EXEMPLO DE SUPERAí‡íO: Ciclista local compete em alto rendimento mesmo sem ter movimentos de um braço

5 de setembro de 2016

FOTO: Ciclista Marcelo Silva em ação

 

Por Guile Rocha
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Ciclista que morou  7 anos no Passo de Torres (e hoje mora em Osório), Marcelo Silva é um exemplo de superação que mostra a importância da força de vontade nos momentos de dificuldade que cruzam nossas vidas. Deficiente fí­sico, ele perdeu o movimento total do braço direito em um acidente de moto há 11 anos. Mas a dificuldade fí­sica não lhe impediu de chegar mais longe: faz um ano que Marcelo está praticando o ciclismo e competindo em alto rendimento com atletas normais.
 

Acidente, recomeço e superação  

Caçula de uma famí­lia de 4 filhos cujos pais são naturais do interior de Torres, Marcelo sempre gostou da adrenalina de estar sob duas rodas, e tinha uma moto como meio de transporte. Em 2005, aos 20 anos, ele havia recém partido de Cachoeirinha (onde vivia) para vir morar perto da famí­lia na região de Torres, trabalhando com pintura automotiva. Apenas 3 meses depois de chegar na cidade, Marcelo foi visitar amigos em Cachoeirinha e, quando voltava pela FreeWay, sofreu o acidente na estrada que mudaria o curso de sua vida: "Um carro desgovernado veio em direção a minha moto e eu não consegui controlar. Fui jogado barranco abaixo. Acabei com 2 pernas quebradas no Fêmur e o braço direito quebrado. Passei a noite na chuva pedindo socorro até que, no outro dia pela tarde, um caminhoneiro conseguiu me ver (eu e a moto estávamos escondidos debaixo das árvores) e me socorreu. Fui para o Hospital Cristo Redentor (em Porto Alegre) onde fiquei 4 meses internado. Nesse tempo, perdi 25 quilos e descobri que tinha perdido o movimento total do braço direito. Levei mais 1 ano pra começar a caminhar" contou Marcelo ao Jornal A FOLHA.

Sete anos depois, Marcelo, relatou que estava engordando e com muitos maus hábitos, quando teve uma oportunidade de trabalhar com uma empresa de nutrição – onde reduziu 11 quilos de seu peso. "E para dar exemplo para outras pessoas, comecei a buscar algum tipo de atividade fí­sica. Tentei academia mas, devido os impacto dos aparelhos e de eu ter muitos parafusos nas pernas, não deu certo. Foi quando comprei uma bicicleta simples".

O atleta começou com pedaladas normais e logo estava participando de competiçíµes de ní­vel médio, onde começou a se destacar: "Ai resolvi participar (em fevereiro deste ano) da Copa União de Ciclismo, que é uma competição de ní­vel alto; Na primeira etapa tomei muitas voltas dos atletas mas ai comecei a ver que tinha aumentar meus treinos", diz Marcelo. E hoje –   com treinos de em media 60 km por dia, com uma bike mais qualificada e uma adaptação no guidão (para conseguir frear e trocar marchas) – Marcelo diz que acompanha os atletas de ponta do iní­cio ao final da prova. No final de semana passado, ele participou da etapa da Copa União de Ciclismo que ocorreu em Tarumã (Viamão- RS) chegando em   6 ° lugar na Categoria Força Livre

 

‘Nunca deixe ninguém dizer que você não pode’  

Ao Jornal A FOLHA, o ciclista Marcelo Silva sentenciou que o que mais lhe motiva a competir é a vontade de "mostrar para as pessoas que é possí­vel se superar e estar entre os melhores mesmo com dificuldades, motivar as pessoas a ter uma vida mais ativa e saudável". Para as pessoas que passam por dificuldades na vida e não sabem o que fazer, Marcelo ressalta que nenhum problema deve ser considerado grande demais. " Por isso nunca reclamo de ter perdido movimento do braço direito. Sempre agradeço por estar vivo e por ter 2 pernas e o braço esquerdo, com os quais hoje posso fazer tudo que eu quiser. Nunca deixe ninguém dizer que você não pode!

 

 

 


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