.

O historiador esclareceu ainda que, em ní­vel municipal ainda não existe nenhum bem tombado, apenas inventariado, mas que já é um instrumento de tutela e proteção. Tombamento, para quem desconhece, é um ato administrativo realizado pelo poder público (SEEC/CPC) com o objetivo de preservar, através da aplicação da lei, bens de valor histórico, cultural, arquitetí´nico e ambiental para a população, impedindo que venham a ser destruí­dos ou descaracterizados.

O professor chamou atenção ainda para a importância de cada cidadão fiscalizar seu patrimí´nio. O patrimí´nio histórico deve ter a fiscalização de todos e não deve ser alterado, destruí­do ou vandalizado. Os membros do COMPHAC estão cientes de seu compromisso com a municipalidade e lutam pelo direito í  memória da população torrense, a preservação das referências culturais e históricas e sua interface com a demanda turí­stica. A demanda é grande e passamos por momentos difí­ceis. Um grande retrocesso  em ní­vel federal com a ameaça a integridade do Instituto do Patrimí´nio Histórico e Artí­stico Nacional (IPHAN) e a instabilidade do governo estadual que cortam substancialmente os recursos investidos na área, destacou ele.

 

Prioridades municipais  

No municí­pio, Leonardo informou que a prioridade para restauração é o Casarão dos Muller – no interior, os casarios centenários do Centro Histórico, o Prédio do Grupo Escolar e o Abrigo, além da revitalização dos monumentos e praças. Poderí­amos aproveitar ainda alguns mirantes privilegiados para visitação como a Torre de Salva Vidas no calçadão da Praia Grande e o Farol de Torres que está abandonado e ocioso".

Outra questão é a implantação dos museus prometidos (mas ainda nãoconsolidados), como a transferência do museu municipal para o prédio da antigo prefeitura e a consolidação do museu da Guarita. "O COMPHAC convoca toda a população fixa ou flutuante de Torres para zelar pelo patrimí´nio que é de todos nós, pediu o professor.

 

 


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